A Vale começou a retomar parte das operações da Mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG), depois de a Justiça de Minas Gerais autorizar o reinício na quarta-feira (23). A mina estava parada desde janeiro, após um extravasamento de água e sedimentos. A companhia avisou que a volta não altera suas projeções de produção para 2026, o que já diz muito sobre o tamanho do efeito para o acionista.
A Vale retomou parcialmente a Mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG), após autorização da Justiça mineira em 23 de setembro de 2026. As cavas Área 3 e Área 4 seguem proibidas. Fábrica e Viga, paradas desde janeiro, somam cerca de 8 milhões de toneladas por ano, perto de 2% da meta de 335 a 345 milhões de toneladas. A Vale manteve o guidance.
Principais pontos
- A Justiça de Minas autorizou em 23 de setembro a retomada parcial da Mina de Fábrica, parada desde janeiro de 2026.
- As cavas Área 3 e Área 4 continuam proibidas porque a perícia da AECOM não concluiu sobre sua segurança.
- Fábrica e Viga somam cerca de 8 milhões de toneladas de minério por ano, perto de 2% da meta anual da Vale.
- A companhia manteve a projeção de 335 a 345 milhões de toneladas para 2026.
- A Mina de Viga, em Congonhas, ainda depende de decisão da ANM para voltar a operar.
Por que a Mina de Fábrica estava parada
Em 25 de janeiro de 2026, uma estrutura do Complexo de Fábrica cedeu e cerca de 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos extravasaram de uma das cavas, segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Houve episódio parecido na Mina de Viga, em Congonhas, e a Vale suspendeu as duas operações a partir de 27 de janeiro.
Em fevereiro, o MPMG e o Estado de Minas obtiveram decisão que determinou a paralisação de todas as atividades em Fábrica, exceto obras emergenciais, até a comprovação técnica da segurança. Não houve rompimento de barragem de rejeitos nem feridos.
O que foi liberado e o que segue proibido
A autorização vale só para as áreas que a consultoria AECOM, perita independente no processo, considerou aptas a operar. O MPMG, o Estado e a Vale concordaram com o laudo e firmaram termo de compromisso que condiciona a retomada ao cumprimento das exigências.
As cavas Área 3 e Área 4 continuam proibidas, porque a perícia não chegou a conclusão final sobre sua segurança. A decisão fixa prazo de 90 dias para a Vale formalizar procedimentos de fechamento de estruturas temporárias e mantém auditoria técnica independente. A empresa não informou qual fatia da capacidade de Fábrica volta agora.
Qual o peso de Fábrica e Viga na produção
Juntas, as duas minas produzem cerca de 8 milhões de toneladas de minério por ano. Diante da meta de 2026, de 335 a 345 milhões de toneladas, isso equivale a perto de 2%. Como só parte de Fábrica voltou e Viga segue parada, o volume recuperado agora é menor que isso.
| Indicador | Número |
|---|---|
| Capacidade somada de Fábrica e Viga | cerca de 8 Mt/ano |
| Meta de produção da Vale em 2026 | 335 a 345 Mt |
| Peso das duas minas na meta | cerca de 2% |
| Produção da Vale no 2º tri de 2026 | 84,3 Mt |
Mesmo sem as duas minas, a Vale produziu 84,3 milhões de toneladas entre abril e junho, o melhor segundo trimestre desde 2018 (veja os números do 2º tri).
Por que o guidance não muda
A Vale já contava com a mina parada. Em abril, o vice-presidente financeiro Marcelo Bacci disse que o atraso na volta de Fábrica e Viga não teria impacto relevante na meta, por serem operações relativamente pequenas. Ao reiterar agora as projeções, a empresa indica que a produção de Fábrica no fim do ano entra como margem de segurança, não como volume que eleve a faixa.
Há ainda o calendário: o quarto trimestre coincide com o início das chuvas em Minas, a estação dos extravasamentos de janeiro. Sob auditoria e com duas cavas bloqueadas, a mina tende a operar abaixo da capacidade.
O que ainda falta em Viga
A Mina de Viga segue interditada pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Segundo reportagem de 20 de setembro, a agência avalia o pedido de retomada, e a Vale apresentou aumento de 64% na capacidade das bacias de retenção de água e sedimentos. A Justiça Federal bloqueou R$ 200 milhões da companhia como garantia no caso.
A ANM ressaltou que não há decisão autorizando a volta, que depende de comprovação técnica das condições impostas.
O que isso significa para o acionista
No volume, pouco. Menos de 2% da meta não muda a receita da Vale, que depende muito mais do preço do minério e do custo por tonelada (entenda os degraus entre produzir e lucrar). O mercado leu assim: a VALE3 fechou a quarta-feira (23) em queda de cerca de 1,8%, perto de R$ 71,50, no dia da decisão.
O ganho está no risco. Mina parada por decisão judicial carrega custos fora do volume: obras, multas e bloqueio de recursos. A retomada parcial reduz essa incerteza, sem eliminá-la. O próximo teste é o relatório de produção do terceiro trimestre, que deve mostrar se Fábrica já contribuiu em setembro, além da decisão sobre Viga e da perícia das cavas bloqueadas.
Fora da mina, o que move a ação continua sendo o minério, que caiu em setembro ao menor nível desde agosto (veja o que pesou). A cotação atualizada está em nossa página de ações.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. A capacidade das minas é estimativa pública; a Vale não detalhou quanto da produção de Fábrica volta nesta etapa.
Perguntas frequentes
Por que a Mina de Fábrica da Vale estava parada?
A mina parou em janeiro de 2026 depois que cerca de 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos extravasaram de uma cava em 25 de janeiro. A Justiça de Minas determinou a paralisação até que a segurança fosse comprovada.
A Mina de Fábrica voltou a operar por completo?
Não. A autorização de 23 de setembro de 2026 libera apenas as áreas aprovadas pela perícia da AECOM. As cavas Área 3 e Área 4 continuam proibidas de operar.
A retomada muda o guidance de produção da Vale?
Não. A Vale informou que a volta parcial não altera suas projeções. A meta de 2026 segue entre 335 e 345 milhões de toneladas de minério de ferro.
Quanto a Mina de Fábrica produz?
Fábrica e Viga somam cerca de 8 milhões de toneladas por ano, perto de 2% da meta anual da Vale. A empresa não divulgou quanto dessa capacidade volta agora.
A Mina de Viga também foi liberada?
Não. A Mina de Viga, em Congonhas, segue interditada pela ANM, que avalia o pedido de retomada da Vale. Não há decisão autorizando a volta.
Ativos citados nesta matéria
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