O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação de 2026 e passou a enxergar espaço para apenas mais um corte na taxa Selic neste ano, segundo o boletim Focus do Banco Central. A leitura reforça a aposta de que o ciclo de afrouxamento monetário está perto do fim.
De acordo com as estimativas coletadas pelo BC junto a mais de uma centena de instituições, a projeção para o IPCA de 2026 subiu para 5,16% — acima do teto da meta de inflação. Já a Selic, hoje em 14,25% ao ano, deve terminar 2026 em 14,00%, o que implica um único corte adicional de 0,25 ponto percentual entre as reuniões que restam no calendário do Comitê de Política Monetária (Copom).
O que o Focus mostrou
O Relatório de Mercado (Focus) é uma pesquisa semanal do Banco Central que compila as expectativas de bancos, gestoras e consultorias para os principais indicadores da economia. Nas últimas semanas, o movimento tem sido de revisão para cima da inflação esperada e de redução do espaço para novos cortes de juros.
Na prática, isso significa que os economistas acreditam que o Banco Central vai agir com cautela: com a inflação ainda pressionada e rodando acima da meta, sobra pouco espaço para reduzir os juros de forma agressiva sem correr o risco de reacender a alta de preços.
Copom decide em 4 e 5 de agosto
A próxima reunião do Copom acontece nos dias 4 e 5 de agosto. O consenso de mercado trabalha com a possibilidade de um último corte de 0,25 ponto, levando a Selic para 14,00%, embora parte dos analistas já considere a manutenção da taxa como cenário alternativo, dependendo dos próximos dados de inflação e atividade.
Para o investidor, a mensagem é clara: os juros seguem em patamar elevado, o que continua favorecendo a renda fixa — especialmente títulos pós-fixados atrelados ao CDI e à Selic — enquanto a bolsa depende de sinais mais consistentes de queda dos juros para engatar uma alta sustentada.
O que isso muda para o seu bolso
- Renda fixa: com a Selic ainda alta, aplicações pós-fixadas seguem rendendo bem acima da inflação projetada.
- Prefixados: quem quer travar uma taxa alta antes de eventuais cortes tende a olhar para títulos prefixados e IPCA+, mas com atenção ao risco de marcação a mercado.
- Crédito: financiamentos e empréstimos continuam caros enquanto os juros básicos não recuam de forma relevante.
Vale lembrar que as projeções do Focus não são uma decisão, e sim uma fotografia da expectativa média do mercado, que muda semana a semana conforme novos dados são divulgados.
Perguntas frequentes
Qual é a Selic hoje?
A taxa Selic está em 14,25% ao ano. Segundo o boletim Focus, a expectativa do mercado é que ela termine 2026 em 14,00%, o que representaria mais um corte de 0,25 ponto percentual.
Quando é a próxima reunião do Copom?
A próxima reunião do Copom acontece nos dias 4 e 5 de agosto de 2026. É nela que o Banco Central define o novo patamar da taxa Selic.
Por que o mercado elevou a projeção de inflação?
Porque os dados recentes de preços vieram mais pressionados e a inflação projetada para 2026 subiu para 5,16%, acima do teto da meta. Isso reduz o espaço para novos cortes de juros.
O que o investidor deve fazer com os juros altos?
Com a Selic elevada, a renda fixa pós-fixada segue atrativa. Ainda assim, a decisão depende do seu perfil e objetivos: vale diversificar entre pós-fixados, prefixados e IPCA+ conforme o prazo de cada meta.



