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Lojas Quero-Quero tem prejuízo de R$ 46,9 milhões no 3T26, apesar de vendas maiores

Lojas Quero-Quero amplia vendas, mas registra prejuízo de R$ 46,9 milhões no 3T26. Entenda a pressão nas margens e a redução da dívida.

Lojas Quero-Quero tem prejuízo de R$ 46,9 milhões no 3T26, apesar de vendas maiores

A Lojas Quero-Quero (LJQQ3) registrou prejuízo líquido de R$ 46,9 milhões no terceiro trimestre de 2026, ante perda de R$ 42,1 milhões no mesmo período de 2025. As vendas cresceram, mas a pressão sobre os serviços financeiros limitou o avanço do lucro bruto, e a despesa financeira aumentou.

Última cotação de LJQQ3 na B3: R$ 1,05 (-4,55% no dia) em 06/11/2026 (fonte: Brapi).

Resumo rápido

A receita operacional líquida da Quero-Quero subiu 7,9%, para R$ 750,4 milhões, enquanto as vendas nas mesmas lojas avançaram 12,0%. O crescimento não se transformou em lucro: a margem consolidada caiu, e a companhia também deixou de reconhecer um benefício fiscal no resultado. A dívida líquida ajustada recuou na comparação anual, embora as atividades operacionais ainda tenham consumido caixa no trimestre.

Principais pontos

  • O prejuízo contábil foi de R$ 46,9 milhões; na medida ajustada pela companhia, a perda ficou em R$ 30,8 milhões.
  • A receita bruta, já descontadas devoluções e abatimentos, cresceu 9,6%, para R$ 864,3 milhões.
  • O lucro bruto atingiu R$ 230,0 milhões, alta de 2,0%, abaixo do crescimento da receita.
  • A margem dos serviços prestados caiu de 41,3% para 35,6% na comparação anual.
  • A dívida líquida ajustada terminou setembro em R$ 385,7 milhões, contra R$ 427,4 milhões um ano antes.
  • A rede encerrou o trimestre com 578 lojas, após duas inaugurações, e investiu R$ 7,9 milhões.

Varejo cresce mais que os negócios financeiros

O varejo foi o principal motor da expansão da Quero-Quero. A receita dessa atividade aumentou 13,1% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e representou 68,9% da receita total. A empresa vende materiais de construção, além de eletrodomésticos e móveis, e oferece serviços financeiros por meio do VerdeCard.

As vendas nas mesmas lojas, indicador que compara unidades presentes nos dois períodos, avançaram 12,0%. Essa medida ajuda a separar o desempenho da operação já existente do crescimento que pode vir da abertura de lojas. Assim, a expansão das vendas não dependeu apenas das inaugurações do trimestre.

Segundo a administração, o resultado reflete o reforço do atendimento e da proposta de valor ao cliente iniciado no segundo semestre de 2025. A companhia interpreta o desempenho como consolidação de ganho de mercado. Essa é a avaliação da empresa sobre sua estratégia, e não uma medição independente apresentada no release.

Os negócios financeiros cresceram menos. A receita de serviços financeiros somou R$ 241,1 milhões, alta de 2,5%, enquanto a atividade de cartão de crédito avançou 1,5%. O volume transacionado no VerdeCard aumentou 10,3% tanto dentro das lojas quanto fora delas, mas esse movimento não se converteu em crescimento equivalente da receita.

Crédito mais restrito muda a composição das receitas

A Quero-Quero informou que apertou os critérios de concessão de crédito no início de 2026. Na prática, reduziu a oferta de linhas de maior risco. Segundo a administração, essa escolha limita receitas e margens no curto prazo, mas busca preservar a qualidade dos valores a receber dos clientes.

A carteira líquida com juros do VerdeCard encerrou o trimestre em R$ 1.088 milhões, alta de 19,0% em relação ao ano anterior. Já o indicador de atraso acima de 90 dias passou de 11,7% para 12,4%. A companhia afirma que esse nível permanece alinhado ao seu histórico.

A margem de serviços prestados caiu de 41,3% para 35,6%. O documento atribui a pressão ao maior provisionamento para atrasos — reconhecimento de perdas esperadas com crédito — e à mudança na composição dos produtos oferecidos. A empresa também relata leve melhora dessa margem em relação ao trimestre imediatamente anterior.

No varejo, a direção foi diferente: a margem bruta subiu 0,3 ponto percentual, para 22,6%. Ainda assim, a margem consolidada caiu 2,0 pontos percentuais, para 26,6%. Esses percentuais usam a receita bruta após devoluções e abatimentos como base, critério que a companhia adota para manter a comparação diante de mudanças fiscais.

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Por que o aumento das vendas não virou lucro

O lucro bruto, valor que sobra da receita após os custos dos produtos e serviços, aumentou apenas 2,0%, para R$ 230,0 milhões. Já as despesas operacionais cresceram 2,1%, para R$ 229,8 milhões. As despesas com vendas subiram 2,9%, enquanto as gerais e administrativas recuaram 4,1%.

O resultado financeiro líquido, que reúne receitas e despesas financeiras, foi negativo em R$ 46,7 milhões, com aumento de 5,5% na despesa. Esse componente ajuda a explicar por que vender mais não bastou para encerrar o trimestre com lucro.

Houve também um efeito fiscal. A companhia não reconheceu um ativo fiscal diferido de R$ 15,5 milhões decorrente do prejuízo fiscal do trimestre. Trata-se de um benefício tributário potencial para utilização futura, não de dinheiro recebido naquele momento. Segundo o release, seu reconhecimento contábil será reavaliado periodicamente.

O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 34,4 milhões, queda de 3,1%. Na versão ajustada, ficou em R$ 3,2 milhões. Essa medida exclui itens não recorrentes, despesas do plano de opções de compra de ações, forma de remuneração baseada no direito de adquirir papéis, e efeitos do IFRS 16, norma de contabilização de arrendamentos.

O prejuízo ajustado foi de R$ 30,8 milhões. Seu cálculo retira os efeitos do plano de opções, do IFRS 16 e do não reconhecimento do ativo fiscal. É uma medida não contábil da companhia e não substitui a perda contábil de R$ 46,9 milhões.

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Dívida recua, mas operação ainda consome caixa

A dívida líquida ajustada, medida de endividamento após descontar recursos financeiros e aplicar os critérios da companhia, caiu R$ 41,7 milhões na comparação anual. Terminou setembro em R$ 385,7 milhões. A administração relaciona essa redução ao trabalho de gestão do fluxo de caixa.

Isso não significa que houve entrada líquida de caixa operacional no trimestre. A demonstração financeira registra consumo de R$ 30,9 milhões nas atividades operacionais, menor que os R$ 89,6 milhões consumidos um ano antes. Portanto, houve melhora, mas o saldo trimestral continuou negativo.

No acumulado de janeiro a setembro, a operação gerou R$ 126,9 milhões, contra R$ 46,5 milhões no período equivalente de 2025. Caixa e lucro medem coisas diferentes: o primeiro acompanha entradas e saídas de recursos; o segundo inclui receitas, custos e efeitos contábeis que não necessariamente movimentam dinheiro naquele instante.

Os investimentos caíram 39,2%, para R$ 7,9 milhões. O valor incluiu inaugurações, reformas, manutenção, logística e tecnologia. As novas lojas ficam em Rondon, no Paraná, e Rosana, em São Paulo. Das 578 unidades da rede, 418 tinham mais de cinco anos de operação.

O que muda para o acionista

O resultado mostra duas trajetórias distintas: as vendas do varejo cresceram, mas a rentabilidade consolidada não acompanhou. Para o acionista, isso significa que o avanço comercial, isoladamente, ainda não apareceu como lucro no balanço. De janeiro a setembro, a perda contábil acumulada chegou a R$ 159,8 milhões, ante R$ 119,3 milhões um ano antes.

A redução da dívida e o menor consumo operacional de caixa no trimestre também fazem parte desse quadro, sem eliminar o prejuízo. São dimensões diferentes do negócio: capacidade de vender, margem obtida e recursos disponíveis para sustentar a operação.

A administração mantém a estratégia de priorizar fluxo de caixa e qualidade da carteira de crédito e espera continuidade da evolução operacional. Também informou que pretende expandir para todas as lojas a jornada de trabalho 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, já adotada em 104 unidades. Essa expectativa de melhora é da companhia, não uma garantia de resultado futuro.

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Perguntas frequentes

A Quero-Quero teve lucro ou prejuízo no trimestre?

A empresa teve prejuízo líquido contábil de R$ 46,9 milhões no terceiro trimestre de 2026. No mesmo trimestre de 2025, a perda havia sido de R$ 42,1 milhões.

Como as vendas aumentaram e a empresa continuou no prejuízo?

O lucro bruto cresceu menos que a receita, enquanto as despesas operacionais e a despesa financeira aumentaram. A margem dos serviços prestados caiu, e o resultado também foi afetado pelo não reconhecimento de um benefício fiscal.

O que significa o prejuízo ajustado de R$ 30,8 milhões?

É o resultado calculado pela companhia após excluir determinados efeitos contábeis. Nesse caso, foram retirados os efeitos do plano de opções de ações, da norma de arrendamentos IFRS 16 e do não reconhecimento do ativo fiscal diferido.

A dívida caiu mesmo com a empresa perdendo dinheiro?

Sim, a dívida líquida ajustada recuou de R$ 427,4 milhões para R$ 385,7 milhões na comparação anual. Prejuízo contábil e movimentação de caixa são medidas diferentes, e a administração atribuiu a redução à gestão do fluxo de caixa.

O que são vendas nas mesmas lojas?

É uma comparação das vendas de unidades presentes nos dois períodos analisados, que ajuda a separar o desempenho da rede existente do efeito das inaugurações. Na Quero-Quero, esse indicador cresceu 12,0% no terceiro trimestre de 2026.

Ativos citados nesta matéria

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RD

Redação Arena do Dinheiro

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