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Como ler o balanço de um banco: Itaú e Bradesco

Se você abrir o relatório procurando o lucro e parar ali, perde o essencial. Em banco, o número que resume a qualidade do resultado é outro.

Como ler o balanço de um banco: Itaú e Bradesco
Foto: Joel de la cruz / Pexels

Itaú divulga o balanço do segundo trimestre nesta terça-feira (4) e o Bradesco na quarta (5). Se você abrir os dois relatórios procurando “lucro” e parar ali, vai perder o essencial — balanço de banco não se lê como balanço de empresa comum. Não há margem sobre produto vendido: há juros cobrados menos juros pagos, inadimplência e capital regulatório. O Itaú vem de um ROE de 24,8%.

Resumo rápido

Balanço de banco tem métricas próprias: margem financeira, inadimplência, índice de eficiência, provisões e ROE. O Itaú reporta o 2T26 em 4 de agosto e o Bradesco em 5 de agosto. No primeiro trimestre, o Itaú teve lucro recorrente de R$ 12,28 bilhões com ROE de 24,8%. Analistas projetavam cerca de R$ 12,34 bilhões no segundo trimestre. O ROE é o número que resume a qualidade do resultado.

Principais pontos
  • Itaú divulga o 2T26 em 4 de agosto e o Bradesco em 5 de agosto de 2026.
  • No 1T26 o Itaú teve lucro recorrente de R$ 12,28 bilhões e ROE de 24,8%.
  • Projeções apontavam lucro recorrente próximo de R$ 12,34 bilhões no 2T26 do Itaú.
  • Em banco, o número que resume qualidade é o ROE — retorno sobre o patrimônio líquido.
  • Provisão para devedores duvidosos é a linha que mais permite suavizar resultado entre trimestres.

Por que banco não se analisa como empresa comum

Numa indústria, você compara receita com custo de produzir e chega à margem. Em banco, a matéria-prima é dinheiro: ele capta a um custo — poupança, CDB, letras — e empresta a um preço maior. A diferença entre os dois é a margem financeira, o equivalente ao lucro bruto de uma fábrica.

Isso muda tudo na análise. Estoque não existe; o “estoque” é a carteira de crédito. Inadimplência não é um detalhe operacional, é o principal risco do negócio. E há um regulador definindo quanto capital próprio o banco precisa manter — restrição que nenhuma empresa comum tem.

ROE: o número que resume tudo

Retorno sobre patrimônio líquido é o lucro dividido pelo capital dos acionistas. Ele responde à única pergunta que importa: cada real que o acionista deixou no banco gerou quantos centavos de lucro no ano?

O Itaú fechou o primeiro trimestre com ROE de 24,8%. Para dimensionar: significa render quase 25% sobre o capital próprio num país onde o título público paga 14%. É um dos maiores retornos do setor bancário mundial, e explica por que os grandes bancos brasileiros negociam a múltiplos elevados. O conceito está em ROE, ROIC e margem líquida.

As cinco linhas que realmente contam

Métrica O que mede Direção desejada
Margem financeira Juros recebidos menos juros pagos Crescendo
Inadimplência (acima de 90 dias) Fatia da carteira que não está sendo paga Estável ou caindo
Provisões (PDD) Dinheiro reservado para perdas esperadas Coerente com a inadimplência
Índice de eficiência Despesa operacional sobre receita Quanto menor, melhor
ROE Lucro sobre patrimônio líquido Alto e estável

A ordem de leitura importa. Comece pela margem financeira, para saber se o negócio principal cresceu. Vá para a inadimplência, para saber a que custo. Depois provisões e eficiência. O lucro é consequência dessas quatro — e o ROE, o resumo.

Onde mora a pegadinha: a provisão

Provisão para devedores duvidosos é o dinheiro que o banco reserva porque espera não receber parte dos empréstimos. É uma estimativa, feita com modelos internos — e é a linha do balanço com mais espaço para julgamento.

Aí está o risco de leitura. Um banco pode aumentar o lucro do trimestre provisionando menos, sem que nada tenha melhorado na carteira. Se você vê lucro subindo com provisão caindo e inadimplência subindo, o resultado é frágil: a conta foi empurrada para frente. O sinal saudável é lucro crescendo com inadimplência controlada e provisão estável.

O que “lucro recorrente” quer dizer

Bancos brasileiros reportam lucro contábil e lucro recorrente. O segundo exclui itens extraordinários — venda de participação, reestruturação, efeitos fiscais pontuais — para mostrar quanto o banco ganha com a operação normal.

É o recorrente que o mercado usa para comparar trimestres, e foi nele que o Itaú somou R$ 12,28 bilhões no primeiro trimestre, com projeções de mercado apontando cerca de R$ 12,34 bilhões no segundo — crescimento de aproximadamente 1% na comparação trimestral. Vale reforçar: enquanto não divulgado, isso é projeção, não fato.

Por que dois bancos grandes podem divergir tanto

Porque a composição da carteira decide o resultado num ciclo de juros altos. Banco com mais crédito consignado e financiamento imobiliário — modalidades com garantia — sofre menos inadimplência que banco com peso maior em cartão de crédito e crédito pessoal sem garantia.

A prova recente veio do Santander, que reportou queda de 17,6% no lucro do segundo trimestre. Não é que o setor inteiro vá mal: é que cada banco tem exposição diferente ao mesmo cenário. Ler o consolidado do setor sem abrir por instituição leva a conclusões erradas.

O que a queda da Selic muda para os bancos

Duas forças opostas. Juro menor reduz a margem em algumas operações e diminui a receita da tesouraria, que aplica o caixa próprio em títulos públicos. Por outro lado, juro menor melhora a capacidade de pagamento do cliente, o que tende a reduzir inadimplência e liberar provisões — e aumenta a demanda por crédito.

O saldo costuma ser positivo no médio prazo, com defasagem de trimestres. É por isso que os comentários da gestão na teleconferência, sobre expectativa de crescimento da carteira, costumam mexer mais na ação do que o número do trimestre. A decisão do Copom sai nesta quarta — detalhes em Copom: a que horas sai a decisão da Selic.

Roteiro para acompanhar esta semana

Itaú na terça, Bradesco na quarta, e ainda Petrobras e B3 na quinta. Para os dois bancos, o comparativo mais útil é o ROE lado a lado: ele neutraliza a diferença de tamanho e mostra quem usa melhor o capital do acionista.

Depois, olhe inadimplência e provisão para saber se o lucro tem lastro. E por último os proventos: bancos brasileiros são pagadores relevantes de dividendos e JCP, e o anúncio costuma vir junto do balanço. Para comparar indicadores, use o comparador de ativos, a página de ações e o roteiro geral em como ler o balanço de uma empresa.

Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Os resultados do segundo trimestre de 2026 de Itaú e Bradesco não estavam divulgados na publicação desta matéria; projeções de analistas podem divergir do resultado efetivo.

Perguntas frequentes


Quando Itaú e Bradesco divulgam o balanço do 2T26?

O Itaú Unibanco reporta em 4 de agosto de 2026 e o Bradesco em 5 de agosto. Na mesma semana também divulgam Petrobras e B3, em 6 de agosto.


O que é ROE de um banco?

É o lucro dividido pelo patrimônio líquido, ou seja, quanto o banco gera de lucro sobre o capital dos acionistas. O Itaú fechou o primeiro trimestre de 2026 com ROE de 24,8%.


O que é margem financeira?

É a diferença entre os juros que o banco recebe dos empréstimos e os juros que paga para captar dinheiro. Equivale ao lucro bruto de uma empresa comum e é a principal fonte de receita bancária.


Qual a diferença entre lucro contábil e lucro recorrente?

O lucro recorrente exclui itens extraordinários, como venda de participações e efeitos fiscais pontuais, para mostrar o resultado da operação normal. É o número usado para comparar trimestres.


Por que a provisão é a linha mais importante de vigiar?

Porque é uma estimativa feita pelo próprio banco. Lucro subindo com provisão caindo e inadimplência em alta indica resultado frágil, com a conta empurrada para trimestres futuros.


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RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

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As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


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