Lula
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O ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado nesta quarta-feira (12) pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva no caso do tríplex no Guarujá. De acordo com a denúncia, a empresa OAS, do setor de engenharia e infraestrutura, pagou R$ 3,7 milhões em propina a Lula, por meio da entrega do imóvel, além do armazenamento do acervo presidencial.

Apesar da condenação, o ex-presidente ainda não será preso e aguardará a decisão da segunda instância em liberdade. Ele poderá recorrer ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre, cujas sentenças demoram em torno de um ano e meio para serem analisadas. Este, trata-se do mais célere e eficiente tribunal do país, inclusive com sistema informatizado (sem processos de papel).

Caso a decisão não saia até as eleições de outubro de 2018, Lula poderá ser candidato como presidenciável, pois a lei da Ficha Limpa não se enquadra para decisões em primeira estância de apenas um magistrado. No entanto, se o órgão colegiado da segunda instância confirmar a condenação, o ex-presidente não poderá mais ser candidato a cargos eletivos.

Reações do mercado

            Após a decisão, o Ibovespa, benchmark da bolsa de valores brasileira, disparou, enquanto as principais moedas do mundo desabaram perante o real. No fechamento, o índice registrou alta de 1,57%, aos 64.835 pontos. Já o dólar, apresentou forte queda de 1,45%, cotado a R$ 3,221, enquanto o euro registrou desvalorização de 1,81%, a R$ 3,685.

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Ao mesmo tempo, no mercado de juros, o DI futuro com vencimento em 2021, marcou forte queda de 1,91%, a 9,76%, enquanto o vencimento em 2020 caiu 1,49%, a 9,25%, e o de 2019, 1,03%, a 8,64%.

As ações da Petrobras também se destacaram no pregão, principalmente após a notícia. Os papeis, que também subiram nas duas últimas sessões, por conta dos dados do API (American Petroleum Institute), que mostraram que os estoques de petróleo dos Estados Unidos caíram em 8,1 milhões de barris na semana, superando as expectativas, subiram 4,95%. Antes da condenação do ex-presidente Lula, as ações da estatal apresentavam leve alta de 1,5%.

Onde investir?

            Agora a pergunta que fica é: devo mudar alguma coisa em meus investimentos, devido à essa notícia? A resposta é sim, sem dúvidas.

            A primeira dica é para os investidores que possuem posição em papéis cujo PU (Preço Unitário) flutua de acordo com a curva futura de juros. Como já citado anteriormente, a condenação de Lula trouxe um forte impacto para baixo nos DIs futuros de todos os vencimentos, o que irá causar valorização destes papéis, visto que a correlação entre ambos é negativa.

            Todos que possuem papéis como NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B), principalmente as mais longas, LTNs (Letras do Tesouro Nacional), NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional – Série F), NTN-Bs Principais (Notas do Tesouro Nacional Principais – Série B), CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e Debêntures devem pedir para seu assessor de investimentos cotar saída dos títulos, dependendo do momento de entrada. Devido à forte valorização que a queda da curva irá causar, pode ser uma ótima oportunidade para colocar esse lucro no bolso.

            Além disso, vale a pena ficar atento aos papéis que são fortemente ligados ao governo, como algumas estatais que possuem ações na bolsa: Petrobras (PETR3 e PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3), por exemplo.

            Já ações fortemente indexadas ao dólar, como as exportadoras do setor de papel e celulose Suzano (SUZB5), Fibria (FIBR3) e Klabin (KLBN11), poderão ser negativamente impactadas com a novidade. Quem está posicionado, vale pensar em sair o quanto antes, enquanto quem está de fora assim deve permanecer.

            Trades que apostam no índice e vão contra o dólar podem ser extremamente bem sucedidos, então vale pensar em certa exposição no Ibovespa Futuro ou em seu ETF casado com uma venda da moeda norte-americana no mercado futuro.

            Outra dica é se atentar à máxima de mercado: “sobe no boato e cai no fato”. Muitas vezes, acontece de o movimento da tendência se inverter nos dias subsequentes à notícia devido à chamada realização de lucro, então é importante ficar atento para não tomar medidas precipitadas que podem causar uma perda de curto prazo.

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