Ao vivo
IBOV177.999▲ +0,47%PETR443,42▲ +1,35%VALE376,28▲ +0,25%DÓLAR5,08▲ +0,07%EURO5,85▲ +0,03%CDI14,15%a.a.IPCA4,64%12m
Mercado

O que esperar do mercado em agosto: Copom, balanços e riscos

A semana mais decisiva do trimestre concentra a decisão da Selic e quatro balanços em seis dias. Veja o que está em jogo e os dois riscos que podem virar o mês.

O que esperar do mercado em agosto: Copom, balanços e riscos
Foto: SHVETS production / Pexels

Agosto começa com a semana mais decisiva do trimestre. O Copom decide a Selic em 5 de agosto, com corte para 14,00% majoritariamente esperado, e quatro dos maiores nomes da bolsa divulgam balanços em seis dias. Veja o calendário completo, o que está em jogo em cada evento e quais riscos podem mudar o jogo.

Resumo rápido

Agosto de 2026 concentra a decisão da Selic em 5 de agosto, com cerca de 80% do mercado apostando em corte para 14,00%, e a sequência final da temporada de balanços: Itaú em 4, Bradesco em 5, Petrobras em 6 e Banco do Brasil em 12. Os principais riscos são o petróleo pressionado pelo conflito no Oriente Médio e o Fed com viés de alta.

Principais pontos
  • Copom decide a Selic em 5 de agosto: corte para 14,00% é o cenário majoritário.
  • Balanços: Itaú (4/ago), Bradesco (5/ago), Petrobras (6/ago) e Banco do Brasil (12/ago).
  • Vale já anunciou R$ 2,0307 por ação, com corte em 11 de agosto.
  • Riscos: petróleo em alta e Fed com três dirigentes votando por alta de juros.
  • Sem sinalização prévia do Fed, cada dado de inflação americana ganha peso.

O calendário da primeira semana

Data Evento O que está em jogo
3 de agosto Boletim Focus Última leitura formal de expectativas antes do Copom
4 de agosto Itaú Unibanco + início do Copom Benchmark de rentabilidade do setor bancário
5 de agosto Decisão da Selic + Bradesco Corte de 0,25 ponto e o teste do turnaround do banco
6 de agosto Petrobras Geração de caixa e dividendos com barril pressionado
11 de agosto Data de corte dos proventos da Vale Último dia para ter a ação e receber R$ 2,0307
12 de agosto Banco do Brasil Fecha o ciclo dos grandes bancos

A decisão da Selic

O evento central. Cerca de 80% do mercado aposta em corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano. A aposta está ancorada no IPCA-15 de julho a 0,06% e na quarta semana consecutiva de queda na projeção de inflação do Boletim Focus, agora em 5,12% para 2026.

Mais importante que o número é o comunicado. As medianas do Focus indicam um único corte seguido de manutenção até o fim do ano — mas parte dos economistas já incorpora redução adicional em setembro. O que o comitê disser sobre inflação, cenário externo e petróleo vai definir qual dos dois cenários prevalece.

Os balanços que faltam

A temporada bancária começou mal: o Santander reportou queda de 17,6% no lucro, com ROAE de 12,5% e ação caindo 6,4%. A leitura predominante é de problema específico, e a confirmação depende dos concorrentes.

O Itaú, em 4 de agosto, é o benchmark de rentabilidade do setor. O Bradesco, em 5 de agosto, chega como favorito dos analistas, com consenso de lucro em torno de R$ 7 bilhões e projeção de décimo trimestre consecutivo de melhora de ROE, perto de 16%. Se ambos confirmarem, o episódio do Santander fica caracterizado como caso isolado.

A Petrobras, em 6 de agosto, reporta com o barril pressionado — o que favorece receita e alimenta a discussão sobre política de preços e dividendos.

Os dois riscos que podem virar o mês

O primeiro é o petróleo. A escalada entre Estados Unidos e Irã levou o Brent a superar US$ 100 durante julho, e o Estreito de Ormuz — rota de cerca de 20% do petróleo transportado no mundo — segue sendo o ponto sensível. Combustível mais caro chega à inflação com defasagem e encurta o espaço para cortes de juros.

O segundo é o Fed. O banco central americano manteve os juros com três dirigentes votando por alta, e o novo comando abandonou a sinalização prévia. Sem forward guidance, cada dado de inflação e emprego nos Estados Unidos passa a mexer com a curva de juros global — e, por consequência, com o câmbio e o fluxo para emergentes.

O que está a favor

Três fatores sustentam o otimismo. A inflação desacelerando, com o IPCA-15 quase zerado e o IGP-M em deflação de 1,16%. O câmbio, com o dólar caindo a R$ 5,061, menor nível em quase dois meses, o que contém a inflação importada.

E o mercado de trabalho, que criou 145.161 vagas formais em junho — atividade resiliente sem pressão inflacionária evidente, a combinação mais favorável possível para um ciclo de corte de juros.

Como se preparar

Para renda fixa: o corte reduz o rendimento do pós-fixado quase de imediato, enquanto prefixados e IPCA+ se valorizam com a queda das taxas. A regra segue sendo casar prazo do título com prazo do objetivo, tema do guia sobre Selic a 14%.

Para bolsa: boa parte do efeito do corte já está no preço, depois de um julho de alta perto de 3% no Ibovespa. Setores domésticos e sensíveis a crédito tendem a se beneficiar mais que exportadoras.

Para quem busca renda: agosto concentra anúncios de proventos, e a agenda de dividendos reúne data-com e pagamento de cada empresa. A Vale já definiu R$ 2,0307 por ação, com corte em 11 de agosto.

O que não fazer

Operar a agenda. Semanas densas aumentam a volatilidade, e antecipar reações a balanços e decisões de banco central é onde o investidor individual tem a pior desvantagem informacional.

O uso produtivo de um calendário como este é outro: saber o que vem evita ser surpreendido, ajuda a não confundir volatilidade de evento com mudança de fundamento e permite planejar aportes com calma. Nossos guias de como lidar com volatilidade e como montar carteira tratam disso.

Datas conforme calendários divulgados pelas companhias e pelo Banco Central, sujeitas a alteração. Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.

Perguntas frequentes


Quando o Copom decide a Selic em agosto?

A reunião ocorre em 4 e 5 de agosto, com a decisão divulgada na noite de quarta-feira, dia 5. Cerca de 80% do mercado aposta em corte de 0,25 ponto, para 14,00% ao ano.


Quais balanços saem em agosto?

Itaú Unibanco em 4, Bradesco em 5, Petrobras em 6 e Banco do Brasil em 12 de agosto. A Vale já divulgou em 30 de julho, com proventos de R$ 2,0307 por ação.


Quais são os principais riscos do mês?

O petróleo pressionado pelo conflito entre EUA e Irã, que ameaça a desinflação, e o Fed com três dirigentes votando por alta de juros, num contexto em que o novo comando abandonou a sinalização prévia.


O que está a favor do mercado?

Inflação desacelerando, com IPCA-15 de 0,06% e IGP-M em deflação de 1,16%; câmbio a R$ 5,061, menor nível em quase dois meses; e mercado de trabalho criando 145.161 vagas formais em junho.


Devo mudar minha carteira antes do Copom?

Boa parte do efeito do corte já está nos preços. O mais produtivo é usar o calendário para não ser surpreendido e planejar aportes, em vez de tentar antecipar reações a decisões de banco central e balanços.


Qual a sua visão sobre esta notícia?

Mudou de ideia? Toque em outra opção para trocar a sua reação.

RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

Ver todos os artigos →

As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


Newsletter Arena Cadastre-se e receba as notícias e análises da Arena no seu e-mail. Assinar grátis Comunidade Debata esta e outras notícias com investidores na nossa comunidade no Reddit. Participar Instagram · @arenadinheiro Gráficos, resumos do mercado e dicas rápidas todos os dias no seu feed. Seguir
Canal no WhatsApp