O Brasil criou 145.161 vagas formais em junho, resultado de 2,22 milhões de admissões contra 2,07 milhões de desligamentos, segundo o Novo Caged. O número veio acima das expectativas do mercado e levou o saldo do primeiro semestre a 921.645 empregos com carteira assinada. O salário médio real de admissão ficou em R$ 2.404,34.
O Novo Caged registrou saldo de 145.161 postos de trabalho formais em junho de 2026, acima das expectativas do mercado, com 2,22 milhões de admissões e 2,07 milhões de desligamentos. No primeiro semestre, o saldo é de 921.645 vagas, e em 12 meses, de 963.921. Serviços liderou a criação, com 74.514 postos, e o salário médio real de admissão foi de R$ 2.404,34.
Principais pontos
- Saldo de 145.161 vagas formais em junho, acima do esperado pelo mercado.
- Primeiro semestre de 2026: 921.645 empregos criados.
- Últimos 12 meses: saldo de 963.921 vagas com carteira assinada.
- Serviços liderou, com 74.514 postos; Agropecuária somou 22.898.
- Salário médio real de admissão: R$ 2.404,34.
O que o número mostra
O saldo de 145.161 postos resulta da diferença entre 2,22 milhões de contratações e 2,07 milhões de demissões no mês. Essa proporção é reveladora: o mercado de trabalho brasileiro é de altíssima rotatividade, e o saldo positivo vem de uma margem estreita sobre volumes enormes.
No acumulado, o desempenho é consistente: 921.645 vagas no primeiro semestre de 2026 e 963.921 nos últimos 12 meses. É um mercado de trabalho que segue gerando emprego formal em ritmo sólido, mesmo com a Selic em 14,25% ao ano.
A abertura por setor
| Setor | Saldo em junho |
|---|---|
| Serviços | +74.514 |
| Agropecuária | +22.898 |
| Comércio | +19.177 |
| Indústria | +14.438 |
| Construção | +14.136 |
Todos os grandes setores contrataram mais do que demitiram, o que dá qualidade ao número. Serviços liderando não surpreende: é o setor de maior peso na economia e o mais intensivo em mão de obra. Mas o desempenho de Construção merece nota, porque é o setor mais sensível a crédito — e crédito caro costuma travar obras.
O salário de admissão
O salário médio real de admissão em junho foi de R$ 2.404,34. Para trabalhadores considerados típicos, o valor foi de R$ 2.446,27; para não típicos, R$ 2.101,51.
Esse indicador merece atenção de quem acompanha inflação e juros. Salário de admissão em alta pressiona custos das empresas e pode se transmitir a preços, especialmente em serviços — o componente da inflação que os bancos centrais mais monitoram, porque é o mais resistente à desinflação.
Por que o Copom olha o Caged
Aqui está a conexão que interessa a quem investe. Mercado de trabalho aquecido significa renda circulando, demanda sustentada e, potencialmente, pressão inflacionária vinda de salários. É a variável que costuma segurar bancos centrais na hora de cortar juros.
O timing é relevante: o Comitê de Política Monetária se reúne em 4 e 5 de agosto, com cerca de 80% do mercado apostando em corte da Selic para 14,00%. Emprego forte é argumento de cautela; inflação fraca é argumento de corte. O comitê pesa os dois.
O contrapeso: a inflação veio fraca
E é justamente esse o ponto que torna a decisão mais confortável do que parece. Apesar do mercado de trabalho aquecido, o IPCA-15 de julho subiu apenas 0,06%, contra projeção de 0,22%, com a inflação em 12 meses desacelerando para 4,52%.
Ou seja: por ora, emprego forte não está se traduzindo em inflação. Essa combinação — atividade resiliente com preços desacelerando — é a mais favorável possível para um ciclo de corte de juros. O risco é ela não durar.
O que isso significa para você
Três leituras práticas. Para quem trabalha ou busca emprego, o dado indica mercado com oportunidades, especialmente em serviços, comércio e construção. Vale lembrar que rotatividade alta significa também demissões elevadas — o que reforça a importância da reserva de emergência.
Para quem investe em bolsa, emprego e renda sustentam receita de varejo, consumo e serviços — setores que também se beneficiam de juros em queda. Para quem tem renda fixa, mercado de trabalho forte é o principal fator que pode encurtar o ciclo de cortes, o que afeta a decisão entre pós-fixado e prefixado, tema do guia sobre Selic a 14%.
Como acompanhar
O Novo Caged é divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com dados de admissões, desligamentos, saldo por setor, região e faixa salarial. É a estatística mais tempestiva sobre emprego formal no país.
Vale complementar com a PNAD Contínua, do IBGE, que mede desemprego e inclui o mercado informal — recorte que o Caged não captura. Os principais indicadores estão reunidos no nosso painel de indicadores.
Dados do Novo Caged, Ministério do Trabalho e Emprego. Conteúdo informativo.
Perguntas frequentes
Quantos empregos o Brasil criou em junho de 2026?
O saldo foi de 145.161 vagas formais, resultado de 2,22 milhões de admissões e 2,07 milhões de desligamentos — número acima das expectativas do mercado.
Qual o saldo do primeiro semestre?
O mercado formal criou 921.645 empregos de janeiro a junho de 2026. Nos últimos 12 meses, o saldo é de 963.921 vagas com carteira assinada.
Qual setor contratou mais?
Serviços, com 74.514 novos postos, seguido de Agropecuária (22.898), Comércio (19.177), Indústria (14.438) e Construção (14.136). Todos os grandes setores tiveram saldo positivo.
Qual o salário médio de admissão?
R$ 2.404,34 em junho. Para trabalhadores típicos o valor foi de R$ 2.446,27 e para não típicos, R$ 2.101,51.
Emprego forte atrapalha o corte da Selic?
É um argumento de cautela, porque mercado de trabalho aquecido pode gerar pressão inflacionária via salários. Mas o IPCA-15 de julho veio a 0,06%, e essa combinação de atividade resiliente com inflação desacelerando favorece o ciclo de cortes.



