A Unifique Telecomunicações S.A. (FIQE3) informou nesta quarta-feira (2) que sua controladora, a Unitá Participações S.A., decidiu lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar as ações da empresa e retirá-las de negociação na bolsa de valores.
Resumo rápido
A controladora da Unifique quer comprar todas as ações ordinárias que não possui por R$ 6,00 cada. O objetivo é converter a empresa de categoria “A” para “B” na CVM, sair do Novo Mercado da B3 e cancelar a autorização para negociação das ações em mercados regulamentados. O preço oferecido está 10,3% acima da cotação de fechamento desta quarta e supera em R$ 0,58 o valor justo de R$ 5,42 apontado por um laudo de avaliação independente. A efetivação da oferta ainda depende de aprovações regulatórias.
Principais pontos
- A ofertante (Unitá Participações) propõe pagar R$ 6,00 por ação ordinária da Unifique.
- O preço oferecido está acima do valor justo de R$ 5,42 por ação calculado em laudo independente, usando a metodologia do preço ponderado por ação.
- A OPA tem como objetivos a conversão do registro da Unifique na CVM de categoria “A” para “B”, a saída do Novo Mercado da B3 e o cancelamento da autorização para negociação das ações em mercados regulamentados.
- A oferta abrangerá até a totalidade das ações ordinárias em circulação, exceto as já detidas pela controladora e as em tesouraria.
- Acionistas têm um prazo de 15 dias, a partir de 2 de outubro, para requerer a convocação de uma assembleia especial para discutir a operação.
- A efetiva realização da OPA está sujeita a aprovações de autoridades reguladoras, como a CVM.
O que é essa OPA e quem está por trás dela
A oferta pública de aquisição (OPA) é um mecanismo pelo qual um investidor, neste caso a controladora da empresa, se propõe a comprar ações de todos os acionistas que quiserem vender, por um preço determinado e em um prazo definido. É uma oferta “unificada” porque combina dois processos: a saída de uma empresa de um segmento especial de listagem (como o Novo Mercado) e a mudança de categoria de registro na CVM.
A ofertante é a Unitá Participações S.A., acionista controladora da Unifique. Segundo a última composição acionária divulgada pela empresa, a Unitá detinha 65,04% das ações. O comunicado foi enviado à Unifique após o fechamento do mercado e a companhia o divulgou como um fato relevante, que é a comunicação obrigatória de eventos que podem influenciar o preço dos seus papéis.
Quanto a controladora quer pagar pelas ações
O preço fixado pela Unitá Participações é de R$ 6,00 por ação ordinária da Unifique. Para avaliar se esse valor é justo, a controladora contratou uma empresa avaliadora independente, a Apsis Consultoria Empresarial Ltda.
O laudo dessa avaliadora, feito conforme as regras da CVM e do Novo Mercado, apontou um valor justo de R$ 5,42 por ação. Esse número foi calculado usando a metodologia do preço ponderado por ação (em inglês, volume-weighted average price), que leva em conta os preços e volumes negociados das ações no mercado ao longo de um período. O avaliador considerou essa a metodologia mais adequada para o caso.
Portanto, o preço da OPA (R$ 6,00) representa um prêmio de R$ 0,58, ou aproximadamente 10,7%, sobre o valor justo apontado no laudo. Na cotação desta quarta-feira, as ações FIQE3 fecharam a R$ 5,44, valorizando 9,24%. Isso significa que a oferta de R$ 6,00 está cerca de 10,3% acima do último preço de mercado.
Quais são os objetivos da operação
A OPA servirá a três finalidades principais, que estão interligadas:
1. Conversão de categoria na CVM (de “A” para “B”): Atualmente, a Unifique é registrada como uma companhia aberta de categoria “A”. Isso significa que ela tem ações negociadas em bolsa ou no mercado de balcão organizado e está sujeita a todas as obrigações de uma empresa de capital aberto, como divulgação trimestral de resultados (ITR) e anual (DFP), além de manter um programa de relacionamento com investidores (RI). Ao se tornar categoria “B”, a empresa deixa de ter suas ações negociadas em mercados regulamentados. As companhias “B” têm obrigações de disclosure menos frequentes perante a CVM.
2. Saída do Novo Mercado da B3: O Novo Mercado é o segmento de listagem da B3 com os mais altos padrões de governança corporativa. Para nele permanecer, as empresas precisam, por exemplo, ter apenas ações ordinárias (com direito a voto) em circulação e adotar regras mais rígidas para o conselho de administração. A saída desse segmento é um processo regulado que, entre outras coisas, exige uma OPA para garantir uma saída justa aos acionistas minoritários.
3. Cancelamento da autorização de negociação: Este é o efeito prático mais direto para quem tem as ações. Com a conversão para categoria “B” e a saída do Novo Mercado, a autorização para que as ações FIQE3 sejam negociadas na B3 será cancelada. Se a operação se concretizar, as ações deixarão de ter liquidez no mercado à vista da bolsa.
Como funciona o processo e quais são os próximos passos
A carta da controladora informa que o pedido de registro da OPA junto à CVM e de autorização para o leilão junto à B3 seria apresentado nesta quarta-feira, 2 de outubro. No entanto, isso não significa que a oferta já está aberta para os acionistas aceitarem.
A efetiva realização da OPA está sujeita a condições, principalmente a obtenção das aprovações necessárias das autoridades reguladoras, como a própria CVM. O documento é claro ao afirmar que a oferta será conduzida “caso venha a ser efetivada”.
Um ponto importante do calendário já começou: o prazo de 15 dias para que os acionistas titulares de ações em circulação (ou seja, os minoritários) possam requerer a convocação de uma assembleia especial. Nessa assembleia, os acionistas poderiam discutir a operação. É importante notar que a convocação dessa assembleia é um direito dos acionistas, mas a decisão final sobre a OPA é da controladora, desde que obedeça aos preceitos legais e regulatórios.
Se todas as aprovações forem obtidas, a controladora publicará um edital de OPA com todos os detalhes operacionais, incluindo o período em que os acionistas poderão aderir à oferta e vender suas ações pelo preço de R$ 6,00.
O que muda para o acionista
A OPA representa uma decisão importante para quem é acionista minoritário da Unifique. O preço de R$ 6,00 por ação é uma proposta concreta de liquidez, com um prêmio sobre o valor de mercado e sobre a avaliação independente. Para o acionista que aceitar a oferta, ela serve como uma oportunidade de vender seus papéis por um preço definido e sair da sociedade.
Caso a operação se concretize e a empresa deixe o Novo Mercado e se torne categoria “B”, os acionistas que não venderem suas ações na OPA permanecerão como sócios de uma companhia que não terá mais suas ações negociadas na bolsa. Isso significa que a liquidez — a facilidade de comprar ou vender os papéis a qualquer momento — desaparecerá. A venda de participações futuras dependeria de negociações diretas e privadas, o que é geralmente mais complexo.
Enquanto o processo não se conclui, a Unifique afirmou que manterá seus acionistas e o mercado informados sobre novos desdobramentos. A próxima etapa relevante é o fim do prazo de 15 dias para requerimento de assembleia especial, em 17 de outubro, mas a conclusão total da OPA, se aprovada, deve levar mais tempo.
Perguntas frequentes
Quando os acionistas que aceitarem a OPA receberão o dinheiro?
Ainda não há uma data definida para o pagamento. Primeiro, a OPA precisa ser registrada e aprovada pela CVM. Somente após essa aprovação e a publicação do edital final é que será aberto o período para os acionistas aderirem à oferta. O pagamento ocorre depois do término desse período de adesão, seguindo o cronograma que será divulgado no edital.
A OPA da Unifique já está valendo? Posso vender minhas ações agora?
Não, a OPA ainda não está aberta para adesão. O comunicado divulgado em 2 de outubro informa a intenção da controladora e o início do processo regulatório. A venda das ações pelo preço de R$ 6,00 só será possível depois que a oferta for devidamente registrada na CVM, aprovada e lançada oficialmente ao mercado com um edital.
O que significa a empresa sair do Novo Mercado e virar categoria "B"?
Significa que a Unifique deixará de seguir as rígidas regras de governança do Novo Mercado da B3 e também deixará de ter suas ações negociadas na bolsa. Como companhia de categoria "B" na CVM, ela não será mais uma empresa de capital aberto com ações em mercado regulado. Suas ações perderão liquidez e as obrigações de divulgação de informações serão reduzidas.
O acionista é obrigado a vender suas ações na OPA?
Não, a adesão à OPA é voluntária. O acionista pode escolher vender suas ações pelo preço oferecido (R$ 6,00) durante o período da oferta ou pode optar por permanecer como sócio da empresa. No entanto, se a OPA for bem-sucedida e a empresa se tornar categoria "B", quem ficar terá ações sem negociação na bolsa.
Ativos citados nesta matéria
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