uma caneta vermelha marcando um papel: rebaixamento de rating
Rebaixamento de rating

 

Nesta quarta-feira, a agência de classificação de risco Moody’s fez o rebaixamento de rating do Brasil em dois graus, de Baa3 para Ba2, o que significa que o país perdeu o selo de bom pagador, passando do grau de investimento para um grau especulativo, chamado de junk. Para piorar a situação, a agência manteve o rating com perspectiva negativa, o que significa que um novo rebaixamento de rating pode ocorrer a qualquer momento. A Moody’s foi a terceira agência a tirar o Brasil do grau de investimento, visto que decisão já havia sido tomada anteriormente pela S&P e pela Fitch Ratings.

E quais são os efeitos desse rebaixamento de rating para o país e no bolso das pessoas? Muitos. Muitos efeitos e todos eles negativos. Um corte de rating significa que o risco de o governo brasileiro dar um default (calote) nos credores da dívida do Brasil, aumentou. Ou seja, agora os investidores irão exigir um juros maior para financiar o país, afinal, quanto maior o risco, maior deve ser o prêmio para os investidores aceitarem correr esse risco. Resultado: possível aumento da Selic, valorização do dólar perante o real, queda nos investimentos, queda no PIB, mais desemprego e mais inflação. Desesperador, não é mesmo? Esse é só o começo.

Cenário atual

Não é novidade para ninguém que o cenário macroeconômico do país está em uma situação extremamente preocupante. A previsão é de que nosso PIB retraia cerca de 3% neste ano; o nosso índice oficial de inflação (IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo) está em quase 11% em 12 meses, sendo que a meta de inflação do país é 4,5%, com uma banda de dois pontos percentuais para cima ou para baixo; a taxa de desemprego está acima de 8%; o dólar está perto dos R$ 4,00; e a nossa taxa de juros básica está em 14,25%.

Ou seja, como podem ver, a economia está em frangalhos e, quando achamos que chegamos no fundo do poço e que tudo pode começar a reverter, o governo anuncia um orçamento para 2016 com déficit, fazendo o país ter o rating cortado para o nível especulativo por todas as principais agências de rating.

Agora, a taxa de juros, que tinha ficado estável na última reunião do Copom, em 14,25% ao ano, deve voltar a subir na próxima reunião, caminhando para os 15% – o que seria o correto, mas não podemos esperar decisões certeiras desse governo. Enquanto isso, a inflação deve ser ainda mais pressionada, batendo os 10% novamente em 2016. A previsão do PIB deve piorar ainda mais para esse ano e para o ano que vem. O desemprego deve caminhar rumo aos 10% e o dólar em direção aos R$ 4,20.

Agora eu pergunto: quem vai querer investir em um país nessa situação? Antes, mesmo com esses indicadores, os investidores vinham, afinal, pagamos um juros alto e tínhamos um grau de investimento por todas as agências de rating, mas agora estamos no grau especulativo por todas elas.

Rebaixamento de rating: onde investir agora?

Pois é, salve-se quem puder. E enquanto a economia do país desanda, os pequenos investidores devem ficar ainda mais atentos em seus papéis a partir de hoje. A bolsa de valores deve ter sua volatilidade ampliada, exigindo ainda mais cautela dos acionistas de toda e qualquer empresa. Uma dica é ficar atento aos papéis de exportadoras, que compram sua matéria-prima em real e vendem seu produto em dólar. Visto que a pressão deste corte de rating no dólar – causada pela fuga de capitais, que reduz a oferta da moeda estrangeira no país – pode beneficia-las ainda mais. Mas, claro que até com estas empresas o cuidado deve ser alto, afinal, elas vêm se beneficiando da alta do dólar desde o início do ano passado e, com isso, algumas já podem estar “caras”.

Já na renda fixa, o cuidado deve ser alto também. Quem já possui títulos pré-fixados do Tesouro Direto (LTN e NTN-F) ou até papéis atrelados ao IPCA, como NTN-B e NTN-B Principal, deve pensar em vendê-los neste momento, para adquiri-los novamente em breve, afinal, o corte de rating irá impactar na curva futura de juros – para cima. Mas, o que isso significa? Significa que a taxa desses papéis irá subir nas próximas semanas e, consequentemente, o preço irá cair.

Considerações finais

Ou seja, quem já possui os papéis irá perder dinheiro se segurá-los, visto que o preço irá desvalorizar. Ao mesmo tempo, quem está de fora, deve ficar de olho para entrar daqui a pouco. Pois com esta desvalorização do PU (Preço Unitário), a taxa deles irá subir. Claro que isso só vale para quem faz trade com esses papéis. Ou seja, quem comprou para segurar até o vencimento pode ficar tranquilo, pois a rentabilidade prometida na compra estará segura para o dia do vencimento.

Por fim, ainda no Tesouro Direto, os papéis atrelados à taxa Selic, chamados de LFT, devem voltar a ter seu interesse. Pois a alta da taxa de juros – que deve vir por aí nas próximas reuniões – irá beneficiá-los.