Governança Corporativa: por que considerar antes de investir
Governança Corporativa: por que considerar antes de investir

Quem investe na renda variável tem diversos aspectos para avaliar antes de escolher uma empresa e se tornar sócio do negócio. E, se você deseja ter bons retornos e evitar prejuízos, precisa conhecer bem a companhia — considerando, entre outros fatores, a governança corporativa.

Você não sabe ainda do que se trata este conceito? Não se preocupe. Ele é desconhecido de muitas pessoas que desejam investir ou que já investem na bolsa.

Entretanto, se o seu objetivo é entender em detalhes a governança corporativa para investir melhor, saiba que a bolsa brasileira B3 tem uma forma de facilitar a análise deste conceito. Ela classifica as empresas de capital aberto por seu nível de governança.

Neste conteúdo, explicamos o que ele significa e quais informações importantes o investidor de longo prazo pode obter a partir da análise da governança corporativa. Confira!

O que é governança corporativa?

Na medida em que uma empresa cresce e tem desenvolvimento econômico, a gestão dela precisa acompanhar sua complexidade. Isso acontece especialmente nas companhias que abrem seu capital social para novos acionistas na bolsa de valores.

Afinal, elas deixam de ser uma empresa para poucos interessados e se transformam em um negócio ampliado, com diversos investidores. Tal fenômeno gera demandas no sentido de manter todos informados sobre o que acontece internamente.

A governança corporativa é um método com práticas de gestão empresarial que se aplicam bem aos empreendimentos maiores. Ela se refere a um conjunto de regras e padrões de processos que permitem administrar e monitorar uma empresa com mais controle.

O conceito se baseia em três fatores principais: transparência, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Assim, a governança corporativa reúne boas práticas para manter o alinhamento entre gestores, colaboradores, acionistas e todos que fazem parte do negócio.

Quais são os níveis de governança corporativa?

Começamos este conteúdo falando que a B3, a bolsa de valores brasileira, classifica as empresas de acordo com o seu nível de governança corporativa. Logo, os investidores podem se guiar por ela para saber mais sobre as companhias que os interessam.

A classificação da B3 facilita muito a sua análise, pois a equipe da bolsa faz toda uma avaliação dos principais aspectos da governança corporativa para definir o nível de cada empresa. Assim, observar o selo atribuído pela bolsa confere algumas informações relevantes para você.

Existem 5 níveis de governança na B3 que indicam a qualidade da gestão empresarial. Conheça cada um deles, na ordem do maior e mais importante patamar para o menor.

1.Novo Mercado

O novo mercado representa o maior nível de governança corporativa. Ou seja, as empresas listadas nele são consideradas os melhores exemplos de gestão transparente e de qualidade no Brasil — o que significa vantagens aos investidores.

Ele existe desde os anos 2000 e um dos critérios para fazer parte deste nível é ter 100% de ações ordinárias. Isto é, aquelas que dão direito a voto nas assembleias. Além disso, a empresa deve ter 100% de tag along — que é um mecanismo de proteção do investidor menor.

As companhias do novo mercado também devem ter um setor de auditoria interna e funções de compliance, além de um comitê de auditoria. Outro aspecto relevante é que o conselho de administração deve ter pelo menos 20% de conselheiros independentes.

Quanto à transparência, as companhias que recebem o selo novo mercado da B3 devem elaborar e divulgar prestações de contas de suas políticas de remuneração, indicação de membros ao conselho administrativo e outros documentos importantes.

2.Nível 2

Esse é o segundo melhor nível de governança corporativa da bolsa. Uma das maiores diferenças em relação ao novo mercado é que, no nível 2, as empresas podem ter tanto ações ordinárias como preferenciais (que não dão direito a voto).

Entretanto, se mantém a regra do tag along de 100%. Em caso de venda do controle da empresa, ambos os tipos de ações devem dar o direito de receber o mesmo preço pago aos acionistas controladores.

No nível 2, a bolsa analisa a divulgação das demonstrações financeiras e dos resultados da companhia no padrão desejado. E se mantém a regra de no mínimo 20% de conselheiros administrativos independentes.

3.Nível 1

O nível 1 apresenta menos exigências do que os dois que apresentamos anteriormente. A principal regra para que os negócios recebam esse selo é realizar reuniões públicas com analistas e investidores anualmente e garantir que 25% do seu capital social esteja em circulação.

4.Bovespa Mais

O segmento Bovespa Mais corresponde a um nível governança corporativa atribuído a empresas de menor porte do que aquelas consideradas nos outros três níveis superiores. Assim, os critérios para acesso ao mercado de capitais são graduais.

A empresa deve emitir apenas ações ordinárias e oferecer 100% de tag along. Uma das especificidades é que os negócios podem listar suas ações na bolsa antes de realizar a oferta inicial — eles têm até 7 anos para fazer o IPO.

5.Bovespa Mais Nível 2

Por fim, o selo de governança corporativa Bovespa mais nível 2 é bem parecido com o anterior, com a diferença de que as companhias podem emitir tanto ações ordinárias quanto preferenciais. Contudo, se mantém o direito de tag along a ambos os tipos de ação.

Quais as melhores práticas da governança corporativa?

Agora que você já conhece mais sobre o assunto, vale a pena entender o que faz uma empresa ter um bom nível de governança. Como mostramos, ele está relacionado à transparência e responsabilidade.

Assim, as melhores práticas de governança se baseiam na equidade tanto nos processos internos (com colaboradores, diretores etc) quanto na atenção aos acionistas (oferecendo direitos semelhantes).

Outra prática fundamental é a de prestação de contas. Empresas com boas práticas de governança precisam mostrar compromisso na divulgação de informações relevantes a todos que façam parte dela — assim como ao público interessado em investir.

Por que considerar a governança antes de investir em ações?

Analisar a governança corporativa vale a pena especialmente para investidores que visam o longo prazo na bolsa. Se você procura por boas empresas para investir e se manter sócio, sem dúvida o seu grau de governança faz diferença.

Ele indica companhias mais sólidas, com valores mais afinados aos interesses dos investidores e do mercado. Assim, em geral, são negócios mais organizados e preparados para enfrentar desafios — como crises econômicas.

O fato de serem geridos com qualidade atribui também uma boa imagem para a empresa no mercado. Isso significa que ela apresenta boas condições para crescer e ganhar competitividade, alcançando resultados financeiros interessantes.

Logo, a governança corporativa deve ser um dos quesitos a avaliar antes de tomar uma decisão de investimento. Junto a ela, reforçamos a importância de avaliar os fundamentos das empresas. Desse modo, você faz boas escolhas na sua carteira!

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