Certificado de Operação Estruturada (COE): saiba tudo a respeito

O Certificado de Operação Estruturada (COE) tem como proposta a combinação de características das duas modalidades de investimentos mais conhecidas. Por um lado, traz a proteção ofertada pelo investimento em renda fixa. Por outro, também tem a possibilidade de ganhos robustos advindos da renda variável. Para complementar, ainda proporciona acesso a vários ativos internacionais.

Ele é um tipo de investimento que auxilia na diversificação da carteira do investidor. Afinal, permite a atuação em cenários onde seria muito difícil obter ganhos sem que se corresse grandes riscos.

Perdas e ganhos dos investimentos são, em geral, limitados no COE. Sendo assim, quem faz esse tipo de aplicação costuma ter noção da quantidade de dinheiro que receberá ao final do investimento.

Então, se quiser conhecer mais, leia este post até o final e descubra os benefícios e como investir no COE.

Conceito de COE

Os COE estão disponíveis há alguns anos para os investidores brasileiros. Eles se parecem bastante com as notas estruturadas, muito conhecidas na Europa e nos Estados Unidos.

Os COE são, na prática, um produto financeiro que mistura aplicações e características de renda variável e fixa em apenas um pacote.

Ele lembra um pouco a forma de funcionamento de um fundo de investimento em certa medida, porque é um conjunto de ativos. No entanto, existem diferenças significativas.

Além de ele ter um total mínimo para investimento e indexador definido, possui uma data limite para vencimento e aponta ao investidor vários cenários de perdas e ganhos.

Com tudo isso, o COE é um produto que pode servir tanto para os investidores mais conservadores, que são mais receosos de fazer aplicações em mercados arrojados, quanto àqueles experientes, que querem diversificar suas aplicações nos mercados sofisticados.

Como funciona o COE?

O COE tem características muito diferentes dos investimentos mais procurados no Brasil.

Sendo assim, é preciso entender em detalhes como funciona antes de começar a aplicar. Seguem os principais pontos a observar.

1. Registro e emissão

Os COE são emitidos por bancos. Segundo a regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), eles precisam ser registrados na B3, antiga Cetip.
Os COE começaram a ser ofertados publicamente após 2015. Antes disso, eram distribuídos de forma privada. Mas, uma instrução da CVM permitiu que começassem a ser vendidos por distribuidoras de valores e corretoras.

Essas instituições necessitam fornecer o Documento de Informações Essenciais (DIE) aos investidores, que define as características do COE. Nele é preciso constar explicações sobre:

  • Como funciona o produto;
  • Previsão do pagamento;
  • Riscos envolvidos no investimento;
  • Garantias existentes;
  • Expectativa de rentabilidade;
  • Prazos;
  • Etc.

Os investidores também precisam receber o termo de ciência de risco antes de fazer o investimento. Assim, ele indica que conhece os riscos da compra de um COE.

2. Tipos e rentabilidade

Os COE são muito flexíveis como investimento, podendo praticar estratégias muito variadas. Sendo assim, a rentabilidade dependerá, principalmente, do tipo de aplicação feita em cada produto. Um COE com foco em título de renda fixa terá o desempenho diferente de um focado em ações, por exemplo.

São dois tipos de COE divididos de acordo com uma característica essencial, que é a garantia oferecida pelos emissores. Os grupos são:

COE de valor nominal protegido: garantem que o investidor receberá de volta no mínimo o que investiu no início;

COE de valor nominal de risco: nesse tipo, não há garantias.

A maior vantagem é os ativos do COE poderem ser comprados em pacote e não um a um. Isso diminui o trabalho do investidor, que se beneficia disso na hora de pagar o Imposto de Renda: uma só forma de cálculo e alíquota são aplicados ao conjunto inteiro.

3. Ativos e indicadores

Outra característica do COE é que existe um ativo ou indexador que é essencial para determinar sua rentabilidade. Estes podem ser:

  • Moedas;
  • Juros;
  • Ouro;
  • Ações;
  • Índices de inflação;
  • Outros.

    Portanto, a rentabilidade do COE é medida por estes indicadores. Isto é, se eles vão bem, o COE vai bem. Se ele vai mal, dependendo do tipo de investimento e de suas regras, o investidor não perde dinheiro.

    4. As regras do COE

    Uma das características do COE é que ele pode ter algumas regras específicas de acordo com a sua rentabilidade. Este é um dos principais aspectos de entender ao investir nesta aplicação. Assim, é uma forma de trazer um equilíbrio maior entre ganhos e perdas para ambos os envolvidos, o banco emissor e os investidores.
    Como vimos acima, o COE de valor nominal protegido garante que o investidor recebe o valor mínimo investido. Logo, existe uma limitação dos riscos. Sendo assim, também existe uma limitação dos ganhos.

    Isso fica claro em um exemplo bem simples. Só para ilustrar, digamos que um COE tenha uma ação como principal indexador. Se a ação desvalorizar até o fim do prazo, o investidor não perde nada. Por outro lado, uma regra pode dizer que se o ativo valorizar até 10%, o investidor recebe o valor integral. Se a valorização superar os 10%, o investidor recebe este valor como limite. Ou seja, o banco “ganha” mais, por estar mais exposto ao risco. Portanto, sempre que for investir em COE, analise e entenda as regras.

    5. O valor mínimo para investir

    Semelhante aos investimentos em renda fixa, o valor mínimo do COE pode variar bastante. Geralmente, começam a partir de R$ 5 mil, mas é possível encontrar menores. Este é um valor escolhido pelos próprios bancos, de acordo com o nível de complexidade da aplicação. Quando mais complexo for o COE, maior é o valor de entrada.

    6. Custos, taxas e impostos

    Assim como qualquer investimento, existem outros custos atrelados a aplicação em COE. Por exemplo, o Imposto de Renda segue a tabela regressiva usada também para aplicações em renda fixa. Sendo assim, as alíquotas podem variar entre 22,5% a 15%, dependendo do tempo de aplicação.

    Por outro lado, dependendo da corretora, podem ser também aplicadas algumas taxas. Decerto, há quem cobre a corretagem, semelhante às operações na bolsa. Também existe o valor de custódia, que pode ser cobrado. É algo a estudar sempre que for investir.

    7. Prazo e liquidez

    Outro ponto a observar é o prazo do COE. Afinal, é um investimento com um prazo definido, o que significa que é preciso adequar bem a aplicação ao seu planejamento financeiro. Normalmente, os prazos das operações estruturadas é 2 ou 3 anos, podendo até chegar a
    5.

    Caso o investidor precise do dinheiro imediatamente, pode vender o Certificado de Operação Estruturada. Neste caso, seu valor é negociado com outro investidor, pelo preço de mercado. Sendo assim, pode ter uma rentabilidade abaixo do esperado.

Como investir em COE?

Conhecendo estas características do COE, você pode investir com mais tranquilidade. Primeiramente, é recomendado que você entenda bem o produto. Normalmente, é uma aplicação indicada para quem tem um perfil moderado ou adiante. É uma forma de aumentar a exposição à ativos mais arriscados, como a renda variável, mas sem perder o valor inicial. Por outro lado, os COE sem um capital protegido, são mais recomendados para quem tem um perfil mais para o agressivo.

O primeiro passo para investir, é fazer uma conta ou acessar a página da sua corretora. Lá, existe um espaço específico para analisar e comprar estes certificados.

O Certificado de Operação Estruturada não é uma aplicação complexa, mas ainda assim é preciso certos cuidados. O maior objetivo é escolher um COE que esteja alinhado com o seu perfil de investidor, observando todas as características que destacamos acima. Também é essencial ler com cuidado o DIE, lá é que você entende como funcionam as regras de ganhos e perdas que ditam todos os COE.

Uma vez que você entenda estes pontos, pode fazer a transferência e investir. O processo é bem semelhante ao investimento em renda fixa, pois você compra os COE como compra os títulos. Após isso, é só esperar o prazo e acompanhar a valorização do ativo-chave.

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