A Construtora Tenda (TEND3) registrou R$ 1.214,4 milhões em vendas líquidas no segmento Tenda no terceiro trimestre de 2026, alta de 10,5% sobre o mesmo período de 2025. Na comparação com o trimestre anterior, porém, houve queda de 7,9%, com aumento dos distratos, os cancelamentos de contratos de compra de imóveis. Incluindo a Alea, as vendas líquidas do grupo somaram R$ 1.287,0 milhões.
Última cotação de TEND3 na B3: R$ 29,49 (-2,54% no dia) em 08/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A prévia operacional da Tenda mostrou crescimento anual das vendas do segmento principal, mas também mais cancelamentos e menos repasses de financiamento. Os lançamentos desse segmento totalizaram R$ 1.520,7 milhões, com o primeiro empreendimento da companhia voltado à faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida. A empresa atribuiu parte das dificuldades do trimestre à greve e a mudanças na concessão de crédito da Caixa Econômica Federal. Os números são preliminares e estão sujeitos à revisão da auditoria.
Principais pontos
- As vendas brutas do segmento Tenda chegaram a R$ 1.507,3 milhões, crescimento de 22,1% sobre o terceiro trimestre de 2025.
- Os distratos do segmento somaram R$ 292,8 milhões, aumento de 55,0% em relação ao trimestre anterior.
- A Tenda lançou 11 empreendimentos, com 5.607 unidades e preço médio de lançamento de R$ 271,2 mil.
- A Alea teve R$ 72,5 milhões em vendas líquidas, queda de 45,9% na comparação anual.
- O valor dos imóveis repassados a financiamento no segmento Tenda caiu 29,5% frente ao segundo trimestre, para R$ 728,9 milhões.
- O banco de terrenos do segmento Tenda alcançou potencial de vendas de R$ 29,3 bilhões, recorde segundo a companhia.
Vendas crescem no ano, mas recuam frente ao trimestre anterior
As vendas brutas mostram o valor dos contratos fechados antes de descontar cancelamentos. No segmento Tenda, elas ficaram praticamente estáveis em relação ao segundo trimestre, mas cresceram 22,1% sobre o terceiro trimestre de 2025. Foram vendidas 6.458 unidades, alta de 15,3% na comparação anual.
Depois dos distratos, restaram 5.227 unidades vendidas em termos líquidos. O valor dessas vendas cresceu menos que o das vendas brutas na comparação anual e caiu frente ao trimestre anterior. A diferença ajuda a separar o ritmo de contratação da parcela dos negócios que permaneceu na carteira.
A velocidade de vendas líquida, chamada de VSO e usada para medir quanto da oferta foi vendido após os cancelamentos, ficou em 22,8%. No trimestre anterior, era de 23,9%. Segundo a Tenda, seis empreendimentos lançados no fim de setembro ainda não tinham vendas, o que também reduziu o indicador.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, as vendas líquidas do segmento chegaram a R$ 3.960,5 milhões, avanço de 26,2% sobre igual intervalo de 2025. Assim, a queda entre trimestres ocorreu dentro de um acumulado ainda superior ao do ano anterior.
Distratos e repasses sentem efeitos ligados à Caixa
A Tenda atribuiu o aumento dos cancelamentos principalmente a três fatores ligados à Caixa Econômica Federal: uma greve de quase 20 dias em setembro, a redução temporária do limite de comprometimento de renda dos clientes e entrevistas mais rigorosas para aprovação de crédito.
Segundo o documento, esse limite passou de 30% para 27%, com impacto durante 10 dias em julho. O comprometimento de renda é a parcela da renda do comprador que pode ser usada para pagar o financiamento. Um limite menor pode reduzir o valor de crédito disponível para concluir uma compra.
Os distratos corresponderam a 19,4% do valor das vendas brutas do segmento, contra 12,5% no segundo trimestre. Foram cancelados contratos de 1.231 unidades, ante 811 no período anterior. A companhia considera parte dos fatores pontual e afirma ter adotado medidas para reduzir os demais impactos.
A greve também afetou os repasses, etapa em que o financiamento do comprador é formalizado e os recursos são transferidos à incorporadora. O segmento Tenda repassou 3.759 unidades, com valor de R$ 728,9 milhões, queda de 25,1% na comparação anual.
As entregas tiveram outro ritmo: foram 4.252 unidades, aumento de 14,7% sobre o segundo trimestre e redução de 11,0% frente ao terceiro trimestre de 2025. Entregar o imóvel e concluir seu repasse bancário são etapas diferentes, por isso os indicadores não necessariamente caminham juntos.
Lançamentos mudam de perfil e chegam à faixa 4
Os 11 empreendimentos lançados pela Tenda somaram R$ 1.520,7 milhões em valor geral de vendas, ou VGV, que representa o valor potencial de venda dos imóveis. O total cresceu 2,3% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e caiu 9,5% frente ao segundo trimestre de 2026.
O preço médio de lançamento atingiu R$ 271,2 mil por unidade, recorde segundo a companhia. A alta foi de 15,7% na comparação anual e de 8,3% entre trimestres. A Tenda relacionou esse movimento à mudança na composição dos projetos: 54,5% dos empreendimentos lançados foram destinados às faixas 3 e 4 do Minha Casa, Minha Vida, categorias de público do programa habitacional.
Na Bahia, a empresa lançou seu primeiro empreendimento voltado à faixa 4, com 572 unidades e VGV de R$ 240,8 milhões. Ao mesmo tempo, lançou menos unidades no segmento Tenda: 5.607, redução de 11,6% sobre o terceiro trimestre de 2025. Portanto, o crescimento do valor lançado não significou aumento da quantidade de imóveis.
O perfil dos lançamentos também foi diferente do das vendas. No trimestre, 47% das vendas contabilizadas foram destinadas à faixa 1, com renda de até R$ 3.200 por mês, conforme o documento. O preço médio das vendas brutas do segmento ficou em R$ 233,4 mil.
Alea amplia lançamentos, mas vende menos
A Alea lançou três empreendimentos, com 604 unidades e VGV de R$ 119,1 milhões. O valor lançado cresceu 56,2% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e 39,2% frente ao segundo trimestre de 2026.
As vendas seguiram na direção oposta. As vendas brutas foram de R$ 91,9 milhões, queda anual de 47,1%. Após R$ 19,4 milhões em cancelamentos, as vendas líquidas ficaram em R$ 72,5 milhões, recuo de 45,9% sobre o ano anterior e de 13,9% na comparação trimestral.
Essa diferença entre os segmentos aparece no consolidado, que reúne Tenda e Alea. As vendas líquidas totais cresceram 4,4% na comparação anual, menos que os 10,5% do segmento Tenda. Nos nove primeiros meses, o grupo acumulou R$ 4.222,3 milhões em vendas líquidas, alta de 20,1%.
Banco de terrenos cresce com expansão no Nordeste
O banco de terrenos, carteira de áreas destinadas a futuros projetos, alcançou R$ 29,3 bilhões em VGV no segmento Tenda. O aumento foi de 41,2% sobre o terceiro trimestre de 2025 e de 5,7% frente ao trimestre anterior. Esse valor é potencial de vendas, não receita já realizada nem saldo em caixa.
Segundo a companhia, 57% dos aproximadamente R$ 2,1 bilhões adquiridos no trimestre ficaram no Nordeste. Também houve expansão dos terrenos destinados às faixas 3 e 4, em linha com a mudança no perfil dos lançamentos.
As compras em permuta representaram 58,7%. Nessa modalidade, o proprietário recebe unidades ou uma parcela financeira vinculada ao empreendimento como contrapartida pelo terreno. Mesmo nas aquisições pagas em dinheiro, mais de 90% dos pagamentos estavam ligados à obtenção do registro de incorporação, etapa de formalização do projeto.
Por que isso importa
Para o acionista, a prévia mostra etapas distintas do negócio: lançar imóveis, fechar contratos, descontar cancelamentos, concluir financiamentos e entregar unidades. O trimestre reuniu crescimento anual das vendas do segmento Tenda, maior peso dos distratos e redução dos repasses.
Esses indicadores ajudam a entender a operação, mas não equivalem a lucro ou geração de caixa. A expectativa apresentada pela companhia é de que os distratos retornem a níveis normalizados nos próximos períodos. Trata-se de uma avaliação da Tenda, sem prazo específico indicado para essa normalização.
Perguntas frequentes
Quanto a Tenda vendeu no terceiro trimestre?
O segmento Tenda teve R$ 1.214,4 milhões em vendas líquidas no terceiro trimestre de 2026. Somando a Alea, o total do grupo foi de R$ 1.287,0 milhões.
Por que os cancelamentos aumentaram?
A companhia relacionou o aumento principalmente à greve da Caixa, à redução temporária do limite de comprometimento de renda e a entrevistas mais rigorosas para concessão de crédito. No segmento Tenda, os distratos somaram R$ 292,8 milhões, 55,0% acima do trimestre anterior.
A Tenda lançou mais imóveis?
Não em quantidade de unidades no segmento Tenda: foram 5.607, queda de 11,6% sobre o terceiro trimestre de 2025. O potencial de vendas dos lançamentos, porém, aumentou 2,3%, para R$ 1.520,7 milhões.
O banco de terrenos de R$ 29,3 bilhões é dinheiro em caixa?
Não, esse número representa o potencial de vendas dos projetos associados aos terrenos do segmento Tenda. Ele não corresponde a receita já obtida nem ao dinheiro disponível na companhia.
Essa prévia já mostra o lucro da empresa?
Não, a prévia apresenta indicadores operacionais, como lançamentos, vendas, cancelamentos, repasses e entregas. Vendas contratadas e potencial de vendas não são a mesma coisa que lucro.
Ativos citados nesta matéria
Cotações ao vivo, com atraso. Clique para ver a ficha completa. Não é recomendação de investimento.



