A empresa anuncia R$ 0,2265 por ação, o extrato mostra R$ 0,1869 e a diferença some sem aviso. Não é erro da corretora: é o imposto de renda sobre juros sobre capital próprio, que subiu de 15% para 17,5% em 1º de janeiro de 2026 por força da Lei Complementar nº 224/2025.
Desde 1º de janeiro de 2026, o imposto de renda retido na fonte sobre juros sobre capital próprio é de 17,5%, contra os 15% cobrados anteriormente. A mudança veio da Lei Complementar nº 224/2025. A alíquota aplicável é definida pela data do pagamento ou crédito, não pela data do anúncio — então proventos declarados em 2025 e pagos em 2026 já entram na regra nova.
Principais pontos
- O IR na fonte sobre JCP subiu de 15% para 17,5% em 1º de janeiro de 2026.
- A mudança foi determinada pela Lei Complementar nº 224/2025.
- Vale a alíquota da data do pagamento ou crédito, não a da data do anúncio do provento.
- Dividendo comum segue isento para pessoa física — a retenção atinge só o JCP.
- Num JCP de R$ 0,2265 por ação, a retenção consome R$ 0,0396 e restam R$ 0,1869.
Por que existe imposto no JCP e não no dividendo
Dividendo e juros sobre capital próprio parecem a mesma coisa para quem recebe — dinheiro da empresa caindo na conta —, mas são instrumentos distintos do ponto de vista contábil e fiscal.
O dividendo é distribuição de lucro já tributado na empresa. Como o imposto foi pago lá, não se cobra de novo do acionista pessoa física: chega isento. O JCP funciona ao contrário: a companhia o registra como despesa financeira e o deduz do próprio lucro tributável, pagando menos imposto. O fisco então cobra do outro lado, na fonte, de quem recebe. É a mesma arrecadação, coletada em ponto diferente da cadeia.
O que mudou em 2026
A Lei Complementar nº 224/2025 alterou o artigo 9º da Lei nº 9.249/1995 e elevou a alíquota de retenção de 15% para 17,5%, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026.
| Período | Alíquota de IRRF sobre JCP |
|---|---|
| Até 31/12/2025 | 15% |
| A partir de 01/01/2026 | 17,5% |
São 2,5 pontos percentuais a mais. Sobre um provento de R$ 10 mil brutos, a diferença é de R$ 250 — pequena numa distribuição isolada, relevante para quem vive de proventos e recebe de uma dezena de empresas ao longo do ano.
A regra que confunde: vale a data do pagamento
Este é o ponto que mais gera dúvida e o que mais aparece errado por aí. A alíquota aplicável não é definida pela data em que a empresa anunciou o provento, nem pelo exercício a que ele se refere. É definida pelo momento do pagamento ou do crédito.
Na prática: um JCP declarado em novembro de 2025, referente ao resultado de 2025, mas efetivamente pago em fevereiro de 2026, é tributado a 17,5%. O acionista que fez a conta com 15% ao ler o comunicado recebeu menos do que esperava — e a corretora não errou nada.
A conta, com números reais
Vale acompanhar um caso concreto. A B3 aprovou um JCP de R$ 0,22650738 por ação, com pagamento em 7 de outubro de 2026:
| Etapa | Valor por ação |
|---|---|
| Valor bruto anunciado | R$ 0,22650738 |
| IR retido (17,5%) | R$ 0,03963879 |
| Valor líquido creditado | R$ 0,18686859 |
A conta é direta: R$ 0,22650738 multiplicado por 0,825 resulta exatamente em R$ 0,18686859. Se você multiplicar por 0,85, a alíquota antiga, chegará a R$ 0,19253 — e vai achar que faltou dinheiro. Os detalhes desse pagamento estão em a distribuição da B3.
Como calcular o líquido de qualquer JCP
Multiplique o valor bruto por 0,825. É tudo. Para achar quanto foi de imposto, multiplique por 0,175.
| JCP bruto por ação | IR retido | Líquido |
|---|---|---|
| R$ 0,10 | R$ 0,0175 | R$ 0,0825 |
| R$ 0,50 | R$ 0,0875 | R$ 0,4125 |
| R$ 1,00 | R$ 0,1750 | R$ 0,8250 |
| R$ 2,00 | R$ 0,3500 | R$ 1,6500 |
Atenção a anúncios que misturam as duas naturezas. Quando a empresa distribui dividendo e JCP no mesmo comunicado, só a parcela de JCP sofre retenção — a de dividendo chega inteira. Aplicar 0,825 sobre o total nesse caso subestima o que você vai receber.
Como isso aparece na declaração anual
O JCP vai na ficha de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte. Você informa o valor e o imposto já retido, e não paga nada a mais nem recupera nada — a tributação se encerrou no momento do crédito, por isso “exclusiva”.
Dividendos vão em ficha diferente, a de rendimentos isentos e não tributáveis. Os números de ambos saem do informe de rendimentos que a companhia e a corretora disponibilizam no início do ano seguinte. Use sempre o informe, não a sua planilha: ele é o documento que a Receita cruza.
Por que as empresas continuam pagando JCP
Se o acionista paga imposto, por que a companhia não distribui tudo como dividendo isento? Porque a conta fecha do lado dela. O JCP é dedutível do lucro tributável da empresa, que paga IRPJ e CSLL sobre uma base menor.
A economia tributária da companhia costuma superar os 17,5% retidos do acionista, de modo que o JCP continua sendo o instrumento mais eficiente no conjunto — mesmo com a alíquota maior. O que mudou em 2026 foi a divisão desse ganho: uma fatia um pouco maior ficou com o fisco e um pouco menor com quem recebe. Você acompanha os anúncios em nossa agenda de dividendos.
O que observar daqui para frente
Tributação de investimento voltou a ser pauta recorrente. Em 2025 houve tentativa de tributar produtos hoje isentos por medida provisória, proposta que caducou sem ser aprovada. A elevação do JCP, ao contrário, passou — por lei complementar.
A lição prática para quem monta carteira de proventos é simples: trate a alíquota como variável, não como constante. Projeções de renda passiva feitas com 15% de retenção ficaram desatualizadas em janeiro, e quem não refez a conta está superestimando o próprio fluxo de caixa em cerca de 3% sobre a parcela de JCP. Consulte o glossário se algum termo ainda gerar dúvida.
Regras vigentes em setembro de 2026, conforme a Lei Complementar nº 224/2025. Este conteúdo é informativo e não substitui orientação de contador ou consultor tributário.
Perguntas frequentes
Qual o imposto sobre JCP em 2026?
A alíquota de imposto de renda retido na fonte é de 17,5%, em vigor desde 1º de janeiro de 2026 por força da Lei Complementar nº 224/2025. Antes disso, a retenção era de 15%.
Como calcular o valor líquido do JCP?
Multiplique o valor bruto por 0,825. Um JCP de R$ 1,00 por ação resulta em R$ 0,825 líquidos, com R$ 0,175 retidos na fonte a título de imposto de renda.
Dividendo também paga 17,5% de imposto?
Não. Dividendo segue isento para pessoa física, porque distribui lucro já tributado na empresa. A retenção de 17,5% atinge apenas os juros sobre capital próprio, que a companhia deduz do próprio lucro tributável.
Vale a alíquota da data do anúncio ou do pagamento?
Da data do pagamento ou do crédito. Um JCP declarado em 2025 mas pago em 2026 é tributado a 17,5%, mesmo que se refira a resultado do exercício anterior.
Onde declarar o JCP no imposto de renda?
Na ficha de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, com o valor e o imposto retido informados pela empresa. Os dados oficiais vêm do informe de rendimentos fornecido pela companhia e pela corretora.



