A Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo, que opera como Enel Distribuição São Paulo, registrou lucro líquido de R$ 349,3 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 49,1% sobre o mesmo período de 2025. A revisão das estimativas de perdas com contas de clientes e a redução das despesas de depreciação e amortização, que distribuem contabilmente o valor dos ativos ao longo do tempo, ajudaram o resultado.
Resumo rápido
A Enel São Paulo aumentou o lucro mesmo com queda de 2,6% na receita líquida trimestral, que ficou em R$ 5,7 bilhões. O desempenho foi favorecido pela redução de provisões, valores reconhecidos na contabilidade para cobrir perdas estimadas. Os investimentos chegaram a R$ 916,1 milhões, enquanto a dívida líquida cresceu 34,7% em relação a setembro de 2025. A análise sobre uma possível recomendação de encerramento antecipado da concessão continuava sem conclusão.
Principais pontos
- O lucro líquido de janeiro a setembro somou R$ 818,4 milhões, crescimento de 21,4%.
- O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, atingiu R$ 1,235 bilhão no trimestre, alta de 12,6%.
- A margem EBITDA, parcela da receita líquida representada por esse resultado, passou de 18,73% para 21,66%.
- Os investimentos acumulados nos nove meses chegaram a R$ 2,4 bilhões, avanço de 28,8%.
- A dívida líquida, que desconta as disponibilidades da dívida bruta, alcançou R$ 12,736 bilhões.
- A votação na Aneel sobre eventual recomendação de caducidade da concessão foi interrompida por pedido de vista em 6 de outubro.
Revisão das perdas com clientes ajuda a explicar o lucro
O principal impulso ao desempenho operacional veio da redução de R$ 305,8 milhões nos custos e despesas gerenciáveis, excluídos construção, depreciação e amortização. Esse conjunto de gastos caiu 40,6% no trimestre, para R$ 447,4 milhões. Dentro dessa mudança, a redução das provisões respondeu por R$ 288,5 milhões.
Segundo a companhia, foram atualizados os parâmetros usados para estimar quanto das contas dos clientes pode não ser recuperado. A revisão considerou informações históricas mais recentes e expectativas de recuperação das carteiras, especialmente a parcela que se espera perder em caso de inadimplência.
Há uma diferença entre gastar menos na operação e rever uma estimativa contábil. Ambos podem melhorar o resultado, mas reduzir uma provisão não significa, por si só, receber aquele valor em dinheiro. Neste trimestre, a revisão das perdas estimadas teve papel central na queda das despesas.
O EBITDA cresceu mesmo com a redução da margem bruta, valor que resta da receita após os custos diretamente associados ao serviço. A margem bruta em reais caiu 9,1%, de R$ 1.850,4 milhões para R$ 1.682,8 milhões. Separadamente, a margem EBITDA subiu de 18,73% para 21,66%, avanço de 2,93 pontos percentuais. São indicadores diferentes: o primeiro mostra um valor após determinados custos; o segundo relaciona o EBITDA à receita líquida.
O lucro também foi favorecido pela queda de R$ 41 milhões nas despesas de depreciação e amortização. A revisão da vida útil regulatória de determinados ativos, realizada em dezembro de 2025, alongou os prazos de amortização e reduziu a despesa reconhecida em cada período. Nos nove meses, o EBITDA somou R$ 3,436 bilhões, alta de 12,6%.
Receita cai apesar do aumento no volume de energia
A receita líquida total ficou em R$ 5,704 bilhões no trimestre, enquanto o volume de venda e transporte de energia cresceu 3,1%. O faturamento da distribuidora não depende apenas do consumo: tarifas, perfil dos clientes e registros previstos na regulação também entram nessa conta.
Sem a receita de construção, registro associado às obras da concessão, e a atualização do ativo financeiro da concessão, valor reconhecido como direito financeiro ligado ao contrato, a receita líquida foi de R$ 4,817 bilhões, queda de 3,1%. A empresa apontou como principal explicação a redução de R$ 857,5 milhões nos registros de ativos e passivos financeiros setoriais, que refletem valores a recuperar ou devolver pelas tarifas.
Parte desse efeito foi compensada pelo reajuste tarifário médio de 10,18%, vigente desde 4 de julho de 2026, e pelo crescimento do uso da rede por consumidores livres. Esses clientes compram energia de outros fornecedores, mas continuam usando a infraestrutura da distribuidora para recebê-la.
A receita de uso da rede por esse grupo aumentou 23,8%, para R$ 1,104 bilhão. Já o volume no mercado cativo, formado pelos clientes que compram energia da própria distribuidora, avançou 0,5% no trimestre.
De janeiro a setembro, a receita líquida total cresceu 5,4%, para R$ 17,165 bilhões. As variações trimestrais citadas são comparações com o mesmo período do ano anterior, não com o trimestre imediatamente anterior.
Dívida maior aumenta a despesa financeira
A dívida bruta encerrou setembro em R$ 13,307 bilhões. Descontadas as disponibilidades, a dívida líquida chegou a R$ 12,736 bilhões, ante R$ 9,454 bilhões um ano antes.
Segundo a companhia, o aumento da dívida bruta refletiu principalmente novas captações para financiar e refinanciar investimentos, além do reconhecimento de encargos. Pagamentos de dívidas e juros compensaram parte desse crescimento.
O resultado financeiro teve despesa líquida de R$ 454,6 milhões no trimestre, aumento de 10%. As despesas líquidas relacionadas à dívida cresceram R$ 143,4 milhões, efeito parcialmente compensado pela redução de outras despesas financeiras.
A relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos 12 meses passou de 2,31 para 2,88 vezes. O indicador compara o endividamento com o resultado operacional de referência; não representa um prazo literal de pagamento. A empresa informou que cumpriu os índices financeiros exigidos em seus contratos em setembro.
Investimentos crescem, mas indicadores de interrupção divergem
A distribuidora investiu R$ 916,1 milhões no trimestre, alta de 20,6%. Os projetos de crescimento receberam R$ 442,8 milhões, incluindo R$ 193,1 milhões destinados ao programa de medidores inteligentes. A manutenção somou R$ 272,5 milhões, dos quais R$ 117,3 milhões foram direcionados a atividades relacionadas a emergências.
Entre janeiro e setembro, foram instalados 1.330 equipamentos de telecontrole, que permitem comandar dispositivos da rede à distância, ante 605 no mesmo intervalo de 2025. A companhia também executou aproximadamente 512 mil podas preventivas até setembro e ampliou em 908 pessoas a força de trabalho própria e terceirizada.
Os indicadores de qualidade seguiram direções diferentes. O DEC, que mede a duração equivalente das interrupções por unidade consumidora, ficou em 6,64 nos últimos 12 meses, redução de 3,5% sobre setembro de 2025. O FEC, que mede a frequência equivalente dessas interrupções, subiu 21,7%, para 4,34.
A companhia atribuiu o aumento da frequência principalmente ao maior número de ocorrências. Informou que intensifica os planos de qualidade e de podas e busca alcançar, até dezembro de 2026, a meta regulatória de DEC estabelecida para o ano.
Por que isso importa
O balanço reúne crescimento do lucro, revisão de estimativas contábeis e expansão dos investimentos, ao mesmo tempo que a dívida e suas despesas aumentam. Esses resultados não encerram a discussão sobre a concessão, contrato que autoriza a prestação do serviço.
Segundo o comunicado, a Aneel iniciou em 6 de outubro a apreciação de uma possível recomendação de caducidade, o encerramento antecipado da concessão, mas um pedido de vista interrompeu a deliberação. Até a data do documento, não havia recomendação concluída, e a análise da prorrogação contratual permanecia suspensa.
A empresa esclareceu que uma eventual recomendação da agência não obriga o Ministério de Minas e Energia, responsável pela decisão sobre a caducidade. O comunicado também relata que, em 23 de setembro de 2026, o Tribunal de Contas da União determinou à agência e ao ministério a apresentação, em 60 dias, de um plano para garantir a continuidade do serviço após o término da concessão atual, em 2028.
Perguntas frequentes
Quanto a Eletropaulo lucrou no terceiro trimestre?
O lucro líquido foi de R$ 349,3 milhões no terceiro trimestre de 2026, 49,1% acima do registrado um ano antes. No acumulado de janeiro a setembro, a companhia ganhou R$ 818,4 milhões, alta de 21,4%.
Como o lucro cresceu se a receita caiu?
A queda das despesas, sobretudo das provisões para perdas com contas de clientes, ajudou a compensar a receita menor. A revisão da vida útil de determinados ativos também reduziu as despesas de depreciação e amortização.
A margem EBITDA aumentou ou caiu?
A margem EBITDA aumentou de 18,73% para 21,66%, avanço de 2,93 pontos percentuais. Já a margem bruta em reais caiu 9,1%; os indicadores medem etapas diferentes do resultado.
A Enel São Paulo já perdeu a concessão?
O comunicado não relata perda da concessão: até sua data, a Aneel não havia concluído uma recomendação de caducidade. A companhia informou que eventual recomendação não vincula o Ministério de Minas e Energia, a quem cabe a decisão sobre o encerramento antecipado.
As faltas de energia ficaram menos frequentes?
Não segundo o FEC apresentado: o indicador de frequência das interrupções aumentou 21,7% em relação a setembro de 2025. Já o DEC, que mede a duração equivalente das interrupções, recuou 3,5% na mesma comparação.


