pessoa empurrando outra no meio da rua, referência a esse aumento do FGTS

Neste ano, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou, quase por unanimidade, o projeto que muda a correção do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Ou seja, um aumento do FGTS. Agora, a chance de ser aprovada no Senado e ir para a sanção presidencial, é muito grande, levando em conta a forte adesão dos deputados. Mas, o que isso muda para os trabalhadores?

Primeiro, é importante frisar que o FGTS não é um aliado dos trabalhadores, como vende o governo. Mas sim um grande vilão, assim como a CLT de modo geral, que desincentiva o empreendedorismo e força o salário dos trabalhadores para baixo, visto que eles acabam custando para a empresa 80% a mais do que recebem. Ou seja, se um funcionário ganha R$ 10 mil por mês, em regime CLT ele vai custar R$ 18 mil para a empresa. Absurdo, não é? Além disso, todos os meses, quando recebemos nosso holerite, vem o espanto com a quantidade abusiva de descontos, que simbolizam nada mais nada menos do que o governo falando que não somos capazes de planejar a nossa aposentadoria e nem a compra de um imóvel.

O que você verá neste artigo:

Aumento do FGTS

Com o FGTS, somos OBRIGADOS a dar uma parte de nosso salário para o governo, que será corrigido por 3% + TR (Taxa Referencial, que é uma média da remuneração dos CDBs/RDBs com um Redutor, que é a extração das parcelas referentes à taxa de juros real e à tributação incidentes nestes papéis), ou seja, muito menos do que a poupança, que, por sinal, já é horrível.

Em termos práticos, nos últimos 15 anos, esse fundo rendeu, em média, 100%, ou seja, quem depositou R$ 10 mil no FGTS no ano 2000, hoje tem R$ 20 mil. Nossa, interessante, não é mesmo? NÃO! Afinal, no mesmo período, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o nosso indicador oficial de inflação, acumulou 170%, ou seja, o seu ganho REAL com o FGTS foi MUITO NEGATIVO.

Comparação

Para uma base de comparação, quem pois a mesma quantia na poupança, ganhou, em 15 anos, 210%. Ou seja, está hoje com R$ 31 mil (R$ 11 mil a mais que o FGTS). E olhem que a poupança não é nem considerada um investimento, visto que atualmente também está com a rentabilidade real negativa, visto que rende em torno de 7% ao ano (0,5% ao mês +TR), contra 9,5% do IPCA. Então, se formos mais adiante e compararmos o “glorioso” FGTS com investimentos de verdade, como Tesouro Direto e CDB a derrota é de lavada: em média, os ganhos seriam de R$ 55 mil e R$ 50 mil, respectivamente. Ou seja, mais de R$ 30 mil reais a mais que o FGTS.

Então, porque somos obrigados a colocar o dinheiro em algo que rende 3% + TR? Sendo que poderíamos estar ganhando 14%, 15%, 16% em títulos de renda fixa ou até mais em alguns papéis da bolsa de valores? Nem perca tempo pensando em uma resposta lógica, pois não existe.

Agora, voltando ao foco, se a medida que passou pela Câmara, passar pelo Senado e for sancionada, o que muda? Sim, melhora um pouco a situação, mas não se anime demais. Vou explicar.

Nova regra

Com a nova regra, a remuneração do FGTS irá passar de 3% + TR para 4% +TR em 2016; 4,75% + TR em 2017; 5,5% + TR em 2018 e, a partir de 2019, se igualará à poupança, pagando 6% + TR ou, com a Selic abaixo de 8,5% ao ano, 70% da Selic + TR. Melhora? Opa, e muito, mas ainda não é o ideal. Visto que, mais uma vez, você estará ganhando cerca de 7% ao ano enquanto poderia estar levando 15%. Ou, atualmente, até mais – dependendo do papel.

Para os trabalhadores, obviamente, isso é bom, mas, ao mesmo tempo, em âmbito macroeconômico essa medida pode assustar. Em primeiro lugar, um aumento do FGTS em meio a um ajuste fiscal só mostra a irresponsabilidade do governo. Afinal, me parece mais uma medida de cunho populista, com o governo tentando recuperar sua imagem com a população. Mas, novamente, sem pensar no longo prazo das contas públicas. E, em segundo lugar, isso pode indicar também que o governo não vê a inflação no centro da meta até, no mínimo 2019, pois, caso contrário, não tomaria essa medida.

Este aumento do FGTS é importante e justo – visto que somos OBRIGADOS a colocar o dinheiro em um fundo ruim. Mas, convenhamos que este não é nem de perto o melhor momento para fazerem isso. Visto que o país está quebrado e a presidente está sendo acusada de ter maquiado as contas públicas no ano passado. Ou seja, até uma medida que “teoricamente” é boa para nós, que pagamos tanto sem receber nada em troca, mostra um enorme despreparo de um governo totalmente ineficiente e, acima de tudo, incompetente.