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Muitas pessoas compram dólar em espécie apostando em sua valorização, no entanto, é preciso ficar atento, pois esse é um grave erro na hora de investir. A compra de moedas em espécie deve ter um único fim: viajar. Para investir, existem muitos outros meios para se aproveitar da valorização do dólar.

Mas, por que não é uma boa ideia ir à uma casa de câmbio e adquirir um monte de dólares, sendo que você tem a convicção de que ele irá se valorizar? É simples, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrado pelos locais que vendem moedas estrangeiras é de 1,1% para espécie e 6,38% para cartão, então, só com este imposto você já é prejudicado logo na entrada. E vale lembrar que, na saída, ou seja, para voltar para o real, você pagará essa taxa novamente.

Além do imposto, outra coisa que irá prejudicar muito seu “investimento” é o spread cobrado pelos locais que vendem moeda – que é exatamente onde eles ganham dinheiro. Neste momento, por exemplo, o dólar comercial está valendo R$ 3,25, mas, a média do preço de venda de dólar turismo nas casas de câmbio em São Paulo é de R$ 3,36. E, na compra, esse spread é ainda maior, afinal, a média de taxa desses locais para comprar os seus dólares é de R$ 3,05. A diferença entre o preço de venda e compra é de 10,16% e, se colocarmos o IOF de entrada e saída, em juros compostos, o total fica em 12,60%. Ou seja, para você começar a ter um lucro investindo em dólar em espécie, a moeda precisa valorizar pelo menos 12,61%. Péssima ideia, não?

Compra de moeda em espécie é somente para viajar, fazer turismo – como diz o nome da moeda. Não compre dólar turismo para guardar em casa, pois, além de perder dinheiro (ou precisar esperar valorizar muito), você ainda não tem garantia nenhuma sobre ele, ou seja, se for roubado, você perde todo o investimento. Existem muitas outras formas mais inteligentes de você se aproveitar da valorização de alguma moeda, e irei mostrar algumas delas a seguir.

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Como investir em dólar da forma correta?

Uma ótima forma para apostar na alta do dólar é comprar ações de empresas exportadoras, cujos papeis se valorizam muito à medida que essa moeda sobe, afinal, elas compram suas matérias-primas em real e vendem seus produtos finais em dólar, o que beneficia a empresa e faz com que os investidores vejam suas ações com bons olhos, aumentando assim a demanda e, consequentemente, seu preço. Os melhores exemplos da bolsa brasileira neste sentido estão no setor de papel e celulose: Klabin (KLBN11), Suzano (SUZB5) e Fibria (FIBR3).

Outra ótima forma de apostar nessa valorização é investir em minicontratos de dólar futuro na bolsa. Essa modalidade de mercado futuro, que é um derivativo, permite que você “aposte” no preço que o dólar (ou outra moeda) estará em alguma data futura. Esses contratos podem ser liquidados antes do vencimento e é possível fazer até day trade com eles, ou seja, comprar os ativos e vende-los no mesmo dia. Neste segmento, você não tem acesso à moeda física, mas sim negocia ela virtualmente, via bolsa de valores, sem pagar IOF ou spread para casas de câmbio.

Outra alternativa para investir em dólar é aplicar em fundos cambiais. Essa é a opção, sem dúvida, mais segura, afinal, as outras duas citadas anteriormente são indicadas apenas para investidores arrojados, com apetite ao risco. Para os mais conservadores, o mais indicado são os fundos, que você não precisará ficar acompanhando de perto e nem se preocupar muito, pois são geridos por um gestor certificado. No entanto, vale lembrar que eles estão expostos, no mínimo, 80% à variação cambial, que é o objetivo aqui tratado, então podem se desvalorizar caso o dólar caia.

Por fim, existem os COEs (Certificados de Operações Estruturadas), que são títulos com a proteção da renda fixa e o potencial de ganhos da renda variável. É como se fosse comprar algo arriscado, mas com uma proteção por trás. Esse tipo de investimento também é bem seguro, mas também não tem o potencial de valorização de um contrato futuro ou uma ação exportadora em um cenário de alta do dólar, por exemplo.

Opções não faltam para quem quer se beneficiar com a valorização de uma moeda, então não caia na cilada de comprar elas em espécie e deixa-las desvalorizando debaixo do colchão, com taxa, impostos e spread ainda por cima.

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