Trump
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Aconteceu o que ninguém esperava: Donald Trump venceu as eleições dos Estados Unidos, pelo Partido Republicano. E se tornou um dos homens mais importantes do mundo. Os mercados abriram assustados, mas inverteram no final, mostrando que ninguém sabe o que esperar deste homem. Que apesar de ser um empresário bem sucedido, mostrou-se extremamente desequilibrado e radical em diversos assuntos durante a campanha. Como será o futuro?

Wall Street abriu em queda, mas até o fechamento deste artigo já subia 1%. No Brasil, o Ibovespa abriu em forte queda, reverteu para alta no meio do dia e fechou com perdas de 1,4%. Toda essa volatilidade mostra que ninguém sabe bem se foi boa ou ruim a notícia e agora nos resta apenas esperar.

A maior preocupação está no meio das relações internacionais, visto que Trump mostrou-se ser um homem autoritário, estatista e de difícil convívio. Quem mais deve sofrer com isso é a América Latina – em especial o México, que deve ter o acordo de livre comércio cortado. Além da possibilidade de construção do famoso muro anti-imigração – a Europa Ocidental. E, principalmente, a China, visto que ele prometeu introduzir barreiras tarifárias e realinhar as relações bilaterais. Somente com a Rússia que a relação deve ficar no momento mais amigável da história, visto que Trump e Putin são parceiros de longa data e tem jeitos autoritários e apelativos em comum.

Na América Latina, com o Brasil, a relação não deve ser muito afetada negativamente, mas, em compensação, países como Chile, Colômbia e Peru devem sofrer mais por terem relações bem estreitas com Washington D.C.

Dólar em relação ao real

Já o dólar deve disparar em relação ao real, com os investidores buscando ativos mais seguros em um momento de turbulência e indecisão. As projeções de mercado, que giravam em torno de R$ 3,15 para o fim deste ano, já subiram para R$ 3,60 após o resultado do pleito.

No mercado de commodities, deve haver uma forte redução de demanda por combustíveis, tornando assim difícil a meta de tentar impulsionar os preços a partir do congelamento da produção, previsto pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Em relação ao juros dos EUA, uma alta ainda em dezembro pelo FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano) agora está mais longe de se concretizar. Com as apostas – na leitura da curva futura – caindo de 82% para 47%. Este movimento de aperto monetário mais lento está diretamente relacionado com as perspectivas de menor crescimento e maior fechamento da economia norte-americana. Já os juros do Brasil também podem ser afetados, com a depreciação do real levando o BC a adotar mais cautela no ciclo de afrouxamento monetário que se iniciou na última reunião do Copom, reduzindo a Selic de 14,25% para 14% ao ano.

O momento é de cautela, mas não de desespero. Afinal, para conseguir aprovar muitas das coisas que prometeu, Trump deverá ter que se reaproximar dos líderes do Partido Republicano. Com os quais brigou durante as primárias, para garantir o número de votos necessários entre os parlamentares e aprovar as propostas mais polêmicas.

Vale ficar muito atento à essa surpresa que o mundo recebeu. Mas sempre com cuidado e sem decisões precipitadas. É comum que os investidores se tornem mais impulsivos neste momento, como ocorreu na época do Brexit, mas o melhor a se fazer é respirar fundo para não acabar perdendo muito dinheiro.