A Braskem protocolou nesta segunda-feira (24) pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo, envolvendo dívida de aproximadamente US$ 10,9 bilhões — mais de R$ 50 bilhões. A ação BRKM5 caiu cerca de 7%, a R$ 4,71, e acumula queda de 40% no ano. É a segunda grande reestruturação anunciada no país em pouco mais de uma semana.
A Braskem protocolou em 24 de agosto de 2026 pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo, com dívida de cerca de US$ 10,9 bilhões, sendo aproximadamente US$ 7 bilhões em títulos nas mãos de bondholders. Credores representando 39,6% dos créditos já aderiram ao plano, acima do mínimo de um terço exigido para o protocolo. O período de proteção é de 90 dias.
Principais pontos
- A dívida envolvida no pedido é de aproximadamente US$ 10,9 bilhões, mais de R$ 50 bilhões.
- Cerca de US$ 7 bilhões estão com bondholders, o grupo que mais resistiu à proposta inicial.
- Credores com 39,6% dos créditos já aderiram, acima do mínimo de um terço para protocolar.
- O período de proteção é de 90 dias, e a aprovação final exige adesão de 50% mais um dos credores.
- BRKM5 caiu cerca de 7%, a R$ 4,71, acumulando queda de 40% em 2026.
O que foi protocolado
O pedido é de recuperação extrajudicial — instrumento diferente da recuperação judicial e com lógica quase oposta. Nele, a empresa negocia o plano com os credores antes de ir ao Judiciário, e leva à Justiça um acordo já em construção para ser homologado e estendido a quem não aderiu.
É por isso que o número mais importante do dia não é a dívida, e sim os 39,6%: esse é o percentual de créditos cujos detentores já aderiram ao plano. A lei exige adesão mínima de um terço para que o pedido possa ser protocolado, e a companhia superou esse patamar. A diferença entre os dois instrumentos está explicada em recuperação extrajudicial x judicial.
Quem são os credores que decidem
Do total de aproximadamente US$ 10,9 bilhões, cerca de US$ 7 bilhões estão nas mãos de bondholders — investidores que compraram títulos de dívida da companhia no mercado internacional. É a maior fatia, e foi o grupo que apresentou a resistência mais significativa à proposta inicial.
Essa concentração define o jogo. Bondholders são credores dispersos, muitas vezes fundos internacionais sem relação comercial com a empresa, que compraram o papel como investimento e avaliam a proposta apenas pelo retorno. Não têm o incentivo de um fornecedor, que quer preservar o cliente. Entender como esse tipo de credor negocia é entender por que a operação chegou a este ponto.
O cronograma dos próximos 90 dias
A companhia divulgou etapas com datas. O protocolo de 24 de agosto marca o início do período de proteção, que dura 90 dias. Em 31 de agosto, a Braskem deve apresentar aos credores um plano de negócios atualizado e a proposta comercial.
Durante esses 90 dias, a empresa negocia o plano final. Para que ele seja aprovado e possa ser homologado, é necessária a adesão de 50% mais um dos credores sujeitos à reestruturação. Sair dos 39,6% atuais para mais da metade é a tarefa que define o desfecho — e ela depende, sobretudo, de convencer os detentores dos US$ 7 bilhões em títulos.
| Etapa | Situação |
|---|---|
| Dívida envolvida | ~US$ 10,9 bilhões |
| Parcela com bondholders | ~US$ 7 bilhões |
| Adesão já obtida | 39,6% dos créditos |
| Mínimo para protocolar | Um terço |
| Protocolo e início da proteção | 24/08/2026 |
| Plano de negócios e proposta | 31/08/2026 |
| Período de proteção | 90 dias |
| Mínimo para aprovação | 50% mais um dos credores |
O que o plano prevê
Três mecanismos aparecem na proposta, e eles se combinam. O primeiro é o alongamento da dívida — empurrar vencimentos para frente, ganhando tempo de caixa. O segundo é a capitalização de juros: em vez de pagar os juros em dinheiro, eles são incorporados ao principal, aliviando o caixa agora e aumentando o saldo devedor depois.
O terceiro é o mais relevante para quem tem a ação: a possível conversão de dívida em ações. Se credores aceitarem receber participação no lugar de parte do que têm a receber, a empresa reduz a dívida sem gastar caixa — mas os acionistas atuais são diluídos. É o mecanismo detalhado em conversão de dívida em ações.
A ação e o contexto do papel
No dia do protocolo, BRKM5 recuou para R$ 4,71. As variações reportadas ficaram entre 6,71% e 7,10%, conforme a fonte — divergência comum em fechamentos com forte volatilidade. No acumulado de 2026, o papel cai cerca de 40%.
O movimento não surpreende quem acompanhava o caso. Em 17 de agosto, a companhia reportou lucro de R$ 3,33 bilhões e viu a ação cair 7,68% — porque o lucro contábil não virou caixa e a dívida líquida seguia crescendo, em US$ 8,66 bilhões ao fim do trimestre. O mercado já lia o balanço como incompatível com o passivo.
O efeito no resto da Bolsa
O pedido pressionou o setor inteiro. Petroquímicas e petroleiras recuaram, e a Petrobras — sócia da Braskem — caiu na mesma sessão, embora ali o dividendo e o petróleo também tenham pesado.
Mesmo assim, o Ibovespa fechou em alta, aos 171.906,72 pontos, sustentado por Vale e bancos. É um sinal importante: o mercado tratou o caso como problema da companhia e do setor, não como risco sistêmico. Diferente do que ocorreu quando os bancos caíram em bloco com a crise do varejo.
O que isso significa para o investidor
Se você tem BRKM5, o ponto de atenção não é a queda do dia — é a diluição possível. Conversão de dívida em ações num passivo de US$ 10,9 bilhões, sobre uma empresa cujo valor de mercado encolheu 40% no ano, pode reduzir drasticamente a fatia dos acionistas atuais. O plano de 31 de agosto é o documento a ler.
Se você tem debêntures ou títulos da companhia, a decisão prática é sobre aderir ou não à proposta — e vale entender o que acontece com a debênture numa reestruturação. E se você não tem nenhum dos dois, o caso serve de método: os sinais estavam no balanço meses antes. O guia sobre como identificar risco numa empresa da carteira lista o que olhar.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Informações processuais e valores se referem ao noticiado até 25 de agosto de 2026 e podem mudar com o andamento da negociação.
Perguntas frequentes
Quanto a Braskem deve na recuperação extrajudicial?
Aproximadamente US$ 10,9 bilhões, mais de R$ 50 bilhões, sendo cerca de US$ 7 bilhões em títulos nas mãos de bondholders — o grupo que apresentou a maior resistência à proposta inicial da companhia.
O que significa ter 39,6% de adesão?
É o percentual de créditos cujos detentores já aceitaram o plano. A lei exige adesão mínima de um terço para que o pedido de recuperação extrajudicial possa ser protocolado, patamar que a companhia superou. Para aprovação final são necessários 50% mais um dos credores.
Qual o cronograma da Braskem?
O protocolo em 24 de agosto de 2026 iniciou o período de proteção de 90 dias. Em 31 de agosto a companhia deve apresentar aos credores um plano de negócios atualizado e a proposta comercial. Durante os 90 dias, negocia o plano final.
O que o plano da Braskem prevê?
Três mecanismos combinados: alongamento da dívida, capitalização de juros — em que os juros são incorporados ao principal em vez de pagos em dinheiro — e possível conversão de dívida em ações, o que reduziria o passivo mas diluiria os acionistas atuais.
Quanto caiu a ação da Braskem?
BRKM5 recuou para R$ 4,71 no dia do protocolo, com variações reportadas entre 6,71% e 7,10% conforme a fonte. No acumulado de 2026, o papel cai cerca de 40%.
Ativos citados nesta matéria
Cotações ao vivo, com atraso. Clique para ver a ficha completa. Não é recomendação de investimento.



