Ao vivo
IBOV186.503▲ +0,54%S&P 5007.586▼ −0,45%PETR450,43▲ +3,09%VALE374,60▼ −1,17%DÓLAR5,150,00%EURO5,940,00%BTC391.651▼ −1,28%CDI13,90%a.a.IPCA4,22%12m
Investimentos

Taxa de desconto: o conceito que move o preço das ações

O preço de uma ação é o valor presente dos lucros futuros. Entenda por que empresas de crescimento sofrem tanto mais quando os juros sobem.

Taxa de desconto: o conceito que move o preço das ações
Foto: RDNE Stock project / Pexels

A mesma alta de 2 pontos na taxa de juros derruba 16,5% o valor de um lucro que virá em dez anos — e apenas 3,5% o de um lucro que virá em dois. Esse único cálculo explica quase tudo o que acontece na bolsa quando o juro se mexe.

Resumo rápido

Taxa de desconto é a taxa usada para converter lucros futuros em valor de hoje. O preço de uma ação é o valor presente dos lucros que a empresa vai gerar, e quanto maior a taxa, menor esse valor. O efeito é desproporcional: lucros distantes perdem muito mais valor que lucros próximos quando a taxa sobe, o que explica por que empresas de crescimento caem mais em ciclos de aperto monetário.

Principais pontos
  • Taxa de desconto converte lucros futuros em valor de hoje.
  • Quanto maior a taxa, menor o valor presente de qualquer lucro futuro.
  • Uma alta de 2 pontos corta 16,5% do valor de um lucro que virá em 10 anos.
  • O mesmo aumento corta só 3,5% do valor de um lucro que virá em 2 anos.
  • Por isso empresas de crescimento sofrem mais quando os juros sobem.

Por que o futuro vale menos que o presente

R$ 100 hoje valem mais do que R$ 100 daqui a um ano, e isso não tem nada a ver com inflação. Tem a ver com oportunidade: se você tem o dinheiro agora, pode aplicá-lo e ter mais do que R$ 100 no ano que vem.

A taxa de desconto é justamente o número que traduz isso. Ela responde à pergunta: quanto eu preciso ter hoje para, aplicando à taxa disponível, chegar a determinado valor no futuro? Essa conta ao contrário é o que se chama de valor presente.

A conta que muda tudo

Considere um lucro de R$ 100 que a empresa vai gerar daqui a dez anos. A uma taxa de desconto de 10% ao ano, esse lucro vale hoje R$ 38,55. Se a taxa sobe para 12%, o mesmo lucro passa a valer R$ 32,20 — uma perda de 16,5%.

Agora o mesmo lucro de R$ 100, mas gerado em dois anos. A 10%, vale R$ 82,64. A 12%, vale R$ 79,72 — perda de apenas 3,5%. O aumento de juros foi idêntico nos dois casos. O efeito foi quase cinco vezes maior no lucro distante.

Prazo do lucro Valor presente a 10% Valor presente a 12% Perda
2 anos R$ 82,64 R$ 79,72 -3,5%
5 anos R$ 62,09 R$ 56,74 -8,6%
10 anos R$ 38,55 R$ 32,20 -16,5%

Por isso ações de crescimento sofrem mais

Uma empresa madura, que já dá lucro hoje, tem a maior parte do seu valor em fluxos próximos. Uma empresa de crescimento tem a maior parte do valor em lucros que ainda não existem e que só aparecerão em cinco, dez ou quinze anos.

Quando o juro sobe, as duas caem — mas a segunda cai muito mais, mesmo que nada tenha mudado no negócio dela. Não é o mercado julgando que a empresa piorou. É aritmética de desconto. E isso explica por que setores de tecnologia costumam liderar as quedas em ciclos de aperto monetário e as altas em ciclos de corte.

Do que a taxa de desconto é feita

Ela não é um número arbitrário. Tem, de forma simplificada, duas partes. A primeira é a taxa livre de risco — o que se ganha em um título do governo, sem precisar assumir risco de empresa nenhuma.

A segunda é o prêmio de risco: o retorno adicional que o investidor exige para aceitar a incerteza de uma ação em vez da segurança de um título. Quando a Selic sobe, a primeira parte aumenta. Quando cresce a incerteza política ou institucional, a segunda aumenta. Ambas empurram o preço para baixo pelo mesmo caminho.

Os dois canais desta semana

O Brasil ofereceu uma demonstração das duas pontas em poucos dias. Pelo lado do prêmio de risco, a crise institucional no Supremo elevou a incerteza percebida sobre o país, mecanismo detalhado em risco-país e CDS.

Pelo lado da taxa livre de risco, o Copom e o Federal Reserve decidem juros em 16 de setembro, com expectativa de corte aqui e alta lá fora. Cada decisão mexe diretamente no primeiro componente — e, portanto, no preço de todas as ações ao mesmo tempo. Veja em o que o comunicado do Copom pode dizer.

Como usar isso na prática

A aplicação mais útil não é calcular valor presente de empresa nenhuma — isso exige premissas que você provavelmente não tem. É entender a sensibilidade da sua carteira.

Se você tem muitas empresas cujo valor está em lucros distantes, sua carteira é muito sensível a juros, e vai oscilar bastante a cada reunião de banco central. Se tem empresas maduras, pagadoras de dividendos, a sensibilidade é menor. Nenhuma das duas é melhor — mas saber em qual você está evita susto. Compare cenários nas calculadoras e acompanhe a Selic.

Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Os cálculos são ilustrativos e usam taxas hipotéticas para demonstrar o conceito, sem referência a empresas específicas.

Perguntas frequentes


O que é taxa de desconto?

É a taxa usada para converter lucros futuros em valor de hoje. O preço de uma ação corresponde ao valor presente dos lucros que a empresa vai gerar, e essa conversão depende diretamente da taxa aplicada.


Por que juro alto derruba o preço das ações?

Porque aumenta a taxa de desconto, o que reduz o valor presente dos lucros futuros. Nenhum lucro precisa mudar para que o preço caia: basta que a taxa usada para trazê-los ao presente suba.


Por que ações de crescimento caem mais com juro alto?

Porque a maior parte do valor dessas empresas está em lucros distantes, e lucros distantes perdem muito mais valor presente. Uma alta de 2 pontos corta 16,5% de um lucro de 10 anos e apenas 3,5% de um lucro de 2 anos.


Do que é composta a taxa de desconto?

De forma simplificada, da taxa livre de risco, que é o rendimento de um título do governo, mais um prêmio de risco, que é o retorno adicional exigido para aceitar a incerteza de investir em uma empresa.


Como saber se minha carteira é sensível a juros?

Observe onde está o valor das empresas que você tem. Carteiras concentradas em companhias cujo lucro virá em muitos anos oscilam bastante a cada decisão de banco central; carteiras de empresas maduras e pagadoras de dividendos oscilam menos.


Qual a sua visão sobre esta notícia?

Mudou de ideia? Toque em outra opção para trocar a sua reação.

RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

Ver todos os artigos →

As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


Newsletter Arena Cadastre-se e receba as notícias e análises da Arena no seu e-mail. Assinar grátis Comunidade Debata esta e outras notícias com investidores na nossa comunidade no Reddit. Participar Instagram · @arenadinheiro Gráficos, resumos do mercado e dicas rápidas todos os dias no seu feed. Seguir
Canal no WhatsApp