O Boletim Focus trouxe a quarta semana consecutiva de queda na projeção de inflação. A mediana para o IPCA de 2026 recuou de 5,15% para 5,12%, enquanto a estimativa para a Selic no fim do ano permaneceu estável em 14%. É o retrato de um mercado cada vez mais confiante na desinflação — e ainda cauteloso quanto ao tamanho do ciclo de cortes.
O Boletim Focus mostrou a projeção do IPCA de 2026 caindo de 5,15% para 5,12%, quarta semana consecutiva de redução. A mediana para a Selic no fim de 2026 ficou estável em 14%, indicando expectativa de um corte de 0,25 ponto na reunião de agosto seguido de manutenção. As demais projeções permaneceram sem alterações relevantes.
Principais pontos
- IPCA 2026 projetado em 5,12%, contra 5,15% na semana anterior.
- Quarta semana consecutiva de queda na estimativa de inflação.
- Selic no fim de 2026 mantida em 14% — um corte seguido de manutenção.
- O Focus é pesquisa semanal do Banco Central com mais de cem instituições.
- É a última leitura relevante antes da decisão do Copom de 5 de agosto.
O que é o Boletim Focus
O Focus é uma pesquisa semanal conduzida pelo Banco Central que consolida as projeções de mais de cem instituições financeiras e consultorias para os principais indicadores da economia: inflação, taxa de juros, PIB e câmbio.
Sua importância vai além da informação. As expectativas de mercado são um insumo formal das decisões de política monetária: o Copom avalia se as projeções estão convergindo para a meta e, quando não estão, isso pesa na decisão sobre juros. Focus não é só termômetro — é parte do processo.
A inflação cedendo há quatro semanas
A mediana para o IPCA de 2026 recuou de 5,15% para 5,12%, na quarta redução consecutiva. Individualmente, o ajuste é pequeno. O que importa é a direção sustentada: quatro semanas seguidas de revisão para baixo indicam mudança de percepção, não ruído.
O movimento tem base concreta. O IPCA-15 de julho subiu apenas 0,06%, contra projeção de 0,22% — menos de um terço do esperado —, com a inflação em 12 meses desacelerando de 4,80% para 4,52%. Quando o dado surpreende para baixo, as projeções acompanham.
A Selic estável em 14%
A mediana para a taxa básica no fim de 2026 permaneceu em 14%. Como a Selic está hoje em 14,25%, essa projeção significa uma coisa específica: um único corte de 0,25 ponto, provavelmente na reunião de 5 de agosto, seguido de manutenção nas demais reuniões do ano.
É aqui que aparece a cautela do mercado. Apesar de revisar a inflação para baixo quatro semanas seguidas, os economistas não passaram a projetar mais cortes. A explicação está em dois fatores externos: o petróleo pressionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã e o Fed com três dirigentes votando por alta.
A divergência que vale observar
Existe uma tensão interessante entre o Focus e o mercado de juros futuros. Cerca de 80% dos participantes apostam em corte para 14,00% em agosto — o que está alinhado com o Focus. Mas parte dos economistas começou a incorporar uma redução adicional em setembro, cenário que a mediana ainda não reflete.
Essa diferença entre mediana e movimento de ponta é normal e informativa: medianas se ajustam com atraso, porque muitas instituições só revisam projeções em ciclos definidos. Quando a ponta se move antes, costuma antecipar para onde a mediana vai.
Por que isso afeta seus investimentos
Para renda fixa, as projeções do Focus estão embutidas nas taxas que você vê hoje nos títulos. Se o mercado espera Selic a 14% no fim do ano, os prefixados já refletem esse cenário — você não ganha por acertar o consenso, ganha se o cenário se mostrar melhor que o esperado.
Para bolsa, expectativa de inflação menor significa juros menores adiante, o que reduz a taxa de desconto dos lucros futuros e melhora o valor presente das empresas. Foi parte do que sustentou o Ibovespa em julho.
Para quem tem dívida, projeção de juros em queda sinaliza melhores condições de crédito adiante — com a ressalva de que o repasse é lento e parcial, tema do guia sobre quando a queda da Selic chega na prestação.
Como usar o Focus sem se enganar
Três cuidados. Primeiro: mediana não é previsão confiável — é o ponto central de projeções que frequentemente erram, especialmente em horizontes longos. Segundo: o que move preços é a mudança na expectativa, não o nível dela, porque o nível já está no preço.
Terceiro: olhe a direção, não a semana. Uma revisão de 0,03 ponto percentual é irrelevante isoladamente; quatro semanas consecutivas na mesma direção são informação. O boletim é divulgado toda segunda-feira e você acompanha os indicadores atualizados no nosso painel de indicadores.
O que vem na semana do Copom
A próxima leitura do Focus sai antes da decisão e será a última referência formal de expectativas para o comitê. Depois, em 5 de agosto, vem a decisão da Selic, com corte majoritariamente esperado — e o comunicado será mais importante que o número, porque define a expectativa para setembro.
Na mesma semana reportam Itaú (4/ago), Bradesco (5/ago) e Petrobras (6/ago). O roteiro completo está em o que esperar do mercado em agosto.
Projeções de mercado mudam semanalmente. Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
Qual a projeção do IPCA para 2026?
A mediana do Boletim Focus recuou de 5,15% para 5,12%, na quarta semana consecutiva de queda na estimativa de inflação para o ano.
E a projeção da Selic?
Permaneceu estável em 14% para o fim de 2026. Como a taxa está em 14,25%, isso implica um único corte de 0,25 ponto, provavelmente em agosto, seguido de manutenção.
O que é o Boletim Focus?
É uma pesquisa semanal do Banco Central que consolida projeções de mais de cem instituições para inflação, juros, PIB e câmbio. As expectativas são insumo formal das decisões de política monetária.
Por que o mercado não projeta mais cortes?
Por dois fatores externos: o petróleo pressionado pelo conflito entre EUA e Irã, que ameaça a desinflação, e o Fed com três dirigentes votando por alta de juros, o que limita o espaço via câmbio.
Como usar o Focus para investir?
Olhando a direção das revisões, não o nível — o nível já está embutido nos preços dos títulos. O que move o mercado é a mudança de expectativa, e quatro semanas consecutivas na mesma direção são informação relevante.



