A SLC Agrícola (SLCE3) projeta plantar 854.371 hectares na safra 2026/27, expansão de 2,2% sobre a área orçada para 2025/26. O plano prevê mais algodão de segunda safra, apoiado pela ampliação da irrigação, e custo médio de produção de R$ 7.217 por hectare, também 2,2% maior que no orçamento anterior.
Última cotação de SLCE3 na B3: R$ 17,72 (+2,31% no dia) em 07/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A SLC Agrícola pretende ampliar a área cultivada e mudar a distribuição entre culturas na safra 2026/27. A soja continua com a maior participação, enquanto o algodão de segunda safra ganha espaço e o de primeira safra encolhe. A companhia também estima aumento de produtividade nas principais lavouras e atualiza as operações que fixam parte dos preços agrícolas e do câmbio.
Principais pontos
- A área total projetada passa de 836.095 para 854.371 hectares, crescimento de 2,2%.
- O algodão de segunda safra deve ocupar 108.156 hectares, alta de 12,2%.
- A soja está orçada em 442.075 hectares, equivalentes a 51,7% da área total.
- O custo médio por hectare sobe de R$ 7.062 para R$ 7.217, na comparação ajustada pela distribuição de culturas de 2026/27.
- A proteção de preços agrícolas para 2026/27 alcança 52,9% na soja e 62,2% no algodão.
- Para 2027, a companhia estima vender 112.500 bovinos e produzir 86.280 big bags de sementes.
Irrigação abre espaço para o algodão de segunda safra
O algodão em pluma, a fibra separada do caroço, terá área total de 200.360 hectares, avanço de 0,3%. Essa pequena mudança no total esconde uma redistribuição: o algodão de primeira safra cai 10,8%, para 92.204 hectares, enquanto o de segunda safra cresce 12,2%, para 108.156 hectares.
A segunda safra é o cultivo realizado depois de uma colheita anterior no mesmo ciclo agrícola. Segundo a companhia, sua expansão no algodão será viabilizada principalmente pelo aumento da área irrigada. O documento relaciona esse movimento ao projeto de investimento apresentado em fato relevante de 6 de novembro de 2025.
A soja, incluindo produção comercial e sementes, cresce 2,9%, para 442.075 hectares. Já o milho de segunda safra recua 2,3%, para 154.607 hectares, com participação de 18,1% na área prevista.
As outras culturas somam 57.329 hectares, alta de 18,4%. Esse grupo reúne atividades como sorgo, trigo, produção de sementes, florestas e pecuária. Segundo a SLC, a redistribuição do mix, isto é, da participação de cada cultura, busca maior rentabilidade e segue a rotação de culturas, prática de alternar os plantios para preservar as condições produtivas do solo.
Produtividade prevista sobe nas principais lavouras
A empresa também projeta colher mais por hectare nas principais culturas. Essa medida é a produtividade: ela mostra quanto uma área produz, diferentemente da área plantada, que indica o tamanho destinado ao cultivo. As duas informações precisam ser lidas juntas para entender o planejamento agrícola.
Na soja, a estimativa passa de 4.036 para 4.080 quilos por hectare, aumento de 1,1%. No milho de segunda safra, vai de 7.738 para 7.957 quilos por hectare, alta de 2,8%, a maior variação percentual da tabela de produtividade.
Para o algodão em pluma de primeira safra, o orçamento prevê 2.075 quilos por hectare, avanço de 0,4%. Na segunda safra, são 2.000 quilos por hectare, crescimento de 0,9%. O caroço de algodão tem projeção de 2.503 quilos por hectare, alta de 0,5%.
Segundo a companhia, essas estimativas refletem o potencial produtivo das lavouras e a tendência de cada cultura. A referência comparativa é o orçamento de 2025/26, não uma tabela de resultados efetivamente colhidos. Assim, os percentuais mostram a mudança entre os planos agrícolas.
Fertilizantes elevam o custo, com compensação parcial do câmbio
O custo médio orçado chega a R$ 7.217 por hectare. A SLC atribui o aumento de 2,2% principalmente à elevação dos preços dos fertilizantes em dólar e à inflação de 4% projetada no orçamento. Defensivos mais baratos em dólar e a valorização do real considerada no planejamento compensam parte desses efeitos.
A taxa de câmbio usada no orçamento passa de R$ 5,45 para R$ 5,20 por dólar, variação de -4,6%. Esses valores são premissas de planejamento da empresa, não cotações atuais. A relação com a moeda americana pesa porque 57% do custo de produção está indexado ao dólar, ou seja, acompanha essa moeda; os outros 43% são denominados em reais.
No algodão de primeira safra, o custo previsto é de R$ 14.102 por hectare, alta de 1,8%. Na segunda safra, chega a R$ 13.088, aumento de 1,9%. Para a soja, são R$ 5.292, avanço de 2,1%; para o milho de segunda safra, R$ 4.510, alta de 3,8%.
A comparação do custo médio usa as áreas de 2026/27 como peso para os dois orçamentos. Isso evita confundir uma mudança na proporção entre culturas mais caras e mais baratas com o aumento do custo de produzir cada uma delas.
Proteção de preços e câmbio tem posições diferentes
A SLC atualizou o hedge, conjunto de operações usado para reduzir a exposição às oscilações de preços e moedas. Há duas camadas distintas: uma fixa o preço do produto agrícola; a outra, a taxa de conversão do dólar para reais. Proteger uma delas não significa proteger automaticamente a outra.
Na soja de 2026/27, o hedge do produto alcança 52,9%, ao preço de US$ 12,36 por bushel, unidade de comercialização agrícola. A proteção cambial está em 23,8%, com taxa de R$ 5,3916 por dólar.
No algodão, a proteção do produto chega a 62,2%, ao preço de 79,14 centavos de dólar por libra-peso. O hedge cambial cobre 23,0%, à taxa de R$ 5,7642 por dólar. Os preços agrícolas dessas culturas têm como referência a entrega no porto; transporte e possíveis descontos de qualidade ainda influenciam o valor nas unidades de produção.
Para o milho, a proteção total de preço está em 6,3%, com referência de R$ 53,04 por saca na fazenda. O hedge cambial também está em 6,3%. O documento apresenta separadamente compromissos ligados a pagamentos em dólar e a terras e arrendamentos em sacas de soja, que funcionam como proteção natural ao vincular obrigações às mesmas referências do negócio.
Pecuária e sementes completam o planejamento de 2027
A estimativa de venda de rebanho bovino é de 112.500 cabeças em 2027. Segundo a SLC, esse volume reflete o planejamento operacional para o período. Trata-se de uma previsão de vendas, não da quantidade total de animais mantidos pela companhia.
Na produção de sementes, a expectativa é de 86.280 big bags, grandes embalagens usadas para armazenar e transportar o produto. Desse total, 76.000 serão de soja, 6.280 de algodão e 4.000 de braquiária.
A produção atenderá vendas a terceiros, operações entre empresas do grupo e consumo interno. Portanto, o total de sementes previsto não corresponde integralmente a vendas para clientes externos.
O que muda para o acionista
As projeções mostram o plano operacional que servirá de referência para a safra: onde a SLC pretende plantar, quanto espera colher por hectare, quanto estima gastar e qual parcela dos preços está protegida. O plano combina expansão de área com mudanças na distribuição das culturas.
As informações constam de um fato relevante, comunicado usado para informar acontecimentos que podem influenciar decisões dos investidores, datado de 7 de outubro de 2026. São intenções iniciais e valores orçados; a empresa ressalva que fatores climáticos podem afetar a área plantada.
Para o acionista, essas metas oferecem uma base de comparação com a execução da safra. Área, produtividade, custos e preços protegidos são peças diferentes do resultado: o crescimento de uma delas, isoladamente, não determina quanto a companhia terá de receita ou lucro.
Perguntas frequentes
Quanto a SLC Agrícola pretende plantar em 2026/27?
A previsão é de 854.371 hectares, 2,2% acima da área orçada para 2025/26. A soja representa a maior parcela, com 442.075 hectares.
Por que o algodão de segunda safra vai ganhar espaço?
Segundo a SLC, a ampliação da área irrigada é o principal fator que viabiliza esse crescimento. A área prevista para o algodão de segunda safra é de 108.156 hectares, aumento de 12,2%.
O custo de produção vai aumentar?
O orçamento prevê custo médio de R$ 7.217 por hectare, alta de 2,2%. A empresa atribui o avanço principalmente aos fertilizantes em dólar e à inflação considerada no planejamento, com compensação parcial de defensivos mais baratos e do câmbio.
O que significa ter parte da safra protegida por hedge?
Significa usar operações para reduzir a exposição às mudanças de preços agrícolas ou de câmbio. Para 2026/27, a proteção do preço do produto está em 52,9% na soja e 62,2% no algodão, enquanto a proteção cambial tem percentuais próprios.
Esses números já são resultados da safra?
Não, são projeções e valores orçados para o planejamento da companhia. A SLC apresenta a área como intenção inicial e informa que fatores climáticos podem afetá-la.
Ativos citados nesta matéria
Cotações ao vivo, com atraso. Clique para ver a ficha completa. Não é recomendação de investimento.



