o que é risco-país
o que é risco-país

Quem é investidor provavelmente está familiarizado com a análise dos riscos e provavelmente já ouviu falar de risco-país. Afinal, é altamente indicado conhecer os riscos e analisar a relação entre eles e os benefícios do produto ou ativo antes de investir.

Isso sinaliza, entre outras coisas, que a expectativa de rentabilidade deve acompanhar o perigo do investimento. Mas, você sabia que, com países, também acontece algo parecido?

Em suma, existem investidores que injetam dinheiro na economia de outros países. E, semelhante a qualquer investidor tradicional do mercado financeiro, eles precisam conhecer os riscos envolvidos na operação, certo?

Portando, é neste contexto que se faz relevante saber o que é o risco-país. Além de interessar a grandes financistas internacionais, o conceito também é importante dentro da própria economia nacional. Vamos falar mais sobre ele?

O que é o risco-país?

O risco-país é uma nota que representa o histórico financeiro de uma nação. De forma prática, ele ajuda a indicar quais são as condições de um país em arcar com seus compromissos financeiros — entre eles, os títulos emitidos.

Assim, o índice consegue mostrar o perigo que determinado país apresenta para investidores estrangeiros. Por exemplo, quando o risco-país é baixo, a probabilidade de enfrentar crises econômicas e não títulos de dívida do país é menor.

Do outro lado, países que têm riscos mais altos estão mais expostos a problemas financeiros e, consequentemente, representam maior perigo para investidores. Isso porque a probabilidade de não pagamentos, ou seja, calote nos títulos se torna maior.

Além de possíveis crises econômicas, as condições políticas também estão relacionadas ao risco-país. Inclusive, são alguns dos motivos pelos quais países emergentes costumam ter riscos maiores, já que eles vivenciam maior instabilidade política.

O risco-país está diretamente ligado às incertezas em diversos aspectos — políticos, econômicos, cambiais, tecnológicos, etc. E, de modo geral, são considerados como padrão para mensuração dos perigos envolvidos os títulos emitidos por países livres de risco, especialmente os Estados Unidos.

Para que serve o risco-país?

O principal objetivo do risco-país é indicar o nível de confiança que os investidores estrangeiros podem ter quanto a um governo. Ele mostra, de maneira simples, quais são os países mais seguros e quais são aqueles mais arriscados.

Com isso, o risco-país também serve de termômetro para especuladores internacionais. Como é de praxe no mercado financeiro, há uma relação direta entre riscos e rentabilidades. Ou seja, países de maior risco precisam oferecer taxas mais atrativas para seus títulos de dívidas para os investidores.

Logo, pessoas que busquem maiores lucros podem ter interesse em alocar capital em países que paguem juros maiores por conta dos riscos.

Mas o cenário traz desafios para as políticas internas dos países — fazendo com que o risco-país não seja um indicador apenas das relações internacionais.

E por que isso acontece? Um dos motivos está no fato de que a elevação da taxa de juros para atrair investidores também causa efeitos na vida dos cidadãos.

Outro desafio acontece quando o país busca caminhar no sentido contrário. Isto é, de diminuição da taxa de juros. Em alguns casos, pode haver uma saída substancial do dinheiro estrangeiro, já que as taxas altas atraíram especuladores que podem não ter mais interesse nos investimentos depois da redução delas (taxas de juros).

Logo, é importante que o país, em verdade, o governo faça uma gestão responsável e equilibrada da economia e saiba gerenciar tais aspectos (riscos). Para reduzir os efeitos da especulação, é interessante realizar esforços para atrair investidores de longo prazo.

O que influencia o risco-país?

Agora que você sabe o que é o risco-país e como ele causa efeitos não só nas relações internacionais, mas também nas políticas econômicas internas, vamos ver o que influencia na nota recebida pelos países em relação ao risco.

Já falamos das questões gerais que estão por trás dos riscos maiores em países emergentes — como fatores econômicos e políticos. Em relação aos pontos que são considerados na hora de calculá-lo, podemos citar, entre outros:

  • o Produto Interno Bruto (PIB);
  • o déficit fiscal do país;
  • o nível de arrecadação;
  • o endividamento do governo;
  • o crescimento ou a retração da economia nacional;
  • a desvalorização do câmbio;
  • as dificuldades políticas que podem causar instabilidade.

Também citamos que a política de juros é algo que está bastante relacionado ao risco-país. Riscos maiores costumam gerar taxas de juros mais altas para atrair investidores.

No movimento contrário, uma política de redução dos juros — aliada com outras iniciativas — pode influenciar uma baixa no risco-país. O Brasil, por exemplo, vivenciou recentemente a diminuição do seu risco em consequência de elementos como a baixa da Selic e a Reforma da Previdência.

Como o risco é medido?

Para saber tudo sobre o que é o risco-país e como funciona, chegou a hora de entender de que forma é feito o cálculo — assim como quem são os responsáveis por ele. O indicador é medido por agências de risco.

Normalmente, as notas são divididas em dois grandes níveis: o grau de investimento indica que o país oferece menores riscos. Enquanto isso, o grau especulativo é atribuído a países de maiores risco, sendo menos qualificados para investidores.

O cálculo de risco pode ser feito por diversas agências, segundo metodologias diferentes. Confira as principais a seguir:

EMBI+

O EMBI+ é uma sigla que representa o termo em inglês Emerging Markets Bond Index PlusI. Ele representa índices de países emergentes. Portanto, mede a nota de risco apresentada por nações como o Brasil.

Ele é o índice mais utilizado e é calculado pela instituição JP Morgan, uma grande financeira norte americana. O EMBI+ se baseia nas taxas de juros de títulos dos Estados Unidos para calcular o spread — o bônus a ser oferecido nos títulos dos países de maior risco.

Rating

O rating é um índice calculado por agências especializadas em risco. Ele é utilizado para analisar determinados investimentos e empresas — e também serve para países. Ou seja,  Uma nota mais alta indica maior segurança.

Os países podem se cadastrar em determinadas agências para ter seu rating calculado. No caso do Brasil, algumas instituições especializadas em risco que realizam o cálculo são a Standard & Poor´s (S&P), a Fitch Ratings e a Moody´s.

CDS

Por fim, outro método para analisar o risco-país é o CDS — Credit Default Swap. Ele é uma forma de precificar o risco de crédito de um título, pois funciona como um seguro que garante o pagamento do valor investido.

O CDS é um título emitido por seguradoras. Caso haja calote do investimento, quem pagou pelo CDS recebe a indenização. Desse modo, o preço dos CDS acabou se tornando um dos indicadores de risco-país mais utilizados internacionalmente.

Afinal, se o CDS é mais baixo, o país apresenta perigo menor de calote. Quando ele é alto, espera-se que o risco seja maior.

Em síntese, com as informações que apresentamos neste post, você acumulou conhecimentos bastante importantes e entende agora muito mais sobre o que é o risco-país e como ele influencia o mercado nacional e internacional.

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