A Unifique Telecomunicações (FIQE3) teve o processo de registro de sua oferta pública de aquisição de ações, a OPA, suspenso após receber um pedido de assembleia especial para decidir sobre uma nova avaliação da companhia. O requerimento partiu de acionistas que, juntos, detêm mais de 10% das ações em circulação, a parcela disponível no mercado fora do bloco de controle.
Última cotação de FIQE3 na B3: R$ 6,24 (+0,65% no dia) em 16/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Unifique recebeu o pedido em 15 de outubro de 2026, depois do encerramento do pregão. Os acionistas questionam os critérios e as projeções do laudo usado na OPA anunciada pelo controlador. O fato relevante, datado de 16 de outubro, informa que o registro da oferta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está suspenso e que o conselho de administração ainda apreciará a convocação.
Principais pontos
- O pedido foi apresentado por titulares de mais de 10% das ações em circulação.
- A assembleia pretendida decidiria sobre uma nova avaliação, pelo mesmo critério do laudo original ou por outro.
- O laudo questionado foi elaborado pela Apsis Consultoria Empresarial e tem data de 2 de outubro de 2026.
- Os requerentes contestam a avaliação de R$ 5,42 por ação indicada no laudo.
- O processo de registro da OPA na CVM está suspenso desde 16 de outubro de 2026.
- Os acionistas afirmam que poderão convocar a assembleia caso o pedido não seja atendido no prazo de oito dias previsto na legislação citada.
O pedido leva a avaliação da empresa à assembleia
A discussão ocorre dentro da OPA anunciada pelo controlador da Unifique em 2 de outubro de 2026. Segundo a companhia, a operação busca converter seu registro de companhia aberta da categoria A para a categoria B e promover sua saída do Novo Mercado, segmento de listagem com regras próprias de governança.
Os requerentes querem que uma assembleia formada exclusivamente por titulares de ações ordinárias em circulação — ações com direito a voto — delibere sobre a realização de outro laudo. O objetivo declarado é determinar o valor das ações para efeito do preço a ser pago na oferta.
Entre os signatários estão fundos com nomes como 3 Ilhas, SPX, Ori e GTI, além de Fourth Sail Long Short e GMI Global Markets Investments. O grupo é representado pelo advogado Raphael Manhães Martins.
A carta sustenta que existem falhas e imprecisões na metodologia e nas premissas da avaliação original. Essas são alegações dos acionistas requerentes, não conclusões da CVM nem uma avaliação independente apresentada pela Unifique.
Por que os acionistas contestam a média das negociações
Uma das críticas centrais recai sobre o preço médio ponderado por volume, conhecido como VWAP. Nesse cálculo, as negociações com maior quantidade de ações têm mais peso na média. Segundo o requerimento, o laudo escolheu a média dos últimos 12 meses como o critério mais adequado para estimar o valor justo.
Os acionistas argumentam que o volume acumulado ao longo de um ano não basta para demonstrar liquidez, isto é, facilidade de negociar ações. Também afirmam que a concentração dos negócios em determinados períodos torna o resultado dependente da janela escolhida.
Outro ponto é a diferença entre as datas utilizadas. Segundo a carta, a janela da média vai até 1º de outubro de 2026, enquanto os demais critérios adotam 30 de junho de 2026 como data-base.
O grupo também contesta o uso do CPC 46, norma contábil sobre mensuração a valor justo, para justificar a preferência por esse método. Na interpretação dos requerentes, a hierarquia de dados usada nos balanços não determina qual critério deve prevalecer numa avaliação para OPA.
Projeções de receita e investimento também são questionadas
Os acionistas criticam ainda o fluxo de caixa descontado, método que estima quanto o negócio poderá gerar de dinheiro no futuro e traz esses valores para o presente. Segundo o requerimento, esse cálculo chegou a R$ 4,99 por ação no laudo.
A carta afirma que a receita média por cliente de banda larga e telefonia móvel fica nominalmente congelada entre 2027 e 2035. Para os requerentes, essa hipótese limita a receita projetada, enquanto parte dos custos e os investimentos continuam sendo reajustados.
O grupo também compara o crescimento de receita de 14,5% no primeiro semestre de 2026 com as projeções de 6,9% para 2027 e de 5,6% para 2028 atribuídas ao laudo. Na visão dos signatários, essa desaceleração carece de justificativa diante da expansão da empresa e dos investimentos em telefonia móvel.
Nos investimentos, o requerimento questiona a adoção de R$ 396 milhões no último ano projetado, igualando o gasto à depreciação, o reconhecimento contábil do desgaste dos ativos. Segundo os acionistas, o próprio laudo estima uma necessidade menor de manutenção das redes.
O ponto comum dessas objeções é o efeito sobre o caixa: receitas menores ou gastos maiores reduzem o dinheiro projetado como disponível e, por consequência, a avaliação calculada pelo método.
Taxa de desconto e empresas comparáveis entram na disputa
Outra frente é a taxa de desconto, usada para converter o dinheiro esperado no futuro em valor presente. Mantidas as demais hipóteses, uma taxa maior reduz o valor calculado para o negócio.
Segundo o requerimento, o laudo utiliza custo do capital próprio de 15,6%, incluindo um prêmio de risco por tamanho de 2,6%, um adicional associado ao porte da empresa. Os acionistas contestam esse acréscimo e apresentam um teste em que sua retirada leva o custo do capital próprio a 13,0%.
O grupo também aponta tratamento diferente para as empresas usadas como referência. Conforme a carta, uma amostra global de nove companhias serve para calcular parâmetros de risco e financiamento, mas a comparação por resultado operacional é descartada sob o argumento de haver apenas três brasileiras.
Para os requerentes, falta justificar por que o conjunto seria adequado numa etapa e inadequado em outra. A escolha dos comparáveis importa porque empresas usadas como referência influenciam os parâmetros aplicados à Unifique.
O valor das frequências de telefonia móvel é outro foco
Os acionistas afirmam que o laudo não captura adequadamente o espectro de 5G, as faixas de frequência utilizadas para transmitir os sinais da telefonia móvel. Segundo o anexo, a Unifique possui blocos em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.
A tese do grupo é que esses ativos ainda geram pouca receita e resultado operacional. Assim, avaliações baseadas apenas na quantidade atual de assinantes ou nos resultados correntes deixariam de refletir seu potencial econômico.
Com referências de leilões de outros países, os requerentes estimam o valor desse espectro entre R$ 2,33 bilhões e R$ 3,31 bilhões. Trata-se de uma estimativa apresentada pelo grupo para fundamentar o pedido, e não de um novo laudo aprovado.
O que muda para o acionista
A consequência imediata é a suspensão do processo de registro da OPA na CVM. O pedido não equivale à aprovação de uma nova avaliação nem à definição de outro preço para a oferta.
O próximo passo informado pela Unifique é a reunião do conselho de administração para apreciar o requerimento e deliberar sobre a convocação da assembleia especial. O comunicado não estabelece uma data para essa reunião.
Na carta, os acionistas reservam-se o direito de convocar a assembleia caso o requerimento não seja atendido no prazo de oito dias previsto no dispositivo legal citado. A companhia informou que manterá os acionistas e o mercado atualizados sobre os desdobramentos relevantes.
Perguntas frequentes
A OPA da Unifique foi cancelada?
Não há anúncio de cancelamento no fato relevante. A Unifique informou a suspensão do processo de registro da oferta na CVM em decorrência do pedido de assembleia especial.
Por que os acionistas querem outra avaliação?
Os requerentes afirmam que o laudo contém falhas nos critérios e nas projeções usados para avaliar a companhia. Eles questionam, entre outros pontos, a média das negociações, as hipóteses de receita e investimento e o tratamento do espectro de 5G.
A assembleia já tem data marcada?
O fato relevante não informa uma data para a assembleia. Segundo a Unifique, o conselho de administração ainda apreciará o pedido e decidirá sobre a convocação.
O pedido já aumenta o valor da oferta?
Não: o requerimento busca uma deliberação sobre a realização de nova avaliação, sem estabelecer outro preço para a OPA. A aprovação dessa avaliação ainda depende da decisão pretendida na assembleia.
Quem pediu a assembleia especial?
O pedido foi apresentado por um grupo de acionistas que reúne mais de 10% das ações em circulação da Unifique. Entre os signatários há fundos com nomes como SPX, 3 Ilhas, Ori e GTI, representados pelo advogado Raphael Manhães Martins.
Ativos citados nesta matéria
Cotações ao vivo, com atraso. Clique para ver a ficha completa. Não é recomendação de investimento.



