O rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano saiu de 4,96% na terça-feira (22) para cerca de 5,1% na quarta (23), o maior nível desde 2007, e seguia perto de 5,12% nesta quinta (24). O gatilho foi um dado de atividade forte demais para um Fed que já voltou a subir juros. O efeito chegou ao Brasil no mesmo dia: bolsa em queda, dólar em alta de 1,28% e juros futuros subindo.
O juro do Treasury de 10 anos subiu cerca de 13 centésimos em 23 de setembro de 2026 e passou de 5,1%, maior nível desde 2007, após a prévia do PMI dos EUA mostrar atividade no ritmo mais forte desde 2021 e custos em alta. O título de 2 anos foi a cerca de 4,9%. No Brasil, o Ibovespa caiu 0,86% e o dólar subiu 1,28%.
Principais pontos
- O Treasury de 10 anos foi de 4,96% na terça (22) para cerca de 5,1% na quarta (23), maior nível desde 2007.
- O título de 2 anos subiu de 4,71% para perto de 4,9%, maior nível desde maio de 2024.
- A prévia do PMI da S&P Global mostrou o maior ritmo de atividade desde julho de 2021.
- O mercado passou a ver cerca de 70% a 75% de chance de nova alta do Fed em 27 e 28 de outubro.
- No Brasil, o juro americano mais alto pressiona bolsa, câmbio e a curva de juros futuros.
Quanto o juro subiu nesta semana
A semana começou calma. Pela tabela H.15 do Fed, o 10 anos fechou a sexta (18) a 5,01% e a segunda e a terça a 4,96%. O de 2 anos, mais sensível ao juro básico, estava em 4,76% e 4,71%.
Na quarta, o 10 anos subiu cerca de 13 centésimos e passou de 5,1%, segundo Wolf Street e CNN, o maior nível desde 2007. O de 2 anos foi a perto de 4,9%, maior desde maio de 2024. Nesta quinta (24), durante a sessão, o 10 anos operava perto de 5,12% (TradingEconomics, dado intradiário).
| Vencimento | Sexta (18/09) | Terça (22/09) | Quarta (23/09) |
|---|---|---|---|
| 2 anos | 4,76% | 4,71% | ≈ 4,90% |
| 10 anos | 5,01% | 4,96% | ≈ 5,10% |
| 30 anos | 5,34% | 5,29% | ≈ 5,39% |
Fontes: Fed (H.15) para 18 e 22/09; Wolf Street e CNN para 23/09, com leituras de 5,08% a 5,12% conforme o horário.
O gatilho: atividade forte e custos subindo
O gatilho foi a prévia do PMI de setembro da S&P Global, pesquisa com gestores de compras. O indicador composto foi a 58,4, o maior desde julho de 2021; o industrial marcou 57, contra 53,6 esperados. Qualquer leitura acima de 50 indica expansão.
O detalhe incômodo estava nos preços: a maior alta de custos de insumos em quatro anos, puxada pela energia. Com o petróleo acima de US$ 100, o dado reforçou que a inflação americana não cede sozinha. O diretor do Fed Michael Barr também sinalizou que mais altas podem ser necessárias.
Por que isso empurra o juro longo
O Fed subiu os juros em 16 de setembro, pela primeira vez desde 2023, para a faixa de 3,75% a 4%. O título de 2 anos reage à expectativa para os próximos passos: com a chance de nova alta em outubro subindo para cerca de 70% (CME FedWatch, quarta) ou 75% (TradingEconomics, quinta), ele sobe.
O de 10 anos soma a isso a inflação esperada para a década e um prêmio de prazo, a compensação por emprestar ao governo por muito tempo com dívida crescente. O leilão de títulos de 5 anos saiu a 5,033%, a taxa mais alta em cerca de duas décadas segundo o Wolf Street, sinal de que o comprador está exigindo mais.
Como o juro americano chega à bolsa brasileira
O primeiro canal é o custo de oportunidade. Se o investidor recebe mais de 5% ao ano em dólar num título sem risco, só aceita ações de emergentes com desconto maior. Isso reduz o valor pago hoje por lucros futuros e pesa mais onde o lucro está longe, como em construtoras.
Foi o que se viu na quarta: Tenda caiu 6,02% e Cury mais de 4%. O Ibovespa recuou 0,86%, como detalhamos no fechamento de 23 de setembro.
Como chega ao dólar e aos juros no Brasil
O segundo canal é o câmbio. O real se sustenta pelo carry trade, a diferença entre a Selic de 13,75% e o juro americano. Com o Fed a 4% no topo da faixa, esse diferencial está em cerca de 9,75 pontos; se o Fed subir de novo e o Copom seguir cortando, ele encolhe. O índice DXY subiu 0,54% na quarta e o dólar avançou 1,28% aqui, a R$ 5,168.
O terceiro canal é a curva doméstica: os DIs subiram em todos os vencimentos na quarta, o que encarece crédito longo e reduz o espaço para cortes da Selic, projetada pelo Focus em 13,50% no fim do ano.
O que isso significa para você
Para quem tem ações brasileiras, o Treasury acima de 5% é vento contrário enquanto durar: não derruba a bolsa sozinho, mas limita altas e pune empresas endividadas. Para quem pensa em renda fixa americana, 5,1% é a taxa mais alta em 19 anos, mas título longo oscila de preço, como explicamos em como investir em Treasury longo a partir do Brasil.
O que não se sabe: se 5,1% é pico ou degrau. Depende da inflação americana de setembro e do Fed em 27 e 28 de outubro.
Taxas de 23 de setembro de 2026 são aproximadas e variam conforme o horário de coleta; as de 24/09 são intradiárias. Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
Quanto está o juro do Treasury de 10 anos?
O título de 10 anos dos EUA passou de 5,1% em 23 de setembro de 2026, maior nível desde 2007, e operava perto de 5,12% na quinta-feira (24), durante a sessão.
Por que o juro dos títulos americanos subiu nesta semana?
Porque a prévia do PMI de setembro mostrou atividade no ritmo mais forte desde 2021 e custos em alta, o que elevou a aposta de nova alta do Fed em outubro para cerca de 70% a 75%.
Como o juro americano afeta a bolsa brasileira?
Com o título americano pagando mais de 5% em dólar, o investidor exige retorno maior para ficar em emergentes. Isso reduz o preço de ações, sobretudo de empresas com lucro mais distante.
Por que o dólar sobe quando o Treasury sobe?
Porque o juro americano mais alto atrai capital para os EUA e reduz a vantagem do carry trade com a Selic de 13,75%. Na quarta (23), o dólar subiu 1,28%, a R$ 5,168.
Quando o Fed decide os juros de novo?
A próxima reunião do Fed é em 27 e 28 de outubro de 2026, com decisão no dia 28. A taxa está entre 3,75% e 4% desde a alta de 16 de setembro.



