A Raízen (RAIZ4) e a Raízen Energia tiveram aprovadas, em assembleias realizadas em 30 de outubro de 2026, as medidas societárias necessárias para executar o plano de recuperação extrajudicial do grupo, acordo com credores homologado pela Justiça. As decisões permitem avançar na preparação de um aumento de capital de até R$ 39.796.365.804,50 e na separação dos negócios de energia e distribuição de combustíveis.
Resumo rápido
Os acionistas da Raízen e da Raízen Energia aprovaram mudanças na estrutura de ações e nos estatutos para implementar o plano homologado em 30 de julho de 2026. A capitalização prevê aportes, conversão de parte dos créditos em ações e exercício do direito de preferência pelos demais acionistas. A reunião do Conselho de Administração para deliberar sobre o aumento está prevista para 6 de novembro, com período de preferência de 9 de novembro a 8 de dezembro de 2026.
Principais pontos
- O aumento de capital terá limite de R$ 39.796.365.804,50, com possibilidade de confirmação de um montante menor.
- A operação prevê aporte de até R$ 3,5 bilhões pela Shell e, potencialmente, R$ 500 milhões pela Aguassanta, caso participe.
- As atuais ações preferenciais serão chamadas de classe A, e foi autorizada a possibilidade de emissão de preferenciais classe B.
- O aumento compreenderá emissões simultâneas de ações ordinárias, preferenciais classe B e conjuntos de ações chamados Units.
- A redução de capital aprovada, de até R$ 35 bilhões, ocorrerá mediante entrega de valores mobiliários da Raízen Energia aos acionistas.
- O plano de remuneração em ações passará a abranger até 1% do total de ações após a confirmação da capitalização.
Capitalização prevê aportes e conversão de créditos
As assembleias aprovaram medidas que permitem preparar a capitalização, operação que amplia o capital da empresa. A aprovação do aumento pelo Conselho de Administração ainda será objeto da reunião prevista para 6 de novembro. As decisões integram as medidas para implementar a recuperação extrajudicial.
Segundo o fato relevante, a capitalização prevê aporte de até R$ 3,5 bilhões pela Shell Brazil Holding BV ou por suas afiliadas. Também prevê, potencialmente, R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações ou por suas afiliadas, caso ela opte por participar.
O documento inclui ainda a capitalização de parte dos créditos dos credores e o exercício do direito de preferência pelos demais acionistas. Na conversão de créditos, o credor troca parte do valor que tem a receber por participação na empresa. Esse mecanismo é diferente de um aporte em dinheiro.
Separadamente, o fato relevante estabelece o limite de R$ 39.796.365.804,50 para o aumento. Para esse cálculo, considera que a Cosan não exercerá seu direito de preferência na subscrição das preferenciais classe B. Será admitida a homologação parcial, isto é, a confirmação do aumento por um valor inferior ao máximo previsto.
Emissão terá ações de classes diferentes e Units
A assembleia autorizou a possibilidade de emissão de ações preferenciais classe B, chamadas de PNBs. As preferenciais são uma categoria com direitos definidos no estatuto; as atuais passarão a ser identificadas como classe A, ou PNAs. Essa identificação distingue os papéis usados na estrutura aprovada.
O aumento compreenderá três emissões simultâneas. As ações ordinárias, identificadas pela sigla ON e que dão direito a voto, serão emitidas isoladamente por R$ 0,25 cada. As PNBs terão preço de emissão de R$ 0,25 por ação.
Já as Units, certificados que reúnem ações em um único conjunto, serão emitidas por R$ 0,50 cada. Cada Unit será composta por uma ação ON e uma PNA. Esses são os valores estabelecidos para a emissão no aumento de capital.
Também foi aprovado o aumento do capital autorizado, limite previsto no estatuto que permite ao conselho deliberar sobre aumentos nas condições estabelecidas. As reformas dos estatutos das duas companhias só produzirão efeitos depois da homologação da capitalização da Raízen S.A.
Preferência terá data de corte em 6 de novembro
O direito de preferência permite ao acionista subscrever, ou seja, adquirir na emissão, novas ações nas condições da operação. Segundo o calendário do fato relevante, ele caberá aos titulares de ações ON e/ou PNA ao final do pregão da B3 de 6 de novembro de 2026.
O período para exercer esse direito começará em 9 de novembro e terminará em 8 de dezembro de 2026, inclusive. A partir de 9 de novembro, as ações serão negociadas ex-direito: quem adquirir os papéis a partir dessa data não receberá, com eles, o direito de participar do aumento.
Não haverá subscrição de sobras, etapa em que poderiam ser solicitadas ações não subscritas após o exercício da preferência. Os recursos obtidos com o exercício desse direito serão integralmente destinados à companhia, nos termos do plano.
O fato relevante também remete às demais datas do comunicado ao mercado de 26 de outubro de 2026. O calendário apresentado organiza a participação dos acionistas, enquanto a deliberação do conselho é o próximo marco previsto para o aumento.
Separação destina energia e combustíveis a empresas distintas
A assembleia da Raízen S.A. aprovou uma redução de capital de até R$ 35 bilhões para viabilizar a separação dos negócios. A redução será feita por meio da entrega aos acionistas de valores mobiliários, instrumentos de investimento, emitidos pela Raízen Energia. Portanto, a forma prevista não é um pagamento desse montante em dinheiro.
Pelo desenho do plano, a Raízen Energia concentrará a produção e a comercialização de etanol, açúcar e bioenergia. A Raízen S.A. ficará com a distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. O resultado previsto é a existência de duas companhias abertas, independentes e listadas.
A separação depende do cumprimento de todas as condições previstas no plano, além dos prazos e requisitos legais. A aprovação das assembleias não representa, por si só, a conclusão dessa etapa.
A Raízen iniciará também os preparativos de um processo competitivo para avaliar eventual investimento na distribuição de combustíveis. Uma das possibilidades é uma oferta pública secundária, venda ao público de ações já existentes. A iniciativa será conduzida pela nova administração indicada para esse negócio e ainda é apresentada como avaliação de um investimento eventual.
Remuneração em ações passa a ter nova referência
Os acionistas alteraram o plano de remuneração baseada em ações, aprovado originalmente em 2 de junho de 2021. Esse tipo de remuneração utiliza participação acionária como parte da compensação aos beneficiários.
O volume abrangido passará a corresponder a até 1% do total de ações da companhia, calculado imediatamente após a homologação da capitalização. Assim, o limite terá como referência a quantidade de ações resultante dessa operação, e não a base anterior ao aumento.
O que muda para o acionista
As decisões tratam da estrutura de participação na empresa e da divisão de suas atividades. Em uma emissão, a entrada de novas ações pode reduzir a participação percentual de quem não a acompanha, efeito chamado de diluição. O resultado individual depende das condições da operação e da participação de cada acionista.
Para a capitalização, os próximos marcos informados são a reunião do conselho e o período de preferência. A homologação do aumento será o marco para a entrada em vigor das mudanças estatutárias. As companhias afirmaram que manterão os acionistas e o mercado informados sobre os desdobramentos.
Perguntas frequentes
A Raízen já concluiu o aumento de capital?
Não. As assembleias aprovaram medidas necessárias à operação, e a reunião do Conselho de Administração para deliberar sobre o aumento está prevista para 6 de novembro de 2026. O limite é de R$ 39.796.365.804,50, com possibilidade de confirmação de um valor menor.
Quando posso exercer o direito de preferência?
O prazo informado vai de 9 de novembro a 8 de dezembro de 2026, inclusive. Terão esse direito os titulares de ações ON e/ou PNA ao encerramento do pregão de 6 de novembro, conforme o fato relevante.
O que está previsto para a Shell e a Aguassanta?
A capitalização prevê até R$ 3,5 bilhões da Shell ou de suas afiliadas. Para a Aguassanta ou suas afiliadas, a participação potencial é de R$ 500 milhões, condicionada à decisão de participar.
Como os negócios serão separados?
A Raízen Energia ficará com produção e comercialização de etanol, açúcar e bioenergia, enquanto a Raízen S.A. concentrará distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. A execução depende das condições do plano e dos requisitos e prazos legais.
A redução de capital será paga em dinheiro?
Não é essa a forma aprovada: a redução ocorrerá mediante entrega de valores mobiliários emitidos pela Raízen Energia aos acionistas. O limite autorizado é de R$ 35 bilhões, como parte da separação dos negócios.
Ativos citados nesta matéria
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