A Klabin lucrou R$ 387 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 34% ante os R$ 585 milhões do mesmo período de 2025. O resultado ainda ficou acima do consenso Bloomberg, de R$ 371 milhões, mas escancara um problema que não aparece no preço da celulose: o real forte encolhe a receita quando ela é convertida para reais.
A Klabin teve lucro líquido de R$ 387 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 34% em um ano, com Ebitda ajustado de R$ 1,96 bilhão e receita líquida de R$ 5,15 bilhões. A empresa ganhou com o preço da celulose em dólar e com volumes maiores de papel e embalagem, mas perdeu na conversão cambial e na pressão de custos.
Principais pontos
- Lucro líquido de R$ 387 milhões no 2T26, queda de 34% frente aos R$ 585 milhões do 2T25.
- O consenso Bloomberg esperava R$ 371 milhões — o resultado veio um pouco acima.
- Ebitda ajustado de R$ 1,96 bilhão, recuo de 4% em doze meses.
- Margem Ebitda ajustada de 38%, um ponto percentual abaixo do ano anterior.
- Receita líquida de R$ 5,15 bilhões, queda de 2% na comparação anual.
Os números do trimestre
O balanço divulgado em 5 de agosto de 2026 mostrou lucro líquido de R$ 387 milhões entre abril e junho, contra R$ 585 milhões um ano antes. A queda de 34% é expressiva, mas o número superou a projeção de R$ 371 milhões do consenso compilado pela Bloomberg — o mercado já esperava um trimestre fraco.
Nas linhas operacionais, a deterioração foi bem menor. O Ebitda ajustado somou R$ 1,96 bilhão, recuo de 4%, e a receita líquida ficou em R$ 5,15 bilhões, queda de 2%. Quando o lucro cai 34% e o Ebitda cai 4%, o problema quase nunca está na operação: está abaixo da linha operacional, em despesas financeiras e efeitos contábeis.
Por que o lucro caiu muito mais que a receita
A explicação central é o câmbio, e ela funciona em duas camadas.
A primeira é a receita. A Klabin vende celulose no mercado internacional, com preço em dólar. Quando o dólar cai frente ao real — e o real vem se valorizando, com a moeda americana perto de R$ 5,12 —, cada dólar faturado lá fora vira menos reais no balanço daqui. O preço internacional pode até subir, mas o efeito é abatido na conversão.
A segunda camada: a dívida em dólar
Empresas exportadoras de celulose costumam ter parte relevante da dívida em moeda estrangeira, justamente porque faturam em dólar. Esse casamento protege o caixa no longo prazo, mas produz oscilações contábeis violentas a cada trimestre: quando o real se valoriza, a dívida em dólar encolhe em reais e gera ganho; quando o real se desvaloriza, gera perda.
Esses efeitos passam pelo resultado financeiro, não pelo Ebitda. É por isso que o Ebitda ajustado é o indicador preferido para comparar empresas do setor entre si e ao longo do tempo — ele isola o desempenho da operação dos ruídos de câmbio e de estrutura de capital. Se você não conhece a métrica, vale entender o que é Ebitda e como calcular.
Custos de produção pressionados
Além do câmbio, a companhia enfrentou pressão inflacionária nos custos de produção. Uma fábrica de papel e celulose consome madeira, energia, químicos e logística em grande escala, e todos esses itens entram no custo caixa por tonelada.
O efeito aparece na margem: a margem Ebitda ajustada caiu de 39% para 38%. Um ponto percentual parece pouco, mas sobre uma receita de R$ 5,15 bilhões representa cerca de R$ 50 milhões que deixaram de virar resultado operacional no trimestre.
O lado bom que o lucro esconde
O trimestre não foi ruim em tudo. A empresa capturou ganhos com o preço internacional da celulose em dólar e registrou melhora nos volumes de papel e embalagem — a divisão menos exposta à volatilidade da commodity e mais ligada ao consumo doméstico, de alimentos a comércio eletrônico.
| Indicador | 2T26 | Variação anual |
|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 387 milhões | −34% |
| Ebitda ajustado | R$ 1,96 bilhão | −4% |
| Margem Ebitda ajustada | 38% | −1 p.p. |
| Receita líquida | R$ 5,15 bilhões | −2% |
O que isso significa para o investidor brasileiro
O caso da Klabin é um bom exemplo de por que olhar só o lucro líquido de uma exportadora pode levar à conclusão errada. Uma queda de 34% sugere deterioração séria; um Ebitda 4% menor conta uma história bem mais amena, de operação estável com margens levemente pressionadas.
Para quem tem ou avalia ações de exportadoras, a lição prática é que o câmbio é uma variável de resultado tão importante quanto o preço da commodity — e ele funciona nos dois sentidos. O mesmo real forte que prejudicou este trimestre ajudaria a empresa em um cenário de dívida em dólar sendo remarcada. Entender o que faz a moeda subir e descer é parte de analisar esse tipo de companhia.
Onde acompanhar o setor
A temporada de resultados do papel e celulose continua nesta semana, com outras companhias do setor reportando. Cotações e indicadores atualizados de ações negociadas na B3 estão no hub de ações, e é possível colocar duas empresas lado a lado na ferramenta de comparação.
Para quem quer estruturar a leitura de qualquer demonstração financeira, o guia de como ler o balanço de uma empresa percorre receita, margem, endividamento e geração de caixa na ordem que faz sentido.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Resultados passados não garantem desempenho futuro. Cotações variam ao longo do dia.
Perguntas frequentes
Quanto a Klabin lucrou no segundo trimestre de 2026?
A Klabin registrou lucro líquido de R$ 387 milhões no 2T26, queda de 34% em relação aos R$ 585 milhões do mesmo trimestre de 2025. O consenso Bloomberg projetava R$ 371 milhões.
Por que o lucro da Klabin caiu se a celulose subiu?
Porque a receita em dólar vale menos reais quando o real se valoriza, e porque efeitos cambiais sobre a dívida em moeda estrangeira passam pelo resultado financeiro. O Ebitda ajustado, que isola esses efeitos, caiu apenas 4%.
Qual foi o Ebitda da Klabin no 2T26?
O Ebitda ajustado somou R$ 1,96 bilhão, recuo de 4% em doze meses, com margem de 38% — um ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.
O resultado da Klabin veio abaixo do esperado?
Não. Apesar da queda de 34% no lucro, o número ficou acima do consenso Bloomberg, que projetava R$ 371 milhões. O mercado já trabalhava com um trimestre pressionado pelo câmbio e pelos custos.
Câmbio afeta todas as exportadoras da mesma forma?
Não. O impacto depende de quanto da receita é em dólar, de quanto da dívida está em moeda estrangeira e de política de proteção cambial. Duas exportadoras do mesmo setor podem reagir de formas bem diferentes ao mesmo movimento do câmbio.



