Desde 10 de setembro a Petrobras cobra R$ 0,44 a mais por litro de gasolina vendida às distribuidoras, com a retirada de um desconto de subvenção. No mesmo movimento, o governo cortou R$ 0,63 de tributo — ou seja, o alívio foi maior que a alta.
Nota de correção (14/09/2026): a versão original desta reportagem informava alta de R$ 0,63 por litro e preço médio de R$ 3,24, com base no comunicado divulgado pela Petrobras na noite de 9 de setembro. Na madrugada de 10 de setembro a companhia corrigiu o anúncio: não houve o ajuste adicional de R$ 0,19, e a alta foi apenas de R$ 0,44, com preço médio de R$ 3,05. O texto foi integralmente revisto. O recuo da companhia é analisado em reportagem própria.
A Petrobras deixou de aplicar, a partir de 10 de setembro de 2026, o desconto de R$ 0,44 por litro na gasolina A vendida as distribuidoras. O preco medio passou a R$ 3,05. A mudanca decorre do fim da vigencia da Medida Provisoria 1.358/2026, e o governo anunciou reducao de R$ 0,63 por litro em PIS/Pasep e Cofins, valor superior a alta, o que resulta em efeito liquido negativo de R$ 0,19 por litro.
Principais pontos
- A Petrobras retirou o desconto de R$ 0,44 por litro da subvenção federal.
- O preço médio da gasolina A às distribuidoras passou a R$ 3,05 por litro.
- A mudança decorre do fim da vigência da Medida Provisória 1.358/2026.
- O governo cortou R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins.
- O corte de tributo superou a alta em R$ 0,19 por litro.
O que mudou
A Petrobras deixou de aplicar, a partir de 10 de setembro de 2026, o desconto de R$ 0,44 por litro na gasolina A vendida às distribuidoras. O preço médio passou de R$ 2,61 para R$ 3,05, alta de 16,86% no valor cobrado pela refinaria.
O comunicado original, divulgado na noite de 9 de setembro, mencionava ainda um ajuste adicional de R$ 0,19 por litro, o que levaria o preço a R$ 3,24. Horas depois a companhia corrigiu a informação: esse ajuste não existia. O episódio e suas implicações estão em o recuo da Petrobras no reajuste.
Por que agora
Não foi decisão de política de preços da companhia. O desconto de R$ 0,44 existia no âmbito de uma subvenção econômica instituída pelo governo federal por meio da Medida Provisória nº 1.358/2026.
Medida provisória tem prazo de validade: se não for convertida em lei dentro do período previsto na Constituição, perde eficácia. Foi o que aconteceu. Com o fim da vigência, o desconto deixou de ter base legal — e o preço voltou ao patamar sem subvenção.
| Componente | Valor por litro |
|---|---|
| Retirada do desconto da subvenção | +R$ 0,44 |
| Redução de PIS/Pasep e Cofins | −R$ 0,63 |
| Efeito líquido às distribuidoras | −R$ 0,19 |
| Preço médio antes | R$ 2,61 |
| Preço médio agora | R$ 3,05 (+16,86%) |
A conta não zera: fica negativa
Este é o ponto central e o que mudou em relação à primeira versão. Com a alta de R$ 0,44 e o corte de tributo de R$ 0,63, o efeito líquido para as distribuidoras não é zero — é uma redução de R$ 0,19 por litro.
A leitura correta, portanto, não é a de uma troca neutra entre subsídio e desoneração. Foi uma substituição em que o instrumento tributário entregou mais alívio do que o subsídio retirado custava. Se isso foi calibragem deliberada ou consequência da revisão do anúncio, não há informação pública que permita afirmar.
A conta fiscal não sumiu — mudou de linha
Antes, o Estado gastava dinheiro para bancar um desconto, o que aparece no orçamento como despesa, na rubrica de subvenção econômica. Agora, o Estado deixa de arrecadar tributo, o que aparece como renúncia de receita.
O custo para o setor público continua existindo; ele apenas trocou de lugar na contabilidade. E as duas formas têm tratamentos diferentes nas regras fiscais e prazos de vigência distintos, o que importa para quem acompanha a meta. O quadro das contas está em arrecadação e meta fiscal.
Gasolina A não é a gasolina do posto
Detalhe técnico que muda a conta e quase nunca é explicado. O que a Petrobras vende às distribuidoras é gasolina A, o produto puro de refinaria. O que você abastece é gasolina C — a mistura da gasolina A com uma parcela obrigatória de etanol anidro, definida por regulação e alterada ao longo do tempo.
Consequência: uma variação de R$ 0,44 na gasolina A não vira R$ 0,44 na bomba, porque o litro do posto contém apenas uma fração de gasolina A. Também entram margem de distribuição, margem do posto e tributos estaduais, que a União não controla. Por que o repasse é imperfeito está em por que a gasolina não acompanha o petróleo.
O que isso não tem a ver com o petróleo
Vale separar duas notícias que aconteceram na mesma semana. O Brent superou US$ 100 e seguiu subindo, chegando acima de US$ 108 na segunda-feira seguinte, após os eventos no Estreito de Ormuz.
A mudança de preço da Petrobras não foi resposta a isso: foi o fim de uma medida provisória, decidido por calendário legal, não por cotação internacional. As duas coisas convivem, e podem se somar adiante — a defasagem em relação à paridade internacional é analisada em a conta que a Petrobras vai ter que fazer.
O que isso significa para você
Sobre o seu tanque: como o corte de tributo superou a alta da refinaria, não havia razão para o preço da bomba subir por causa dessa mudança. Se o seu posto subiu nos dias seguintes, o motivo tende a ser margem local ou repasse defasado.
Sobre inflação: combustível é item de peso alto e efeito rápido no índice. O IPCA de agosto, divulgado em 11 de setembro, veio negativo por outro motivo — o crédito na conta de luz —, como mostramos em a deflação de 0,32%. O efeito desta mudança aparecerá no índice de setembro.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Valores conforme comunicados da companhia e do governo federal de 9 e 10 de setembro de 2026, já considerada a correção divulgada pela Petrobras. Os valores referem-se à gasolina A vendida às distribuidoras e não ao preço final ao consumidor, que inclui etanol anidro em proporção definida por regulação, margens de distribuição e revenda e tributos estaduais.
Perguntas frequentes
Quanto a gasolina subiu na refinaria?
R$ 0,44 por litro, correspondentes à retirada do desconto da subvenção federal. O preço médio da gasolina A às distribuidoras passou de R$ 2,61 para R$ 3,05.
O preço no posto vai subir?
Não por causa dessa mudança. O governo reduziu R$ 0,63 por litro em PIS/Pasep e Cofins, valor superior à alta de R$ 0,44, o que resulta em efeito líquido negativo de R$ 0,19 por litro para as distribuidoras.
Por que o desconto acabou?
Porque terminou a vigência da Medida Provisória nº 1.358/2026, que instituía a subvenção econômica. Medida provisória perde eficácia se não for convertida em lei no prazo previsto.
O governo deixou de gastar com isso?
Não. O custo mudou de forma: antes era despesa, na rubrica de subvenção; agora é renúncia de receita tributária. Continua existindo, em outra linha da contabilidade pública.
Por que se falou em R$ 0,63 e R$ 3,24?
Porque o comunicado divulgado pela Petrobras na noite de 9 de setembro incluía um ajuste adicional de R$ 0,19 por litro. Na madrugada seguinte a companhia corrigiu a informação: esse ajuste não existia.



