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Eneva gera 2.548 GWh no 3T26 e tem queda de 38% na geração térmica líquida

Eneva gerou 2.548 GWh no 3T26. Entenda a queda na geração térmica, a estreia de Azulão I e os novos contratos das usinas.

Eneva gera 2.548 GWh no 3T26 e tem queda de 38% na geração térmica líquida

A Eneva (ENEV3) registrou geração bruta de energia de 2.548 gigawatts-hora (GWh) no terceiro trimestre de 2026, enquanto a geração líquida de suas termelétricas caiu 38% em relação ao mesmo período de 2025. O trimestre também marcou a entrada em operação comercial de Azulão I, no Amazonas, e o início de novos contratos de usinas do Espírito Santo.

Última cotação de ENEV3 na B3: R$ 31,50 (+0,25% no dia) em 19/10/2026 (fonte: Brapi).

Resumo rápido

A geração térmica líquida da Eneva somou 2.105 GWh no trimestre, ante 3.374 GWh um ano antes, em um ambiente de preços de energia mais baixos. A produção de gás natural atingiu 0,48 bilhão de metros cúbicos, e as reservas terminaram setembro em 46,1 bilhões de metros cúbicos. No segmento solar, Futura 1 ampliou a geração líquida em 6%, embora continuasse sujeito a cortes determinados pelo operador do sistema elétrico.

Principais pontos

  • A geração bruta total foi de 2.548 GWh, dos quais 2.206 GWh vieram de ativos abastecidos com gás próprio.
  • O despacho médio das termelétricas, ponderado pela capacidade instalada, ficou em 20%, contra 34% no terceiro trimestre de 2025.
  • Azulão I iniciou a operação comercial e seu contrato de capacidade em agosto, com 295 MW de potência comprometida por 15 anos.
  • A produção de gás foi de 0,42 bilhão de metros cúbicos no Parnaíba e de 0,06 bilhão no Amazonas.
  • O Complexo Solar Futura 1 gerou 320 GWh líquidos e teve 141 GWh de geração impedida por restrições.
  • Os números de Itaqui consideram apenas julho e agosto, pois a usina deixou de ser consolidada a partir de setembro.

Menor uso das térmicas reduz a geração

A queda de 38% se refere à geração térmica líquida, a energia que resta depois do consumo das próprias usinas. Ela não deve ser confundida com a geração bruta total, que mede a produção antes desse consumo e também inclui o parque solar.

O despacho, que indica quanto as usinas foram chamadas a gerar em relação à sua capacidade, recuou no conjunto das termelétricas. Segundo a Eneva, o indicador médio de 20% refletiu o ambiente de preços de energia mais baixos na comparação anual.

No Complexo Parnaíba, a geração bruta passou de 3.032 GWh para 2.045 GWh. A disponibilidade média, que mostra quanto os equipamentos estiveram aptos a operar, foi de 99%. Os indicadores medem coisas diferentes: uma usina pode estar pronta para funcionar sem ser chamada a produzir durante todo o período.

A movimentação não foi uniforme. Parnaíba II elevou sua geração bruta de 349 GWh no segundo trimestre para 981 GWh no terceiro. Já Parnaíba I passou de 828 GWh para 402 GWh na mesma comparação. Parte da produção atendeu à inflexibilidade contratual, obrigação de gerar em períodos definidos nos contratos.

Jaguatirica II produziu 122 GWh líquidos e teve disponibilidade de 65%. A companhia atribuiu a redução frente ao terceiro trimestre de 2025 a paradas programadas para inspeções e à menor demanda do Operador Nacional do Sistema Elétrico, o ONS, responsável por coordenar a operação do sistema.

Azulão I estreia e usinas do Espírito Santo iniciam contratos

Azulão I começou a operar comercialmente em agosto e registrou despacho de 4% no trimestre. A usina gerou 32 GWh líquidos: 4 GWh na etapa final de testes e 28 GWh depois da entrada em operação comercial.

Segundo a Eneva, a geração posterior à estreia atendeu a uma solicitação de segurança energética para abastecer a região de Manaus, diante da indisponibilidade de outro ativo no submercado Norte. Azulão I passou a cumprir um contrato de reserva de capacidade, voltado à disponibilidade de potência para o sistema, com 295 MW comprometidos por 15 anos.

No Espírito Santo, o contrato da LORM entrou em vigor em julho. Os de Viana 1, Povoação 1 e LORM 1 começaram em agosto. Juntas, essas usinas produziram 5 GWh líquidos, ligados a chamadas por segurança energética e testes de comprovação de disponibilidade.

A disponibilidade informada para esse grupo foi de 100%. No cálculo, a companhia desconsiderou julho para os ativos que ainda estavam com a operação comercial suspensa naquele mês. Assim, o indicador acompanha o período em que os respectivos contratos já estavam em vigor.

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Produção de gás acompanha a demanda das usinas

A produção de gás natural totalizou 0,48 bilhão de metros cúbicos, ante 0,69 bilhão no terceiro trimestre de 2025. No Parnaíba, o volume caiu de 0,63 bilhão para 0,42 bilhão de metros cúbicos. A Eneva relacionou essa redução à menor demanda termelétrica.

No Amazonas, a produção permaneceu em 0,06 bilhão de metros cúbicos. A menor necessidade de gás de Jaguatirica II foi compensada pelo consumo de Azulão I, tanto nos testes quanto após o começo da operação comercial.

Essa ligação ajuda a interpretar os números: a companhia produz gás e também o utiliza para gerar eletricidade. Quando essas usinas demandam menos combustível, a extração pode diminuir sem que isso represente, por si só, uma mudança no tamanho das reservas.

As reservas 2P, classificação que reúne volumes provados e prováveis de recuperação, terminaram setembro em 46,1 bilhões de metros cúbicos. O cálculo parte das certificações da Gaffney, Cline & Associates e desconta a produção acumulada nos períodos indicados pela companhia. Portanto, esse saldo não corresponde a uma nova certificação integral realizada no trimestre.

Futura cresce, mas restrições limitam a produção solar

O Complexo Solar Futura 1 teve disponibilidade de 99% e geração líquida de 320 GWh, aumento de 6% sobre o terceiro trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, 141 GWh deixaram de ser gerados por restrições, contra 173 GWh um ano antes.

Esses cortes são limitações impostas pelo ONS à produção. Segundo o documento, decorrem da oferta de energia acima da demanda em determinados momentos e de limitações da rede de transmissão. Não equivalem, portanto, à indisponibilidade dos equipamentos do parque.

A consequência financeira passa pelos contratos. A Eneva informou que, quando deixa de entregar energia contratada em acordos de autoprodução, incorre em custos de compra de energia e ressarcimento de encargos, conforme as condições pactuadas. Segundo a companhia, os preços médios mais baixos da energia no trimestre tendem a atenuar essas obrigações na comparação anual.

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A saída de ativos a carvão altera a comparação

A composição dos ativos apresentados também mudou. Pecém II foi retirada da abertura do segmento de geração a carvão a partir do segundo trimestre, no processo de venda concluído em 31 de agosto de 2026.

Itaqui deixou de ser consolidada a partir de setembro e passou a ser classificada como ativo mantido para venda. Por isso, os 3 GWh líquidos apresentados para a usina abrangem apenas julho e agosto. A conclusão dessa transação ainda estava sujeita às condições previstas no contrato.

Assim, a leitura da geração precisa considerar tanto o uso das usinas quanto as mudanças no conjunto de ativos incluídos nos números. No caso de Itaqui, o trimestre apresentado não reúne três meses completos de operação.

O que muda para o acionista

O relatório mostra menor geração térmica ao mesmo tempo que novos contratos começaram a vigorar. São movimentos distintos: o volume produzido revela o uso efetivo das usinas; os contratos estabelecem compromissos de disponibilidade e geração conforme suas regras.

Para quem tem ENEV3, o documento permite identificar essas mudanças operacionais, mas não concluir como ficou o lucro. As informações são gerenciais, preliminares e não auditadas, e parte dos volumes de geração ainda depende de confirmação. O efeito financeiro também passa pela forma de remuneração da energia, pelos custos e pelas obrigações de cada contrato.

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Perguntas frequentes

Quanto a Eneva gerou de energia no terceiro trimestre?

A geração bruta total foi de 2.548 GWh no terceiro trimestre de 2026. Desse volume, 2.206 GWh vieram dos ativos que utilizam gás próprio.

Por que a geração térmica caiu?

A Eneva relacionou o menor despacho médio ao ambiente de preços de energia mais baixos em relação ao terceiro trimestre de 2025. A geração térmica líquida recuou 38%, para 2.105 GWh.

Azulão I já começou a funcionar?

Sim, Azulão I entrou em operação comercial em agosto de 2026 e iniciou seu contrato de reserva de capacidade. A usina registrou 32 GWh de geração líquida no trimestre, incluindo a etapa final de testes.

O que significa ter reservas 2P de gás?

Significa reunir as reservas classificadas como provadas e prováveis de recuperação. A Eneva informou saldo de 46,1 bilhões de metros cúbicos ao fim de setembro, calculado com base nas certificações e no desconto da produção acumulada.

Esse relatório já mostra o lucro da Eneva?

Não, o comunicado apresenta informações operacionais preliminares e não auditadas. Os volumes de geração e produção de gás não bastam, isoladamente, para determinar o lucro da companhia.

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RD

Redação Arena do Dinheiro

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