A Motiva, a antiga CCR, concluiu a venda de 100% da CPC Holding ao grupo mexicano ASUR e recebeu R$ 5,187 bilhões. Com isso, encerra sua atuação no setor aeroportuário: saem 20 aeroportos, sendo 17 no Brasil.
A Motiva concluiu em 1º de setembro de 2026 a venda da totalidade das ações da CPC Holding, que reunia seus ativos aeroportuários, para o grupo mexicano ASUR. A companhia recebeu R$ 5,187 bilhões pelo equity, em transação cujo valor total, com passivos, alcançou R$ 12,211 bilhões. São 20 aeroportos, dos quais 17 no Brasil.
Principais pontos
- A Motiva vendeu 100% das ações da CPC Holding ao grupo mexicano ASUR.
- O valor recebido pelo equity foi de R$ 5,187 bilhões.
- O valor total da transação, incluindo passivos, alcançou R$ 12,211 bilhões.
- São 20 aeroportos, dos quais 17 no Brasil, mais Equador, Costa Rica e Curaçao.
- O fechamento ocorreu em 1º de setembro, após acordo assinado em 18 de novembro de 2025.
O que foi vendido
A Motiva transferiu 100% das ações da CPC Holding, a estrutura que reunia seus ativos aeroportuários. O comprador é o ASUR, grupo mexicano operador de aeroportos, que passa a deter as participações da ex-CCR em 20 aeroportos.
A distribuição geográfica: 17 no Brasil, mais ativos no Equador, na Costa Rica e em Curaçao. A transferência dos 20 aeroportos foi aprovada pela ANAC, condição necessária para o fechamento.
O calendário da operação
O acordo foi assinado em 18 de novembro de 2025 e o fechamento ocorreu em 1º de setembro de 2026 — pouco mais de nove meses depois, prazo típico para operações que dependem de aprovação regulatória.
Esse intervalo importa para quem investe: entre assinatura e fechamento, o negócio é anúncio, não caixa. Só em 1º de setembro os R$ 5,187 bilhões efetivamente entraram, com ajuste monetário e ajustes de balanço aplicados sobre o valor originalmente pactuado.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Vendedor | Motiva (ex-CCR) |
| Comprador | ASUR (grupo mexicano) |
| Ativo | 100% das ações da CPC Holding |
| Valor do equity recebido | R$ 5,187 bilhões |
| Valor total da transação | R$ 12,211 bilhões |
| Passivos incluídos | R$ 7,024 bilhões |
| Aeroportos | 20, dos quais 17 no Brasil |
| Múltiplo EV/EBITDA (LTM) | 8,8 vezes |
O múltiplo é o dado que decide
Aqui está a informação que separa uma boa venda de uma venda apenas grande. Os ativos foram precificados a um múltiplo EV/EBITDA de 8,8 vezes, considerando o Ebitda dos últimos doze meses.
E o ponto é comparativo: esse múltiplo é superior ao múltiplo em que a própria Motiva negocia em bolsa. Quando uma companhia vende um ativo por múltiplo maior do que aquele pelo qual ela mesma é avaliada, a operação cria valor — troca-se um ativo caro por caixa que reduz dívida ou volta ao acionista. O conceito está em o que é Ebitda.
Por que sair de aeroportos
A decisão tem lógica de foco. Aeroporto é negócio de capital intensivo, prazo longo, receita dependente de tráfego aéreo e com regulação própria — diferente de rodovia e mobilidade urbana, os outros pilares da companhia.
Vender a totalidade, e não uma participação, indica saída definitiva do segmento, não redução de exposição. É movimento oposto ao de conglomerado: em vez de diversificar, concentra. A lógica de venda de ativo em ambiente de juro alto está em por que o M&A aquece com juro alto.
O que o comprador ganha
Para o ASUR, a operação é de escala regional. O grupo já opera aeroportos no México e passa a somar 20 ativos em quatro países da América Latina e do Caribe, incluindo os 17 brasileiros.
Concessão aeroportuária é negócio de economia de escala: sistemas, contratos de fornecedores, negociação com companhias aéreas e gestão de receita comercial se diluem por mais terminais. Comprar uma carteira pronta, com regulação já estabelecida, é atalho para essa escala.
A ação e o próximo passo
Na sexta-feira, MOTV3 subiu 1,94% e fechou a R$ 16,78 — reação positiva, mas contida. Isso é esperado: o negócio foi assinado em novembro de 2025 e o mercado já havia precificado a expectativa. Fechamento de operação anunciada raramente move preço com força.
O que fica em aberto e vale acompanhar é o destino dos R$ 5,187 bilhões: redução de dívida, investimento em rodovia e mobilidade, ou distribuição ao acionista. A escolha diz mais sobre o valor gerado para o investidor do que o preço da venda em si — como avaliar isso está em como ler o balanço de uma empresa.
O que isso significa para você
Três leituras. Sobre os dois números: se você viu manchetes com R$ 12,2 bilhões e outras com R$ 5,187 bilhões, nenhuma está errada — medem coisas diferentes. A explicação está em a diferença entre os dois valores.
Sobre o que verificar: o balanço do terceiro trimestre mostrará o caixa entrando e a dívida líquida depois da operação. É o primeiro documento em que o efeito aparece de forma auditada.
Sobre encolher para valer mais: vender ativo por múltiplo alto cria valor, mas a companhia de 2027 será menor, com menos Ebitda. Múltiplo melhor e resultado absoluto menor podem conviver — e é isso que o mercado terá de reprecificar. A mecânica está em o fluxo de caixa descontado na prática.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Valores e condições conforme divulgação da companhia sobre o fechamento ocorrido em 01/09/2026 e cobertura de mercado; o valor final incorpora ajuste monetário e ajustes de balanço em relação ao acordo assinado em 18/11/2025. O múltiplo EV/EBITDA citado refere-se ao Ebitda dos últimos doze meses conforme informado ao mercado. Cotação de MOTV3 refere-se ao fechamento de 04/09/2026.
Perguntas frequentes
O que a Motiva vendeu?
100% das ações da CPC Holding, estrutura que reunia seus ativos aeroportuários, ao grupo mexicano ASUR. São 20 aeroportos, dos quais 17 no Brasil, mais ativos no Equador, na Costa Rica e em Curaçao.
Quanto a Motiva recebeu?
R$ 5,187 bilhões pelo equity, ou seja, por 100% das ações. O valor total da transação, incluindo R$ 7,024 bilhões de passivos, alcançou R$ 12,211 bilhões.
A venda foi boa para o acionista?
Os ativos foram precificados a um múltiplo EV/EBITDA de 8,8 vezes, superior ao múltiplo em que a própria Motiva negocia em bolsa — o que, em princípio, cria valor. O uso do caixa recebido definirá o efeito final.
Quando o negócio foi fechado?
Em 1º de setembro de 2026, após o acordo assinado em 18 de novembro de 2025 e a aprovação da ANAC para a transferência dos 20 aeroportos.
Por que a ação subiu pouco?
Porque o negócio havia sido anunciado em novembro de 2025 e o mercado já precificava a expectativa. MOTV3 subiu 1,94% na sexta-feira, para R$ 16,78 — fechamento de operação já anunciada raramente move o preço com força.
Ativos citados nesta matéria
Cotações ao vivo, com atraso. Clique para ver a ficha completa. Não é recomendação de investimento.



