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Na última quinta-feira (25), começou a fase final do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, com o julgamento do Senado Federal. O processo está previsto para terminar na próxima segunda-feira (29), com o presidente interino, Michel Temer, assumindo o cargo oficialmente logo no dia seguinte, caso a acusação seja acatada por pelo menos 54 membros do plenário.

Se isso ocorrer, a economia do país deve seguir melhorando, como já vem ocorrendo desde que Dilma foi afastada e Temer montou uma nova equipe econômica, mais liberal e ortodoxa. No entanto, se o processo for vencido pela defesa e a presidente afastada voltar ao cargo, os impactos na economia devem ser desastrosos e imensuráveis. Porém, a chance de isso ocorrer, de acordo com perspectivas do mercado, é de apenas 3%, contra 97% de uma vitória da acusação.

Assim, trabalhando com o cenário mais provável, a economia deve retomar o crescimento já no ano que vem, enquanto que a inflação irá continuar convergindo para o centro da meta de 4,5% ao ano, fechando este ano próxima dos 7%. Com o arrefecimento do índice de preços, a taxa de juros Selic deve começar a cair logo no início de 2017, podendo chegar a 8% ao ano em um ciclo de afrouxamento monetário que deve durar um período de cerca de dois anos. Outras taxas importantes para a economia, como de desemprego e de produção industrial também devem voltar a níveis aceitáveis no médio prazo.

Este cenário, de juros menores, torna a renda fixa, sucesso dos últimos anos, menos atrativa, porém, ao mesmo tempo, após anos de aversão à bolsa de valores, o mercado de renda variável volta a ficar interessante, afinal, a eminência de um fim do governo mais intervencionista da história, está fazendo com que as empresas – principalmente aquelas que mais sofreram com as intromissões do governo – voltem a entrar na mira dos investidores. Boas pedidas para esse momento são as ações da Petrobras (PETR4) e do Banco do Brasil (BBAS3), que estão respondendo fortemente a cada novo desdobramento do cenário político.

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Já na renda fixa, é importante começar já a migração do pós-fixado para o pré-fixado, afinal, o DI futuro, que já vem caindo, deve continuar seu movimento de queda, já precificando o ciclo de afrouxamento monetário que deve começar no início do ano que vem. Garantir uma boa taxa pré neste momento, com o juros a 14,25% ao ano, é crucial para travar essa boa rentabilidade pelos próximos dois ou três anos. Afinal, daqui para a frente, os papéis pré-fixados irão cada vez mais se aproximar da rentabilidade da poupança.

Além disso, é um bom momento para entrar em papéis que, com os quais, seja possível operar PU (preço unitário), como LTN, NTN-B e debêntures. Quem entrar agora nesses papéis poderá sair em alguns meses (ou anos) com um bom gain, visto que a trajetória da curva futura de juros é descendente, o que faz o PU desses papéis se valorizar muito, possibilitando assim que os investidores os vendam no mercado secundário com um preço maior do que pagaram.

Portanto, vale garantir as boas taxas da renda fixa no mercado pré-fixado, se posicionar em papéis cujo PU se valoriza com a queda dos juros, e já começar a se coçar para montar uma boa carteira de longo prazo em renda variável, mediante a uma boa análise fundamentalista. Além, é claro, de aproveitar os calls de curto prazo (day trades ou swing trades) em empresas estatais.

Oportunidades não faltam neste momento, basta ficar atento a cada novo desdobramento e não perder o timing de entrada e saída em cada tipo de papel.

Se o julgamento do Senado realmente confirmar a saída definitiva da presidente afastada, podemos, enfim, ter perspectivas de um futuro melhor em nossa economia e, consequentemente, em nossas vidas, após muitos anos de caos proveniente da esquerda intervencionista e da heterodoxia econômica.

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