O FIES financia até 100% da mensalidade de cursos privados e cobra juro zero para famílias com renda de até um salário mínimo por pessoa. Acima disso, a taxa fica entre 3% e 5% ao ano — muito abaixo de qualquer crédito de mercado.
O Fundo de Financiamento Estudantil permite financiar até 100% das mensalidades em instituições privadas credenciadas. Podem participar candidatos com renda familiar por pessoa de até três salários mínimos, o que equivale a R$ 4.863 em 2026, que tenham feito o Enem a partir de 2010 com média mínima de 450 pontos e nota diferente de zero na redação. A taxa é zero para renda de até um salário mínimo por pessoa.
Principais pontos
- O financiamento cobre até 100% das mensalidades de cursos de graduação privados credenciados.
- A renda familiar por pessoa pode chegar a três salários mínimos, ou R$ 4.863 em 2026.
- É preciso ter feito o Enem a partir de 2010, com média mínima de 450 pontos e redação diferente de zero.
- Para renda de até um salário mínimo por pessoa, a taxa de juros é zero.
- Entre um e três salários mínimos por pessoa, os juros ficam entre 3% e 5% ao ano.
Quem pode se inscrever
São três exigências combinadas, e todas precisam ser atendidas.
A primeira é de renda: a renda familiar bruta por pessoa não pode ultrapassar três salários mínimos — R$ 4.863 com o mínimo de R$ 1.621 em 2026. A conta soma a renda de todos os moradores da casa e divide pelo número de pessoas.
A segunda é de desempenho: ter participado do Enem a partir de 2010, com média mínima de 450 pontos nas provas objetivas e nota diferente de zero na redação.
A terceira é negativa: quem já possui diploma de graduação não pode contratar novo financiamento pelo programa.
Os juros, por faixa de renda
Este é o ponto que diferencia o FIES de qualquer alternativa privada. Para famílias com renda de até um salário mínimo por pessoa, a taxa é zero — o estudante devolve apenas o valor financiado, corrigido conforme as regras do programa.
Para renda entre um e três salários mínimos por pessoa, a taxa varia entre 3% e 5% ao ano. Para efeito de comparação, o crédito pessoal não consignado cobrava 57,33% ao ano em junho de 2026, e o rotativo do cartão, 54,02%. Não existe linha de crédito comparável no mercado brasileiro.
| Renda familiar por pessoa | Juros do FIES |
|---|---|
| Até 1 salário mínimo (R$ 1.621) | Zero |
| De 1 a 3 salários mínimos (até R$ 4.863) | 3% a 5% ao ano |
| Referência: crédito pessoal no mercado | 57,33% ao ano |
Como funciona o pagamento
O financiamento tem três fases. Durante a graduação, o estudante paga apenas um valor reduzido, destinado a cobrir parte dos encargos. Ao concluir o curso, entra o período de carência, em que o pagamento segue reduzido enquanto o recém-formado busca colocação. Depois começa a amortização, com parcelas calculadas em função do saldo devedor e do prazo.
O programa prevê modalidades de pagamento vinculadas à renda do egresso, mecanismo pensado para evitar que a prestação inviabilize o orçamento de quem ainda não se estabeleceu profissionalmente. O prazo de amortização é longo, o que reduz a parcela mas estende o compromisso por anos.
O que financiar com juro baixo não resolve
Vale ser honesto sobre os limites. Juro zero ou de 3% ao ano é excelente, mas o financiamento continua sendo dívida — e ela existirá independentemente de o diploma render o retorno esperado.
Antes de contratar, três perguntas importam mais que a taxa. O curso tem empregabilidade compatível com o custo? Nem toda graduação privada devolve, em salário, o que custou em mensalidades. A instituição é credenciada e bem avaliada? Nota baixa no MEC significa diploma com menos valor no mercado. Existe alternativa pública ou bolsa? ProUni oferece bolsa parcial ou integral sem gerar dívida, e as universidades públicas seguem sendo gratuitas.
As alternativas ao FIES
O ProUni concede bolsas de 50% ou 100% em instituições privadas, também com base no Enem e na renda familiar — e, por ser bolsa, não gera endividamento. Muitos estudantes se qualificam para os dois programas e nem consideram o primeiro.
Há ainda os financiamentos privados oferecidos por empresas especializadas e pelas próprias faculdades. Costumam ter aprovação mais fácil e menos exigências, mas cobram juros de mercado — em outro patamar de custo. Quem tem acesso ao FIES raramente deveria preferir essas opções.
E existe a alternativa de poupar antecipadamente, quando o horizonte permite: aportes mensais em Tesouro IPCA+ com vencimento próximo do início do curso protegem o valor da mensalidade da inflação educacional, como explica qual título escolher para cada objetivo.
O que preparar antes de se inscrever
A documentação costuma travar candidaturas por falta de organização. São exigidos comprovantes de renda de todos os membros do grupo familiar, documento de identidade, CPF e comprovante de matrícula.
Vale reunir esses papéis antes de o edital abrir, porque os prazos de inscrição e de comprovação nas instituições são curtos. E conferir se o curso e a instituição pretendidos estão entre os credenciados no programa — nem toda faculdade privada participa.
O que isso significa para o orçamento familiar
Financiamento estudantil é uma das poucas dívidas defensáveis do ponto de vista financeiro, porque compra um ativo que tende a aumentar a renda futura — desde que curso e instituição sejam bem escolhidos.
Ainda assim, entrar na vida adulta com dívida limita escolhas nos primeiros anos de carreira, justamente quando aportes periódicos rendem mais, pelo efeito do tempo. Quem puder combinar bolsa parcial, trabalho e financiamento menor reduz esse peso. Vale ler quanto rende começar cedo e como investir o primeiro salário.
Conteúdo informativo e educacional, sem aconselhamento sobre contratação de crédito. Regras e faixas conforme o programa vigente em 2026, calculadas sobre o salário mínimo de R$ 1.621; condições podem ser alteradas a cada edital e devem ser conferidas nos canais oficiais.
Perguntas frequentes
Quem pode fazer o FIES em 2026?
Candidatos com renda familiar por pessoa de até três salários mínimos, ou R$ 4.863, que tenham feito o Enem a partir de 2010 com média mínima de 450 pontos e redação diferente de zero, e que não possuam diploma de graduação.
Qual a taxa de juros do FIES?
Zero para famílias com renda de até um salário mínimo por pessoa. Entre um e três salários mínimos por pessoa, a taxa fica entre 3% e 5% ao ano.
O FIES cobre a mensalidade inteira?
Pode cobrir até 100% das mensalidades em instituições privadas credenciadas, conforme a renda familiar e as condições do edital vigente.
Qual a diferença entre FIES e ProUni?
O FIES é financiamento e gera dívida a ser paga após a formatura. O ProUni é bolsa de estudos, de 50% ou 100%, e não precisa ser devolvido. Muitos candidatos se qualificam para os dois.
Quando começo a pagar o FIES?
Durante o curso paga-se um valor reduzido, seguido de um período de carência após a formatura. A amortização propriamente dita começa depois, com parcelas calculadas conforme saldo devedor e prazo.



