A PRIO (PRIO3) venceu os leilões dos blocos Magnetita e Hematita, no norte da Bacia de Campos, na rodada da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizada em 7 de outubro de 2026. Os blocos ficam próximos aos campos de Wahoo e Frade. A companhia vai avaliar seu potencial e considera, em caso de sucesso na exploração, conectá-los à estrutura de produção instalada em Frade.
Última cotação de PRIO3 na B3: R$ 63,03 (+1,58% no dia) em 07/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A PRIO apresentou as ofertas vencedoras para Magnetita e Hematita no regime de partilha, em que uma parcela do petróleo produzido cabe à União conforme as regras do contrato. Os bônus de assinatura são de R$ 93 milhões e R$ 1,6 milhão, respectivamente. O programa exploratório mínimo prevê levantamento sísmico e posterior perfuração de poço em até sete anos; a possível conexão à estrutura de Frade depende do resultado dessa exploração.
Principais pontos
- A PRIO venceu os leilões de Magnetita e Hematita na Oferta Permanente de Partilha da Produção da ANP.
- As ofertas de excedente em óleo à União foram de 32,80% para Magnetita e 7,18% para Hematita.
- Magnetita tem bônus de assinatura de R$ 93 milhões; Hematita, de R$ 1,6 milhão.
- Os blocos ficam no norte da Bacia de Campos, perto de Wahoo e Frade.
- O programa exploratório mínimo será executado em até sete anos, com sísmica 3D e posterior perfuração de poço exploratório.
- Em caso de sucesso, a companhia considera desenvolver os blocos por conexão ao FPSO Valente, localizado em Frade.
O que representam as ofertas de óleo à União
A disputa ocorreu na Oferta Permanente de Partilha da Produção, modalidade de leilão da ANP para áreas sujeitas ao regime de partilha. Nesse modelo, o contrato organiza como a produção será dividida entre a União e a empresa responsável pela atividade. Por isso, a oferta apresentada pela PRIO não aparece apenas como um valor em dinheiro: ela também envolve uma parcela do petróleo.
O documento informa um excedente em óleo de 32,80% para Magnetita e de 7,18% para Hematita. Excedente em óleo é a parcela da produção que entra na divisão depois das deduções previstas no contrato, como a parcela destinada à recuperação de custos. Os percentuais anunciados correspondem à participação oferecida à União nesse excedente, conforme esclarece a versão em inglês do comunicado.
Esses números não representam a fatia da PRIO no capital de uma empresa nem uma participação acionária nos blocos. Também não devem ser lidos como percentuais aplicados diretamente sobre toda a receita futura. São termos da partilha de petróleo, cuja aplicação depende da produção e das regras contratuais.
Assim, os percentuais descrevem as ofertas vencedoras, mas, sozinhos, não medem quanto cada bloco poderá produzir ou gerar em resultado. Para isso, será necessário conhecer o que existe no subsolo e como uma eventual produção poderia ser desenvolvida.
Os bônus são compromissos distintos da exploração
Magnetita tem bônus de assinatura de R$ 93 milhões, enquanto Hematita tem bônus de R$ 1,6 milhão. O bônus é o pagamento associado à assinatura do contrato de exploração e produção. Ele é diferente da parcela de óleo oferecida à União: um é um compromisso financeiro ligado à contratação; a outra trata da divisão de uma eventual produção.
O bônus também não equivale ao orçamento completo do projeto. A avaliação das áreas envolve trabalhos próprios, como o levantamento sísmico e a perfuração previstos no programa exploratório. Se houver desenvolvimento, essa etapa terá atividades e investimentos distintos dos necessários para investigar o potencial dos blocos.
O fato relevante informa os valores dos bônus, mas não detalha a data de pagamento, a fonte dos recursos ou o orçamento da exploração. Portanto, o anúncio permite identificar esses compromissos de entrada, não calcular o custo total para transformar as áreas em projetos produtores.
A investigação começa com sísmica e depois chega ao poço
A PRIO informou que o programa exploratório mínimo será executado em até sete anos. Esse programa é o conjunto de trabalhos previsto para investigar os blocos. A sequência anunciada começa com a aquisição de sísmica 3D, um levantamento que usa ondas para construir uma imagem tridimensional das estruturas abaixo do fundo do mar, e segue com a perfuração de poço exploratório.
A sísmica ajuda a interpretar o subsolo e a identificar estruturas que podem concentrar petróleo e gás. É como montar um mapa antes de escolher onde investigar diretamente. Esse mapa orienta a análise, mas não substitui as informações obtidas pela perfuração.
Já o poço exploratório permite testar uma área e obter dados diretos sobre as rochas e os fluidos encontrados. A ordem descrita pela companhia liga essas duas etapas: primeiro, reunir informações sobre a estrutura geológica; depois, perfurar para aprofundar a avaliação.
Os recursos prospectivos que a PRIO pretende avaliar são estimativas de petróleo e gás potencialmente presentes em áreas ainda não comprovadas pela exploração. Não são o mesmo que reservas, expressão usada para volumes descobertos e considerados recuperáveis sob critérios técnicos e econômicos.
O prazo de até sete anos se refere à execução do programa exploratório mínimo. Não é uma data prevista para começar a produzir petróleo. O comunicado apresenta um caminho de investigação, sem anunciar descoberta, volume de reservas ou calendário de entrada em operação.
A proximidade de Frade explica a alternativa de conexão
Magnetita e Hematita ficam no norte da Bacia de Campos, perto de Wahoo e Frade. Essa localização está ligada à alternativa de desenvolvimento citada pela PRIO: usar um tieback, ou seja, uma conexão submarina que leva a produção de uma área até uma instalação já existente.
A instalação mencionada é o FPSO Valente, localizado no campo de Frade. FPSO é uma unidade flutuante que recebe e processa a produção, armazena petróleo e permite sua transferência para transporte. Na alternativa descrita pela companhia, ela seria o destino da produção dos novos blocos por meio da conexão submarina.
A lógica é aproveitar uma estrutura existente, em vez de tratar cada área como um projeto isolado que necessariamente precisaria de uma unidade própria. Isso explica por que a localização dos blocos importa na análise. A proximidade, porém, é apenas parte da avaliação: as características do que for encontrado também determinam como um projeto pode ser desenvolvido.
A companhia descreve seu modelo de negócio como voltado à aquisição de ativos em produção, ao redesenvolvimento de campos, à eficiência operacional e à redução de custos. O anúncio de Magnetita e Hematita acrescenta uma frente exploratória próxima à sua estrutura. A conexão a Frade é a possibilidade técnica apresentada para aproveitar essa relação geográfica.
O que muda para o acionista
Para quem tem PRIO3, o fato acrescenta novos blocos à agenda de avaliação da companhia, com bônus definidos e um programa exploratório a executar. Trata-se de uma etapa diferente de adquirir um campo que já produz: aqui, o trabalho anunciado começa pela investigação do potencial das áreas.
A distinção prática está entre o resultado do leilão, que já ocorreu, e o desenvolvimento dos blocos, que depende do sucesso exploratório. A notícia não representa petróleo novo entrando imediatamente na produção da PRIO. Ela estabelece os termos apresentados pela empresa e o caminho inicial de avaliação.
A PRIO comunicou o resultado por meio de um fato relevante, instrumento usado para informar acontecimentos que podem influenciar decisões dos investidores. A companhia afirmou que manterá o mercado informado sobre o andamento das avaliações e os potenciais desenvolvimentos em Magnetita e Hematita. Os próximos comunicados poderão mostrar o que os trabalhos encontraram e como a alternativa de conexão a Frade evolui.
Perguntas frequentes
Quais blocos a PRIO venceu no leilão?
A PRIO venceu os leilões de Magnetita e Hematita na Oferta Permanente de Partilha da Produção da ANP. Ambos ficam no norte da Bacia de Campos, próximos aos campos de Wahoo e Frade.
Quanto são os bônus de assinatura?
O bônus de Magnetita é de R$ 93 milhões, e o de Hematita é de R$ 1,6 milhão. Esses pagamentos estão associados à assinatura dos contratos e não representam o custo completo da exploração e de um eventual desenvolvimento.
A PRIO já encontrou petróleo nesses blocos?
O comunicado não anuncia uma descoberta nos blocos. A empresa informou que avaliará os recursos prospectivos e executará um programa com sísmica 3D e posterior perfuração de poço exploratório.
Os sete anos são o prazo para começar a produzir?
Não, o prazo de até sete anos é para executar o programa exploratório mínimo. A PRIO não apresentou uma data de início de produção para Magnetita ou Hematita.
Como os blocos poderiam usar a estrutura de Frade?
A alternativa citada é uma conexão submarina ao FPSO Valente, unidade flutuante de produção localizada em Frade. A companhia condiciona essa possibilidade ao sucesso da exploração.
Ativos citados nesta matéria
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