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Suzano lucra R$ 2,084 bilhões no 3T26 e incorpora Arbex aos resultados

Suzano amplia lucro e receita no 3T26 com a entrada da Arbex. Entenda o desempenho dos negócios, a geração de caixa e o aumento da dívida.

Suzano lucra R$ 2,084 bilhões no 3T26 e incorpora Arbex aos resultados

A Suzano (SUZB3) registrou lucro líquido de R$ 2,084 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 6% sobre o mesmo período de 2025. A receita líquida cresceu 36%, para R$ 16,516 bilhões, com a entrada da Arbex, sociedade com a Kimberly-Clark, nas contas da companhia.

Última cotação de SUZB3 na B3: R$ 53,40 (+2,12% no dia) em 06/11/2026 (fonte: Brapi).

Resumo rápido

O resultado da Suzano passou a incluir a Arbex a partir de julho, ampliando o peso dos bens de consumo, como papéis sanitários. O EBITDA ajustado, indicador de desempenho antes de juros, impostos, depreciação e amortização e que exclui itens não recorrentes, chegou a R$ 5,674 bilhões, alta anual de 9%. A aquisição também elevou a dívida, enquanto papel e embalagem registrou queda no resultado operacional.

Principais pontos

  • O lucro líquido aumentou 6% na comparação anual e 15% sobre o segundo trimestre de 2026.
  • A receita líquida somou R$ 16,516 bilhões, com 85% gerados no mercado externo.
  • A Arbex contribuiu com R$ 694 milhões para o EBITDA ajustado do trimestre.
  • As vendas de celulose alcançaram 3,190 milhões de toneladas, alta trimestral de 8% e queda anual de 1%.
  • A geração de caixa operacional, pela definição da companhia, atingiu R$ 3,836 bilhões, aumento anual de 12%.
  • A dívida líquida em dólar chegou a US$ 14,7 bilhões, 15% acima do trimestre anterior.

Arbex muda o tamanho do negócio de bens de consumo

A aquisição de 51% da Arbex, concluída em 1º de julho de 2026, mudou a composição dos resultados. Embora detenha essa participação, a Suzano incorpora 100% das demonstrações financeiras da sociedade às suas contas consolidadas. Isso significa reunir integralmente os números da operação, e não apenas uma parcela equivalente à participação acionária.

O segmento de bens de consumo, que reúne a Arbex e a operação brasileira de papéis sanitários, passou a ser apresentado separadamente. Sua receita atingiu R$ 5,018 bilhões, alta de 600% sobre o terceiro trimestre de 2025. As vendas somaram 299 mil toneladas, avanço de 369%.

Esses saltos refletem principalmente a inclusão da nova operação, e não uma expansão equivalente dos negócios que já estavam nas contas. O EBITDA ajustado do segmento chegou a R$ 803 milhões, dos quais R$ 694 milhões vieram da Arbex. No Brasil, o indicador foi de R$ 109 milhões, crescimento anual de 31%, explicado por maior volume vendido e menor custo caixa por tonelada.

Celulose vende mais que no trimestre anterior, mas preço recua

A celulose continuou como o principal negócio da Suzano. A receita do segmento foi de R$ 9,640 bilhões, aumento de 8% sobre o segundo trimestre e de 4% na comparação anual. O EBITDA ajustado atingiu R$ 4,805 bilhões, com altas de 12% e 5%, respectivamente.

Na comparação trimestral, a melhora veio do maior volume vendido, da redução de custos e da valorização do dólar médio frente ao real. Esses efeitos compensaram parcialmente a queda de 2% no preço médio líquido em dólar e o aumento das despesas comerciais e administrativas.

O preço médio líquido da celulose exportada ficou em US$ 591 por tonelada, 13% acima do registrado um ano antes. Já as vendas totais do segmento ficaram 1% abaixo do terceiro trimestre de 2025. Portanto, o avanço anual do resultado não veio de mais toneladas vendidas.

Segundo a companhia, o mercado chinês de celulose de fibra curta melhorou gradualmente ao longo do trimestre. A Suzano relaciona esse movimento à queda dos estoques nos portos, ao custo maior da madeira importada e ao anúncio de atraso de um projeto asiático.

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Custo da celulose cai no trimestre; papel e embalagem perde margem

O custo caixa de produção de celulose, medida dos gastos de produção que exclui o efeito das paradas gerais de manutenção, ficou em R$ 825 por tonelada. Houve queda de 2% sobre o segundo trimestre, mas aumento de 3% em relação ao mesmo período de 2025.

A distinção entre as comparações ajuda a interpretar o resultado: o custo recuou no trimestre, mas ainda superou o patamar de um ano antes. A Suzano atribuiu a redução recente ao menor consumo de insumos, à diluição de custos fixos pelo maior volume produzido e ao menor custo com madeira. Na comparação anual, pesaram os preços de insumos e os gastos com madeira.

Em papel e embalagem, a receita cresceu 4% em um ano, para R$ 2,470 bilhões, mas o EBITDA ajustado caiu 48%, para R$ 277 milhões. A margem desse indicador, parcela da receita que ele representa, recuou de 22% para 11%. Segundo a companhia, dificuldades operacionais em Pine Bluff, custos logísticos e efeitos cambiais pressionaram o desempenho.

Resultado financeiro ajuda o lucro, mas não equivale a dinheiro em caixa

Além da operação industrial, as contas financeiras contribuíram para o lucro. O resultado financeiro líquido ficou positivo em R$ 1,146 bilhão, contra R$ 1,052 bilhão um ano antes e resultado negativo de R$ 10 milhões no segundo trimestre de 2026.

As operações com derivativos, contratos usados pela Suzano para proteção contra oscilações financeiras, tiveram resultado positivo de R$ 2,500 bilhões. Esse número inclui a marcação a mercado, atualização contábil do valor dos contratos conforme as condições de mercado, e não corresponde integralmente a recebimentos no período.

O efeito líquido no caixa dos derivativos que venceram no trimestre foi positivo em R$ 368 milhões. A diferença mostra por que lucro e entrada de dinheiro precisam ser lidos separadamente.

Também houve diferença entre o ritmo da receita e o do EBITDA ajustado: a primeira cresceu 36% em um ano, enquanto o segundo avançou 9%. A margem consolidada do EBITDA ajustado ficou em 34%, ante 43% no terceiro trimestre de 2025.

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Aquisição eleva dívida e muda a leitura da alavancagem

A dívida líquida em dólar aumentou 15% sobre o trimestre anterior, para US$ 14,7 bilhões. Segundo a Suzano, o movimento refletiu o pagamento de US$ 1,3 bilhão pela aquisição da Arbex e a incorporação de aproximadamente US$ 0,9 bilhão de dívida líquida da sociedade.

A alavancagem, relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado, passou de 3,4 vezes para 3,7 vezes em dólar. O cálculo usa o EBITDA dos últimos doze meses, mas inclui apenas o terceiro trimestre da Arbex, porque sua aquisição ocorreu em julho.

Na conta pro forma, que simula a inclusão do EBITDA ajustado da Arbex pelos últimos doze meses, a relação ficou em 3,4 vezes. São bases diferentes de comparação, não dois valores distintos para a dívida.

A geração de caixa operacional foi de R$ 3,836 bilhões. Nesse indicador, a companhia desconta do EBITDA ajustado os investimentos de manutenção pagos no período. Já o fluxo de caixa livre ajustado informado pela Suzano atingiu R$ 2,6 bilhões no trimestre.

O que muda para o acionista

O resultado passa a retratar uma Suzano com maior participação de bens de consumo, que respondeu por 30% da receita líquida no trimestre. Isso altera a comparação com períodos anteriores: parte do crescimento resulta da incorporação de uma operação que não estava nas contas, enquanto a compra também aumenta o endividamento consolidado.

Há ainda um efeito contábil nas vendas de celulose para a Arbex. Antes destinadas a terceiros, essas transações passaram a ocorrer dentro do grupo e são eliminadas na consolidação. Segundo a Suzano, a receita e a margem correspondentes serão reconhecidas quando a Arbex realizar a venda final; a companhia classifica o impacto do trimestre como temporário e não recorrente.

Para interpretar o balanço, a separação por segmentos permite distinguir a contribuição da aquisição, o desempenho da celulose e a queda operacional de papel e embalagem. O lucro consolidado reúne esses movimentos e também o resultado financeiro.

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Perguntas frequentes

Quanto a Suzano lucrou no terceiro trimestre de 2026?

A Suzano teve lucro líquido de R$ 2,084 bilhões no período. O valor cresceu 6% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e 15% sobre o segundo trimestre de 2026.

Por que a Arbex aparece inteira no balanço se a Suzano comprou 51%?

A Suzano informou que consolida 100% das demonstrações financeiras da Arbex, embora detenha 51% do capital. A consolidação reúne os números da operação nas contas do grupo, em vez de incluir somente o percentual da participação societária.

O custo de produzir celulose caiu ou subiu?

Caiu em relação ao trimestre anterior, mas subiu na comparação anual. O custo caixa sem paradas ficou em R$ 825 por tonelada, redução trimestral de 2% e aumento de 3% sobre o terceiro trimestre de 2025.

Por que a dívida da Suzano aumentou?

Segundo a companhia, o aumento refletiu o pagamento pela aquisição da Arbex e a inclusão da dívida líquida dessa sociedade. A dívida líquida consolidada em dólar chegou a US$ 14,7 bilhões, alta de 15% sobre o trimestre anterior.

O ganho com derivativos entrou todo no caixa?

Não: o resultado positivo de R$ 2,500 bilhões inclui ajustes contábeis no valor dos contratos. O efeito líquido no caixa dos derivativos que venceram no trimestre foi positivo em R$ 368 milhões.

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RD

Redação Arena do Dinheiro

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