Agosto começa com a semana mais decisiva do trimestre. O Copom decide a Selic em 5 de agosto, com corte para 14,00% majoritariamente esperado, e quatro dos maiores nomes da bolsa divulgam balanços em seis dias. Veja o calendário completo, o que está em jogo em cada evento e quais riscos podem mudar o jogo.
Agosto de 2026 concentra a decisão da Selic em 5 de agosto, com cerca de 80% do mercado apostando em corte para 14,00%, e a sequência final da temporada de balanços: Itaú em 4, Bradesco em 5, Petrobras em 6 e Banco do Brasil em 12. Os principais riscos são o petróleo pressionado pelo conflito no Oriente Médio e o Fed com viés de alta.
Principais pontos
- Copom decide a Selic em 5 de agosto: corte para 14,00% é o cenário majoritário.
- Balanços: Itaú (4/ago), Bradesco (5/ago), Petrobras (6/ago) e Banco do Brasil (12/ago).
- Vale já anunciou R$ 2,0307 por ação, com corte em 11 de agosto.
- Riscos: petróleo em alta e Fed com três dirigentes votando por alta de juros.
- Sem sinalização prévia do Fed, cada dado de inflação americana ganha peso.
O calendário da primeira semana
| Data | Evento | O que está em jogo |
|---|---|---|
| 3 de agosto | Boletim Focus | Última leitura formal de expectativas antes do Copom |
| 4 de agosto | Itaú Unibanco + início do Copom | Benchmark de rentabilidade do setor bancário |
| 5 de agosto | Decisão da Selic + Bradesco | Corte de 0,25 ponto e o teste do turnaround do banco |
| 6 de agosto | Petrobras | Geração de caixa e dividendos com barril pressionado |
| 11 de agosto | Data de corte dos proventos da Vale | Último dia para ter a ação e receber R$ 2,0307 |
| 12 de agosto | Banco do Brasil | Fecha o ciclo dos grandes bancos |
A decisão da Selic
O evento central. Cerca de 80% do mercado aposta em corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano. A aposta está ancorada no IPCA-15 de julho a 0,06% e na quarta semana consecutiva de queda na projeção de inflação do Boletim Focus, agora em 5,12% para 2026.
Mais importante que o número é o comunicado. As medianas do Focus indicam um único corte seguido de manutenção até o fim do ano — mas parte dos economistas já incorpora redução adicional em setembro. O que o comitê disser sobre inflação, cenário externo e petróleo vai definir qual dos dois cenários prevalece.
Os balanços que faltam
A temporada bancária começou mal: o Santander reportou queda de 17,6% no lucro, com ROAE de 12,5% e ação caindo 6,4%. A leitura predominante é de problema específico, e a confirmação depende dos concorrentes.
O Itaú, em 4 de agosto, é o benchmark de rentabilidade do setor. O Bradesco, em 5 de agosto, chega como favorito dos analistas, com consenso de lucro em torno de R$ 7 bilhões e projeção de décimo trimestre consecutivo de melhora de ROE, perto de 16%. Se ambos confirmarem, o episódio do Santander fica caracterizado como caso isolado.
A Petrobras, em 6 de agosto, reporta com o barril pressionado — o que favorece receita e alimenta a discussão sobre política de preços e dividendos.
Os dois riscos que podem virar o mês
O primeiro é o petróleo. A escalada entre Estados Unidos e Irã levou o Brent a superar US$ 100 durante julho, e o Estreito de Ormuz — rota de cerca de 20% do petróleo transportado no mundo — segue sendo o ponto sensível. Combustível mais caro chega à inflação com defasagem e encurta o espaço para cortes de juros.
O segundo é o Fed. O banco central americano manteve os juros com três dirigentes votando por alta, e o novo comando abandonou a sinalização prévia. Sem forward guidance, cada dado de inflação e emprego nos Estados Unidos passa a mexer com a curva de juros global — e, por consequência, com o câmbio e o fluxo para emergentes.
O que está a favor
Três fatores sustentam o otimismo. A inflação desacelerando, com o IPCA-15 quase zerado e o IGP-M em deflação de 1,16%. O câmbio, com o dólar caindo a R$ 5,061, menor nível em quase dois meses, o que contém a inflação importada.
E o mercado de trabalho, que criou 145.161 vagas formais em junho — atividade resiliente sem pressão inflacionária evidente, a combinação mais favorável possível para um ciclo de corte de juros.
Como se preparar
Para renda fixa: o corte reduz o rendimento do pós-fixado quase de imediato, enquanto prefixados e IPCA+ se valorizam com a queda das taxas. A regra segue sendo casar prazo do título com prazo do objetivo, tema do guia sobre Selic a 14%.
Para bolsa: boa parte do efeito do corte já está no preço, depois de um julho de alta perto de 3% no Ibovespa. Setores domésticos e sensíveis a crédito tendem a se beneficiar mais que exportadoras.
Para quem busca renda: agosto concentra anúncios de proventos, e a agenda de dividendos reúne data-com e pagamento de cada empresa. A Vale já definiu R$ 2,0307 por ação, com corte em 11 de agosto.
O que não fazer
Operar a agenda. Semanas densas aumentam a volatilidade, e antecipar reações a balanços e decisões de banco central é onde o investidor individual tem a pior desvantagem informacional.
O uso produtivo de um calendário como este é outro: saber o que vem evita ser surpreendido, ajuda a não confundir volatilidade de evento com mudança de fundamento e permite planejar aportes com calma. Nossos guias de como lidar com volatilidade e como montar carteira tratam disso.
Datas conforme calendários divulgados pelas companhias e pelo Banco Central, sujeitas a alteração. Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
Quando o Copom decide a Selic em agosto?
A reunião ocorre em 4 e 5 de agosto, com a decisão divulgada na noite de quarta-feira, dia 5. Cerca de 80% do mercado aposta em corte de 0,25 ponto, para 14,00% ao ano.
Quais balanços saem em agosto?
Itaú Unibanco em 4, Bradesco em 5, Petrobras em 6 e Banco do Brasil em 12 de agosto. A Vale já divulgou em 30 de julho, com proventos de R$ 2,0307 por ação.
Quais são os principais riscos do mês?
O petróleo pressionado pelo conflito entre EUA e Irã, que ameaça a desinflação, e o Fed com três dirigentes votando por alta de juros, num contexto em que o novo comando abandonou a sinalização prévia.
O que está a favor do mercado?
Inflação desacelerando, com IPCA-15 de 0,06% e IGP-M em deflação de 1,16%; câmbio a R$ 5,061, menor nível em quase dois meses; e mercado de trabalho criando 145.161 vagas formais em junho.
Devo mudar minha carteira antes do Copom?
Boa parte do efeito do corte já está nos preços. O mais produtivo é usar o calendário para não ser surpreendido e planejar aportes, em vez de tentar antecipar reações a decisões de banco central e balanços.



