Petrobras
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O cenário político brasileiro está dominado pelo caos. Nesta segunda-feira, o presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA) – que assumiu o posto após o deputado Eduardo Cunha ter sido afastado pelo ministro do STF Teori Zavascki – decidiu anular a tramitação do impeachment, fazendo o Ibovespa desabar 3,42%, a Petrobras cair quase 10% e o dólar disparar quase 5% no intraday.

Poucas horas depois, o presidente do Senado, Renan Calheiros, anunciou que iria ignorar o ato de Maranhão e manter o rito do impeachment, com a votação do plenário do Senado na próxima quarta-feira. Com isso, o benchmark voltou rapidamente, fechando com queda de apenas 1,41%, a 50.990 pontos. O dólar passou da alta de 5% para um fechamento com elevação de apenas 0,63%, a R$ 3,52, enquanto a Petrobras caiu 5,95%, a R$ 9,48.

Se pelo menos 41 senadores, dos 81 que integram a casa, votarem a favor do impeachment no próximo dia 11, no dia seguinte a presidente Dilma Rousseff (PT) será afastada por 180 dias, dando lugar a seu vice, Michel Temer (PMDB). Durante este período, o próprio Senado Federal irá julgar e votar se a presidente irá voltar ao exercício de suas funções ou se se sofrerá o impeachment, tornando-se assim inelegível por oito anos, como punição de seus crimes de responsabilidade.

O nosso mercado, ainda pouco maduro, nitidamente não está sabendo lidar com tantas notícias bombásticas, que vêm surgindo a todo o momento desde a reeleição da presidente Dilma. A cada novidade, as principais ações da bolsa brasileira sofrem uma forte esticada, seja para cima ou para baixo, deixando assim o nosso principal índice, o Ibovespa, com uma volatilidade extremamente prejudicial para os investidores – principalmente os menores. O mesmo ocorre com o dólar, que se tornou altamente especulativo e sem fundamentos perante o Real.

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Sendo assim, o que fazer em um cenário como este? Muitos clientes vêm nos perguntar se devem colocar seu dinheiro em ações que se beneficiam do impeachment, como Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3). Nós, na função de assessores de investimento, e não de analistas, não podemos indicar esta ou aquela ação, mas podemos dizer que o cenário está sim muito favorável para estes papéis, que sofreram com o excesso de intervenção do atual governo.

A Petrobras foi a empresa que mais sofreu neste sentido, visto que Dilma e sua equipe econômica resolveram congelar o preço da gasolina, a fim de segurar a inflação, que foi pressionada por uma série de irresponsabilidades econômicas, como: queda forçada da taxa de juros, corte de IPIs, aumento de salário mínimo acima da inflação e excesso de programas sociais. O mesmo foi feito com o preço da energia elétrica e dos transportes públicos. Já o Banco do Brasil, foi utilizado pelo governo como massa de manobra para forçar os bancos privados a diminuírem seu spread, o que também causou uma forte desvalorização em seus papéis na bolsa.

Sendo assim, fica nítido que em uma eventual queda da presidente Dilma, um otimismo irá tomar conta do mercado fazendo esses papéis recuperarem parte da perda que tiveram no período. A Petrobras, por exemplo, que é a empresa que mais responde às notícias políticas, caiu de R$ 19,13, no dia 24/10/2014, último pregão antes da reeleição de Dilma, para R$ 4,15 no dia 22/01/2016. Após essa mínima, o papel começou a se recuperar fortemente com a abertura do processo de impeachment, chegando aos atuais R$ 9,48. Se o processo realmente sofrer um revés, o papel pode voltar a cair fortemente, buscando a mínima de janeiro deste ano, porém, por outro lado, se o impeachment tiver continuidade e passar no Senado na próxima quarta-feira, os investidores podem esperar uma forte alta, pois o papel irá buscar seu preço da véspera das eleições de 2014.

De qualquer forma, vale lembrar que qualquer aposta na bolsa com este cenário de pano de fundo, é extremamente arriscada e deve ser feita apenas por investidores experientes. É um bom call? Sim, com certeza, mas o investidor precisa saber exatamente como analisar as notícias, bem como o momento exato de entrada e saída dos papéis. Já para os iniciantes, recomendamos segurar a ansiedade e deixar o dinheiro na renda fixa, que está com ótimas taxas e muita segurança, deixando para entrar na bolsa quando o cenário estiver mais calmo e o mercado menos volátil.

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