Tirinha relacionada a pergunta: e se o governo não me pagar?

O menor risco para um investidor colocar seu dinheiro, dentro do país, é em sua dívida pública. Investir em títulos públicos é emprestar dinheiro para o próprio Governo. E, em meio a todas essas manchetes e artigos falando de crise, de que as contas do governo vão de mal a pior, e se o governo não me pagar, como fica?

Existe um ditado corrente que diz que dívida não se paga, dívida se rola (por favor não leve isso para sua vida pessoal, muito pelo contrário. PAGUE ANTES DE MAIS NADA), ou seja, a dívida é renovada e não quitada. Não é de hoje que nosso governo gasta mais do que arrecada e para a conta fechar é muito simples: aumenta impostos, corta gastos e investimentos, vende bens (privatização), pega mais dinheiro emprestado (vende títulos públicos com novos prazos) e etc.

Ajuste nas contas

Até aí é muito parecido com a nossa vida quando estamos no vermelho e precisamos fazer um ajuste nas contas, mas, no caso do governo, existe mais uma saída e, quem dera se pudéssemos fazer isso: ele tem a capacidade de “criar” dinheiro, ou seja, pode imprimir dinheiro. No entanto, isso pode acarretar em uma série de consequências negativas para o país, pois encharcar a economia de moeda desvalorizará o real e jogará a inflação para o alto, mas, de qualquer forma, isso pode ser feito. Imagine que você pudesse imprimir R$100,00 sempre que precisasse, simplesmente dando um comando na impressora da sua casa, assim como o governo, com as impressoras da casa da moeda? Seria uma festa. E a maioria das coisas que parecem perfeitas demais, geram consequências ruins, como no caso desta.

A grosso modo, a garantia do título público do governo não é simplesmente ele próprio, mas sim todos os milhões de brasileiros. Todos nós pagamos impostos (até para morrer tem a cobrança de inventário) e investimos. Ou seja, nós brasileiros, é quem garantimos, no final, as contas do governo. Seja emprestando para ele ou pagando impostos, então é muito difícil, portanto não devemos nos preocupar tanto com a pergunta: ”e se o governo não me pagar?”.

Tá, mas e se o governo não pagar?

Ou seja, para um país decretar falência é muito difícil. Então você pode me perguntar: mas, e a Grécia? Um dos principais problemas da Grécia é o fato de não ter uma moeda própria. Ela tinha, porém, depois que entrou na zona do Euro, aposentou o dracma (moeda usada até então). “Ok, mas, e se o governo não me pagar? Nosso país já deu calote na época do Sarney” você pode dizer.  Sim, é verdade. Mas aí temos uma diferença. Um país tem, basicamente, duas dívidas: interna e externa.

A dívida externa é feita em dólar, logo, só é paga em dólar. O que o Governo fez na época foi interromper o pagamento da dívida em dólar (moeda na qual não é o “pai”) e teve que renegociar a dívida com seus credores. Isso suja tanto a imagem do país no mundo, que só é feito em casos extremos e em última opção, mas, de qualquer forma, a dívida interna (títulos públicos) nunca foi prejudicada, por pior que estivesse nossa economia até hoje.

Rating do Brasil: o que acontece se o governo não pagar

Muito se tem visto e lido sobre o risco do Brasil perder o chamado grau de investimento, perda de rating, ser rebaixado e etc. Acredito que já consigamos fazer uma ligação de como isso é reflexo da economia e o impacto que isso pode ter nos títulos públicos. O rating e o grau de investimentos refletem basicamente o risco de um país honrar sua dívida. Só por aí já podemos pensar o seguinte, quanto mais arriscado for o país, mais juros ele tem que pagar para atrair investidores e captar dinheiro. Hoje estamos vivendo esse cenário no Brasil. Um cenário de incertezas, desconfianças e economia bem fraca, o que refletiu nos juros pagos pelos títulos públicos. Para se ter uma ideia, em 2013 a taxa Selic meta, que é a taxa básica de juros, estava em 7,25% ao ano.

Considerações finais

Hoje, em 2015, essa taxa já subiu para 14,25%, ou seja, aumentou quase 100%. Para nós, investidores, significa que investir hoje na dívida do governo renderá quase o dobro do que rendia a dois anos atrás. Isso é muito bom. “Então crise é bom?” Não, não é. Para os juros dos títulos terem subido, significa que a economia está mais fraca e as empresas estão investindo e contratando menos (até demitindo). Porém, se me permitem citar outro ditado do mercado financeiro: “enquanto uns choram, outros vendem lenços”. E é em meio a algumas crises que, quando bem preparados, nos deparamos com algumas boas oportunidades.

A mensagem que fica é que, por pior que o cenário pareça ser, estar preparado é sempre suavizar as consequências, tirar bom proveito e aprendizados. O momento é complicado e difícil. Muitas das vezes parece bem pior do que realmente é e aproveitar o cenário para aplicar recebendo juros bem altos com um risco que vimos ser o “menor risco dentro de um país”. Desse modo, a pergunta ”e se o governo não me pagar?” Deve sim ser considerada, mas temos que saber que os riscos são baixos. Com isso, você irá conseguir antecipar seus sonhos e até mesmo engordar sua aposentadoria futura. É fazer do limão, uma bela limonada.