Ao vivo
IBOV178.0000,00%S&P 5007.601▲ +1,48%PETR443,05▼ −0,85%VALE374,64▼ −2,15%DÓLAR5,07▼ −0,10%EURO5,84▼ −0,18%BTC325.827▲ +0,75%CDI14,15%a.a.IPCA4,64%12m
Mercado

Focus: mercado vê Selic a 13,75% e passa a esperar 2 cortes

A mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 caiu de 14,00% para 13,75% — o mercado passou a embutir dois cortes, e não apenas o de quarta-feira.

Focus: mercado vê Selic a 13,75% e passa a esperar 2 cortes
Foto: Nataliya Vaitkevich / Pexels

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (3) traz uma mudança que passou quase em branco: a mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 caiu de 14,00% para 13,75% ao ano. Como a taxa está hoje em 14,25%, isso significa que o mercado deixou de esperar um único corte e passou a embutir dois — o de quarta-feira e mais um até dezembro. No mesmo boletim, o IPCA de 2026 recuou de 5,12% para 5,03%.

Resumo rápido

No Focus de 3 de agosto de 2026, com dados coletados até 31 de julho, a mediana de 152 instituições para a Selic no fim de 2026 caiu de 14,00% para 13,75% ao ano — dois cortes de 0,25 ponto a partir dos 14,25% atuais, e não apenas um. A projeção de IPCA para 2026 recuou de 5,12% para 5,03%, e para 2027 está em 4,22%. Para 2027, o mercado projeta Selic de 12,00%.

Principais pontos
  • Mediana da Selic para o fim de 2026 caiu de 14,00% para 13,75% ao ano — implica dois cortes de 0,25 ponto.
  • Projeção de IPCA para 2026 recuou de 5,12% para 5,03%; para 2027, está em 4,22%.
  • Para o fim de 2027, o mercado projeta Selic de 12,00% ao ano — outros 1,75 ponto de queda.
  • PIB de 2026 segue em 1,99%, com desaceleração prevista para 1,57% em 2027.
  • Câmbio projetado é de R$ 5,20 no fim de 2026 e R$ 5,28 no fim de 2027.

O que o Focus é e por que essa mudança importa

O Focus é a compilação semanal que o Banco Central faz das projeções de mais de cem instituições financeiras. Não é previsão oficial do BC — é o retrato do que o mercado pensa, publicado toda segunda-feira com dados coletados até a sexta anterior. Nesta leitura, 152 instituições responderam sobre a Selic.

A mudança de 14,00% para 13,75% parece pequena em pontos, mas é grande em significado. Um quarto de ponto na mediana só se move quando dezenas de casas revisam ao mesmo tempo. E o que elas revisaram não foi a decisão de quarta-feira, que já era consenso: foi a expectativa sobre o que vem depois dela.

De um corte para dois: a aritmética

A Selic está em 14,25% ao ano. O Copom se reúne em 4 e 5 de agosto e a curva de juros trabalha com um corte de 0,25 ponto, para 14,00%. Se esse fosse o último movimento do ano, a projeção de fim de 2026 seria justamente 14,00% — que era o número do Focus até a semana passada.

Com a mediana em 13,75%, a leitura muda: o mercado passou a considerar que sobra espaço para mais um corte de 0,25 ponto em uma das reuniões seguintes. Ainda há encontros do Copom entre setembro e dezembro, e a aposta agora é que pelo menos um deles traga nova redução.

Indicador Focus de 3/8 (2026) Focus de 3/8 (2027)
IPCA 5,03% 4,22%
Selic (fim do ano) 13,75% 12,00%
PIB 1,99% 1,57%
Câmbio R$ 5,20 R$ 5,28

O que derrubou a projeção de inflação

A revisão do IPCA não veio de um único dado, mas de uma sequência. A prévia de julho foi o empurrão mais forte: o IPCA-15 avançou apenas 0,06% no mês, desacelerando para 4,52% em 12 meses. Antes dela, o IGP-M de julho havia registrado deflação, sinalizando alívio nos preços no atacado.

A queda do dólar na mesma direção reforçou o movimento. Câmbio mais baixo reduz o custo de insumos importados e de bens com componente em dólar, e o efeito aparece no índice com alguns meses de defasagem. É a combinação dos três — prévia fraca, atacado em queda e real mais forte — que explica a sequência de semanas consecutivas de revisão para baixo no IPCA de 2026.

Onde a inflação projetada ainda incomoda

Aqui está a ressalva que o número bonito esconde. A meta de inflação é de 3,00%, com tolerância de 1,5 ponto percentual — ou seja, o teto é 4,50%. Com o IPCA projetado em 5,03%, o mercado ainda espera que 2026 termine acima do limite superior da meta, e não é pouco: são 0,53 ponto de excesso.

É exatamente esse desconforto que limita a velocidade dos cortes. Um Banco Central que corta juros com a inflação projetada fora da meta corre o risco de desancorar expectativas mais adiante. Para 2027, a projeção de 4,22% já cabe dentro do intervalo — mas o próprio fato de a convergência só ocorrer no ano seguinte é o argumento de quem pede cautela.

O que isso significa para os seus investimentos

Se a trajetória do Focus se confirmar — 13,75% no fim de 2026 e 12,00% no fim de 2027 —, o rendimento de quem está em aplicações pós-fixadas cai junto. Um CDB que paga 100% do CDI rende hoje algo em torno de 14% ao ano bruto; com a Selic a 12%, o mesmo papel renderia perto de 12%, sem que nada tenha mudado no contrato.

É essa expectativa que dá valor a travar taxas prefixadas ou atreladas à inflação agora. E é ela também que sustenta a lógica de quem migra parte da carteira para a Bolsa: juros menores reduzem o retorno da alternativa sem risco e tornam o fluxo de caixa futuro das empresas mais valioso. O tema está desenvolvido em juros em queda: renda fixa ou Bolsa e em por que o fim do ciclo de corte muda a conta do prefixado.

PIB e câmbio: o resto do quadro

O crescimento projetado para 2026 ficou em 1,99%, praticamente estável nas últimas semanas. Para 2027, a mediana é de 1,57% — desaceleração de mais de 0,4 ponto. Não é recessão, mas é uma economia rodando abaixo do que o Brasil precisaria para reduzir desigualdade de renda de forma consistente.

No câmbio, a projeção é de R$ 5,20 no fim de 2026 e R$ 5,28 no fim de 2027. Com o dólar operando perto de R$ 5,08, o mercado projeta portanto uma leve depreciação do real ao longo dos próximos meses — o oposto do movimento recente, que levou a moeda americana aos menores níveis do ano.

O que observar na quarta-feira

A decisão do Copom sai em 5 de agosto, após o fechamento dos mercados. O número em si — corte de 0,25 ponto, para 14,00% — surpreenderia pouco. O que vale ler com atenção é o comunicado: se o Banco Central mantiver a porta aberta para novos cortes, valida a mediana de 13,75%; se sinalizar interrupção do ciclo, o Focus da semana seguinte volta atrás.

Vale lembrar que o presidente do BC afirmou publicamente que não havia sinalização prévia para agosto, justamente para evitar que o mercado tratasse o corte como automático. Para acompanhar a taxa e simular o efeito nos seus investimentos, use as páginas de Selic hoje, CDI hoje e as calculadoras.

Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. As projeções do Focus refletem a mediana das estimativas de instituições financeiras coletadas até 31 de julho de 2026 e mudam semanalmente.

Perguntas frequentes


Qual a projeção da Selic para o fim de 2026?

No Focus de 3 de agosto de 2026, a mediana é de 13,75% ao ano, contra 14,00% na leitura anterior. Como a Selic está em 14,25%, isso implica dois cortes de 0,25 ponto até dezembro.


Qual a projeção de inflação para 2026 e 2027?

O IPCA projetado para 2026 recuou de 5,12% para 5,03%, e para 2027 está em 4,22%. O teto da meta é 4,50%, o que significa que 2026 ainda deve fechar acima do limite.


O que é o Boletim Focus?

É a compilação semanal que o Banco Central faz das projeções de mais de cem instituições financeiras para inflação, juros, câmbio e PIB. Sai toda segunda-feira, com dados coletados até a sexta anterior. Nesta leitura, 152 instituições responderam sobre a Selic.


Se a Selic cair, meu CDB rende menos?

Sim, no caso de aplicações pós-fixadas atreladas ao CDI. Um papel que paga 100% do CDI acompanha a queda da taxa básica automaticamente, sem alteração no contrato. Prefixados e títulos atrelados à inflação travam a taxa no momento da compra.


Quando o Copom decide a Selic em agosto?

A reunião ocorre em 4 e 5 de agosto de 2026, com o anúncio na quarta-feira, dia 5, após o fechamento dos mercados. A curva de juros trabalha com corte de 0,25 ponto, para 14,00% ao ano.


Qual a sua visão sobre esta notícia?

Mudou de ideia? Toque em outra opção para trocar a sua reação.

RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

Ver todos os artigos →

As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


Newsletter Arena Cadastre-se e receba as notícias e análises da Arena no seu e-mail. Assinar grátis Comunidade Debata esta e outras notícias com investidores na nossa comunidade no Reddit. Participar Instagram · @arenadinheiro Gráficos, resumos do mercado e dicas rápidas todos os dias no seu feed. Seguir
Canal no WhatsApp