O dólar comercial fechou a quarta-feira (23) a R$ 5,168, alta de 1,28%, o maior fechamento desde 31 de agosto. Na véspera, a moeda estava em R$ 5,103. O salto de um dia juntou três forças que raramente coincidem: juro americano no maior nível desde 2007, saída de dólares do país em setembro e uma eleição apertada a 11 dias do primeiro turno.
Em 23 de setembro de 2026, o dólar subiu 1,28% e fechou a R$ 5,168, maior nível desde 31 de agosto, depois de oscilar entre R$ 5,122 e R$ 5,176. A alta combinou o Treasury de 10 anos acima de 5,1%, o índice DXY em alta de 0,54%, fluxo cambial negativo de US$ 7,08 bilhões em setembro e pesquisa eleitoral com empate técnico.
Principais pontos
- O dólar fechou a quarta (23) a R$ 5,168, alta de 1,28% sobre os R$ 5,103 de terça.
- É o maior fechamento desde 31 de agosto, quando a moeda terminou a R$ 5,18.
- O índice DXY, que mede o dólar contra moedas fortes, subiu 0,54%, a 101,09.
- O fluxo cambial de setembro até o dia 18 ficou negativo em US$ 7,078 bilhões, segundo o BC.
- No ano, o dólar ainda acumula queda de cerca de 5,8% contra o real.
Como foi o dia no câmbio
A moeda ganhou força ao longo do dia: a mínima foi de R$ 5,122 e a máxima de R$ 5,176, com fechamento quase no topo, a R$ 5,168 (R$ 5,1689 na cotação com quatro casas). O contrato futuro para outubro subiu 1,20%, a R$ 5,1715. Pela cotação de Forbes e InfoMoney, é o maior fechamento desde 31 de agosto, quando a moeda terminou a R$ 5,1814.
Fechar perto da máxima indica que não apareceu vendedor, como exportadores, para aproveitar o preço. O Banco Central fez só a rolagem rotineira de 30 mil contratos de swap, sem oferta extra.
A semana até aqui
| Data | Fechamento | O que pesou |
|---|---|---|
| Sexta, 18/09 | R$ 5,1451 (+0,11%) | Sessão sem gatilhos; alta de 0,39% na semana |
| Terça, 22/09 | R$ 5,103 (−0,11%) | Ata do Copom e ONU; câmbio de lado |
| Quarta, 23/09 | R$ 5,168 (+1,28%) | Treasury acima de 5,1%, fluxo negativo e eleição |
Até a quarta, o dólar sobe cerca de 0,45% na semana: o recuo de segunda e terça foi devolvido num só pregão. O Focus segue em R$ 5,20 para o fim de 2026 pela 14ª semana, número que a moeda já chegou a superar em agosto.
Força 1: o dólar ficou mais forte no mundo todo
A maior parte do movimento não foi brasileira. O Treasury de 10 anos passou de 5,1%, o maior desde 2007, e o mercado passou a ver cerca de 70% de chance de nova alta do Fed em outubro. O índice DXY, que compara o dólar a moedas como euro e iene, subiu 0,54%, a 101,09.
Quando o juro americano sobe, aplicar em dólar fica mais atraente e a vantagem do carry trade com o real diminui. Com a Selic em 13,75% e o Fed entre 3,75% e 4%, o diferencial está em cerca de 9,75 pontos — ainda alto, mas em queda se o Fed subir e o Copom continuar cortando. A mecânica completa está em o Treasury de 10 anos acima de 5,1%.
Força 2: dólares saindo do país em setembro
O Banco Central divulgou na própria quarta o fluxo cambial preliminar: de 1º a 18 de setembro, saíram US$ 7,078 bilhões a mais do que entraram. O canal financeiro, que reúne investimentos, remessas de lucros e aplicações, respondeu por US$ 6,839 bilhões de saída. O comércio exterior também ficou negativo, em US$ 240 milhões, com importações acima das exportações no período.
No ano, o fluxo ainda é positivo em US$ 8,714 bilhões. Mas um mês de saída concentrada tira o colchão que amortece choques: com menos gente vendendo moeda, cada comprador empurra o preço mais para cima.
Força 3: a eleição entrou no preço
A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada no dia mostrou Lula com 47,7% e Flávio Bolsonaro com 47,4% num eventual segundo turno, empate técnico dentro da margem de um ponto. Para o câmbio, o que pesa não é quem lidera, mas a incerteza: uma disputa aberta faz investidores buscarem proteção em dólar até o resultado.
Marcos Bassani, da Boa Brasil Capital, disse que o mercado exige mais prêmio e busca proteção em dólar. É o padrão descrito em por que uma pesquisa eleitoral move o dólar e os juros: o câmbio reage antes e com mais força que a bolsa.
Por que o petróleo alto não segurou o real desta vez
Em várias sessões de setembro, o petróleo em alta ajudou o real, porque o Brasil exporta óleo e recebe mais dólares quando ele sobe — explicamos em por que o dólar cai com o petróleo em alta. Na quarta, o Brent subiu 3,86%, a US$ 103,08, e mesmo assim o real perdeu.
A diferença é o canal do juro: o petróleo caro chegou aos EUA como inflação e empurrou os Treasuries, efeito maior que o ganho comercial brasileiro.
O que isso significa para você
Para quem vai viajar, R$ 5,17 ainda está abaixo do começo do ano (queda de cerca de 5,8% em 2026). Mas até a eleição a oscilação tende a ser maior, e quem precisa de moeda costuma diluir compras. O preço atualizado está em dólar hoje.
O que não se sabe é se a quarta foi choque isolado ou início de correção. Depende do juro americano, do próximo fluxo do BC e das pesquisas até 4 de outubro.
Cotações de fechamento de 23 de setembro de 2026. O câmbio varia ao longo do dia. Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
Quanto fechou o dólar em 23 de setembro de 2026?
O dólar comercial fechou a R$ 5,168, alta de 1,28%, depois de oscilar entre R$ 5,122 e R$ 5,176. É o maior fechamento desde 31 de agosto.
Por que o dólar subiu nesta quarta-feira?
Por três forças: o juro do Treasury de 10 anos acima de 5,1%, que fortaleceu o dólar no mundo; o fluxo cambial negativo de US$ 7,078 bilhões em setembro; e a incerteza eleitoral com empate técnico.
O que é fluxo cambial negativo?
Significa que saíram do país mais dólares do que entraram no período. De 1º a 18 de setembro de 2026, a saída líquida foi de US$ 7,078 bilhões, quase toda pelo canal financeiro.
Quanto o dólar acumula em 2026?
Mesmo após a alta de 23 de setembro, o dólar acumula queda de cerca de 5,8% contra o real em 2026. O Focus projeta R$ 5,20 para o fim do ano.
Por que o petróleo em alta não derrubou o dólar?
Porque o petróleo caro virou inflação nos EUA e ajudou a subir os juros americanos. Esse efeito sobre o dólar global superou o ganho que o Brasil tem como exportador de petróleo.



