O Banco Mercantil do Brasil (BMEB3) registrou lucro líquido de R$ 279,4 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 10% sobre os R$ 254,3 milhões do mesmo período de 2025. A carteira de crédito e as receitas de serviços aumentaram, enquanto a inadimplência avançou e o retorno sobre o patrimônio caiu na comparação anual.
Última cotação de BMEB3 na B3: R$ 48,70 (+3,84% no dia) em 06/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
O Mercantil encerrou o trimestre com R$ 25,3 bilhões em crédito, alta de 17% em um ano, com destaque para os empréstimos consignados. A receita de serviços cresceu 53%, para R$ 359 milhões. Já os atrasos superiores a 90 dias atingiram 4,1% da carteira, e o retorno sobre o patrimônio líquido médio ficou em 39,4% no acumulado de 12 meses.
Principais pontos
- O lucro líquido trimestral chegou a R$ 279,4 milhões, ante R$ 254,3 milhões no terceiro trimestre de 2025.
- A carteira de crédito consignado alcançou R$ 18,6 bilhões, avanço de 27% na comparação anual.
- A originação de crédito, que mede o volume de novas operações, somou R$ 3,2 bilhões, queda de 28% em um ano.
- A inadimplência acima de 90 dias subiu 1,3 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre de 2025, para 4,1%.
- A receita de prestação de serviços atingiu R$ 359 milhões, crescimento anual de 53%.
- O índice de Basileia, que relaciona o capital do banco aos riscos assumidos, passou de 16,1% para 18,5% em um ano.
Lucro cresce, mas retorno sobre o patrimônio recua
A apresentação destaca o 16º recorde trimestral consecutivo na trajetória de resultados do Mercantil. Na série recorrente, que desconsidera efeitos excepcionais para mostrar o desempenho habitual da operação, o lucro acumulado em 12 meses chegou a R$ 1,1 bilhão.
Esse acumulado exclui os efeitos não recorrentes do acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, a PGFN, que afetaram o quarto trimestre de 2025. O mesmo ajuste aparece nos indicadores de rentabilidade apresentados pelo banco.
O ROAE, retorno do lucro sobre o patrimônio líquido médio, ficou em 39,4% nos últimos 12 meses, ante 45% um ano antes. O indicador relaciona o resultado ao capital dos acionistas empregado no negócio. Por isso, lucro maior em reais não significa, necessariamente, retorno percentual maior sobre esse capital.
O patrimônio líquido, valor contábil que resta após descontar as obrigações dos ativos, passou de R$ 2,290 bilhões para R$ 3,341 bilhões na comparação anual. Já o retorno sobre os ativos médios, que compara o lucro ao conjunto de recursos mantidos pelo banco, recuou de 3,4% para 3,1%.
Consignado amplia a carteira, apesar da queda nas novas operações
O crédito consignado, modalidade em que as parcelas são descontadas do salário ou benefício, continuou no centro da operação. Sua carteira chegou a R$ 18,6 bilhões, dos quais R$ 15,6 bilhões estavam ligados a benefícios do INSS e R$ 3 bilhões ao consignado privado.
O saldo total de crédito atingiu R$ 25,3 bilhões, contra R$ 21,6 bilhões no terceiro trimestre de 2025. Segundo a classificação usada pelo Mercantil, 82% da carteira estava em linhas com garantias ou mecanismos de desconto vinculados, como consignado e antecipação do saque do FGTS.
Ao mesmo tempo, o volume de novas operações caiu 28% em um ano, para R$ 3,2 bilhões. Não há contradição entre os movimentos: a carteira é o estoque de empréstimos ainda a receber; a originação mostra apenas as operações feitas no período. O estoque também depende dos pagamentos e vencimentos de contratos anteriores.
Dentro de 2026, houve recuperação da originação entre o segundo e o terceiro trimestres, de R$ 2,625 bilhões para R$ 3,153 bilhões. O banco associa setembro a uma retomada do ritmo no consignado INSS e informa que 100% das novas operações dessa linha passaram por canais próprios, digitais ou agências.
Atrasos longos sobem, enquanto provisões caem no trimestre
A inadimplência acima de 90 dias passou de 2,8% para 4,1% em um ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2026, quando estava em 3,1%, também houve aumento. O indicador mostra a parcela da carteira com pagamentos vencidos há mais de 90 dias.
Nos atrasos entre 15 e 90 dias, o movimento foi diferente na comparação trimestral: o índice caiu de 2,6% para 2,3%. Ainda assim, permaneceu acima dos 1,3% registrados no terceiro trimestre de 2025. As duas faixas ajudam a separar atrasos mais recentes daqueles que já se prolongaram.
O resultado de PDD, provisões para devedores duvidosos que reconhecem perdas esperadas no crédito, somou R$ 305 milhões. Ficou abaixo dos R$ 406 milhões do trimestre anterior, mas acima dos R$ 116 milhões de um ano antes. A medida anualizada em relação à carteira passou de 6,5% para 4,8% entre o segundo e o terceiro trimestres.
O documento ressalva que a Resolução CMN 4.966 alterou os critérios de risco e provisões a partir de janeiro de 2025. Assim, comparações com séries anteriores a essa mudança têm limitações metodológicas.
Serviços avançam em um ano, mas margem financeira diminui
A receita de prestação de serviços chegou a R$ 359 milhões, ante R$ 235 milhões um ano antes. Seguros e assistências responderam por 89,1% dessa receita. Segundo o Mercantil, o foco está em produtos ligados ao público com 50 anos ou mais.
Na comparação com o segundo trimestre, porém, a receita de serviços recuou de R$ 363 milhões. Isso mostra por que a base de comparação importa: uma linha pode crescer em relação ao ano anterior e, ao mesmo tempo, diminuir frente ao trimestre imediatamente anterior.
O resultado da intermediação financeira, diferença entre as receitas e as despesas das operações financeiras, atingiu R$ 1,445 bilhão, alta anual de 22%. Já a margem financeira líquida, que relaciona esse resultado aos ativos que rendem juros, caiu de 17,5% para 16,9%.
Em outras palavras, o banco gerou um resultado financeiro maior em reais, mas menor proporcionalmente à base de ativos remunerados. São medidas distintas de volume e rentabilidade.
Captação aumenta e índice de capital chega a 18,5%
O saldo de captação, dinheiro obtido pelo banco para financiar suas atividades, alcançou R$ 33,8 bilhões, alta de 24% em um ano. Os depósitos a prazo representavam 60% desse total, enquanto as letras financeiras respondiam por 23%. O Mercantil informou que 87% da captação ocorreu por canais próprios.
O índice de Basileia subiu para 18,5%, ante 17,2% no segundo trimestre e 16,1% um ano antes. Esse indicador compara o capital disponível com os riscos das operações: não mede o lucro nem o dinheiro imediatamente disponível em caixa.
A apresentação também registra classificações de crédito das agências Moody’s, Fitch Ratings e S&P. Essas notas expressam avaliações sobre a capacidade de pagamento da instituição, não uma indicação de retorno para suas ações.
O que muda para o acionista
O resultado reúne movimentos diferentes: lucro, carteira e receitas de serviços maiores na comparação anual, ao lado de inadimplência mais alta e rentabilidade percentual menor. A leitura conjunta evita tratar o crescimento do lucro como uma descrição completa do trimestre.
Para o período seguinte, o Mercantil aponta a recuperação da originação do consignado INSS no fim do trimestre e melhorias operacionais no consignado privado. Segundo o banco, essas mudanças favorecem a retomada das novas operações. Trata-se da avaliação da administração sobre o ambiente de negócios, não de um resultado já realizado.
Na prática, os números mostram tanto a expansão da operação quanto o comportamento dos atrasos, das provisões e do capital que sustenta o crédito. São dimensões diferentes do desempenho de uma mesma instituição.
Perguntas frequentes
Quanto o Banco Mercantil lucrou no terceiro trimestre?
O lucro líquido foi de R$ 279,4 milhões no terceiro trimestre de 2026. O valor representa crescimento de 10% sobre os R$ 254,3 milhões registrados no mesmo período de 2025.
A inadimplência do banco aumentou?
Sim. A parcela da carteira com atrasos superiores a 90 dias chegou a 4,1%, contra 2,8% um ano antes. Já os atrasos entre 15 e 90 dias caíram de 2,6% para 2,3% em relação ao trimestre anterior.
Como a carteira cresceu se o banco fez menos empréstimos?
A carteira reúne os empréstimos ainda a receber, enquanto a originação mede somente as novas operações do período. O saldo também depende dos pagamentos e vencimentos dos contratos existentes, por isso os indicadores podem seguir direções diferentes.
Por que o lucro subiu e a rentabilidade caiu?
Lucro é um valor em reais; rentabilidade relaciona esse resultado a uma base, como o patrimônio dos acionistas. O Mercantil teve lucro trimestral maior, mas o retorno sobre o patrimônio líquido médio em 12 meses caiu de 45% para 39,4%.
O lucro acumulado exclui algum efeito extraordinário?
Sim. O lucro de R$ 1,1 bilhão acumulado em 12 meses exclui os efeitos não recorrentes do acordo com a PGFN que afetaram o quarto trimestre de 2025. A apresentação também usa esse ajuste nos indicadores de rentabilidade.
Ativos citados nesta matéria
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