Lula e Trump conversaram por telefone durante 1h20 na sexta-feira (21) e acertaram a retomada das negociações sobre o tarifaço. Segundo o Planalto, a conversa teve “tom cordial”. Logo depois, o representante comercial dos Estados Unidos procurou o governo brasileiro para propor uma reunião entre as equipes técnicas.
Em 21 de agosto de 2026, os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos conversaram por telefone durante 1h20 e concordaram em retomar as negociações sobre as tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Trump defendeu preservar os vínculos comerciais e propôs que as equipes voltem a se reunir o mais brevemente possível. Não houve acordo, prazo nem anúncio de redução tarifária.
Principais pontos
- A ligação durou 1h20 e teve “tom cordial”, segundo o Planalto.
- Os temas foram o tarifaço, o combate ao crime organizado e conflitos globais.
- Trump defendeu preservar vínculos comerciais fortes e propôs nova reunião das equipes.
- O representante comercial dos EUA procurou o Ministério do Desenvolvimento logo após a ligação.
- Não houve acordo, cronograma nem anúncio de redução das tarifas.
O que foi combinado
O resultado concreto da conversa é um só: as equipes voltam a se reunir. Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes entre os dois países e propôs que os times técnicos retomem as tratativas o mais brevemente possível.
A movimentação foi imediata. Segundo o noticiado, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, procurou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, para propor a reunião entre as equipes. É um passo processual relevante — indica que a disposição não ficou apenas no nível presidencial.
O que ainda não existe
É preciso ser explícito sobre os limites, porque o mercado reagiu com otimismo considerável. Não houve acordo. Não houve anúncio de redução, suspensão ou escalonamento da tarifa de 37,5%. Não houve cronograma, nem data marcada para a reunião, nem lista de produtos que seriam contemplados.
O que existe é uma conversa presidencial cordial e uma proposta de retomada de diálogo. Negociações comerciais entre países grandes costumam levar meses e passar por rodadas técnicas antes de qualquer mudança de alíquota. Tratar a ligação como resolução do problema é confundir intenção com resultado.
A pauta foi além do comércio
A conversa não tratou só de tarifas. Segundo o Planalto, os presidentes discutiram também combate ao crime organizado e conflitos globais — tema que ganhou peso na mesma semana em que os Estados Unidos anunciaram uma “guerra econômica” contra o Irã, pedindo adesão de aliados ao isolamento financeiro de Teerã.
A amplitude da pauta é informação útil. Quando uma negociação comercial passa a incluir segurança e política externa, o espaço para troca aumenta — mas a complexidade também. Concessões podem vir de áreas que nada têm a ver com alíquota de importação, o que torna o resultado mais difícil de prever.
| Item | Situação |
|---|---|
| Duração da ligação | 1h20, em 21/08/2026 |
| Tom da conversa | “Cordial”, segundo o Planalto |
| Temas tratados | Tarifaço, crime organizado, conflitos globais |
| Resultado concreto | Proposta de nova reunião das equipes técnicas |
| Tarifa em vigor | 37,5% |
| Acordo fechado | Não |
| Data da reunião | Não definida |
Lula contestou as alegações americanas
O presidente brasileiro classificou como infundadas as alegações apresentadas pelos Estados Unidos para justificar as tarifas. A lista é longa e inclui pontos técnicos: desmatamento, acordos tarifários preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, o Pix, o etanol e trabalho forçado.
Cada um desses itens corresponde a uma queixa comercial específica, e vale entender uma por uma — porque elas definem o que estará em jogo na mesa de negociação. O detalhamento está em as alegações que o Brasil contesta.
Por que o mercado gostou tanto
O Ibovespa subiu 1,84% no dia, e o dólar caiu, com a PTAX fechando a R$ 5,1625. A ligação foi um dos fatores citados, ao lado do PMI americano forte e da recuperação dos bancos.
A lógica é direta: tarifa alta reduz a receita das exportadoras brasileiras e piora a balança comercial. Qualquer sinal de alívio melhora a projeção de lucro desses setores e reduz o risco-país percebido. O detalhe é que o mercado precifica probabilidade, não fato consumado — e uma ligação cordial move essa probabilidade sem garantir nada.
O caminho paralelo que continua correndo
Vale lembrar que o Brasil não está apenas negociando. Em agosto, a Camex deu andamento ao processo de reciprocidade contra as tarifas americanas, com base na Lei nº 15.122/2025 e no Decreto nº 12.551/2025 — instrumento que permite ao país adotar contramedidas.
As duas trilhas não são contraditórias: negociar e manter a pressão institucional é prática comum em disputa comercial. Mas o processo de reciprocidade tem etapas próprias, incluindo consulta pública de até 30 dias, e segue independente da conversa presidencial. Se as negociações avançarem, é provável que ele seja usado como moeda de troca.
O que isso significa para você
Para quem investe, a exposição mais direta está nas exportadoras — celulose, siderurgia, carnes, calçados e manufaturados que perderam competitividade com a tarifa. Mas atenção à assimetria: o preço dessas ações já embute alguma expectativa de acordo, e uma negociação que frustre pode devolver o ganho rapidamente.
Para quem tem negócio afetado, o recado é operacional: acompanhe as publicações oficiais do Ministério do Desenvolvimento e da Camex, não as manchetes. Mudança de alíquota só vale quando publicada. Enquanto isso, vale entender o que muda concretamente para o exportador se o tarifaço cair e acompanhar o impacto na balança comercial.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Informações se referem ao noticiado até 24 de agosto de 2026. Negociações comerciais podem mudar de curso sem aviso.
Perguntas frequentes
O que Lula e Trump combinaram na ligação?
Os dois conversaram por 1h20 em 21 de agosto de 2026 e acertaram a retomada das negociações sobre o tarifaço. Trump defendeu preservar os vínculos comerciais e propôs que as equipes técnicas voltem a se reunir o mais brevemente possível.
O tarifaço de 37,5% foi reduzido?
Não. Não houve acordo, anúncio de redução nem cronograma. O que existe é uma conversa presidencial cordial e uma proposta de retomada de diálogo entre as equipes técnicas dos dois países.
Quais temas além das tarifas entraram na conversa?
Segundo o Planalto, os presidentes também discutiram o combate ao crime organizado e conflitos globais. A ampliação da pauta aumenta o espaço para troca de concessões, mas também a complexidade da negociação.
Quais alegações americanas o Brasil contesta?
Lula classificou como infundadas as alegações sobre desmatamento, acordos tarifários preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, o Pix, o etanol e trabalho forçado. Cada item corresponde a uma queixa comercial específica.
O processo de reciprocidade do Brasil continua?
Sim. A Camex deu andamento ao processo com base na Lei nº 15.122/2025 e no Decreto nº 12.551/2025, e ele segue etapas próprias, incluindo consulta pública de até 30 dias. Negociar e manter a pressão institucional em paralelo é prática comum em disputa comercial.



