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Economia

IGP-M a 3,16%: como calcular o reajuste do aluguel em 2026

Com o índice acumulado em 3,16%, um aluguel de R$ 1.500 vai a R$ 1.547,40. Veja a tabela de cálculo e por que o IGP-M não é obrigatório no contrato.

IGP-M a 3,16%: como calcular o reajuste do aluguel em 2026
Foto: Pavel Danilyuk / Pexels

Chegou o aniversário do contrato e o proprietário informou o reajuste. Para contratos corrigidos pelo IGP-M, o índice acumulado em 12 meses ficou em 3,16% — bem abaixo dos patamares assustadores de anos anteriores. Veja como calcular o valor novo, o que fazer se a conta não bater e por que esse número está tão baixo.

Resumo rápido

O IGP-M acumulado em 12 meses ficou em 3,16%, índice aplicado a contratos de aluguel com aniversário em julho de 2026. Para calcular, multiplique o valor atual do aluguel por 1,0316. O índice registrou queda de 0,50% em junho, após alta de 0,84% em maio, refletindo o comportamento mais contido dos preços no atacado.

Principais pontos
  • IGP-M acumulado em 12 meses: 3,16%.
  • Cálculo: valor atual multiplicado por 1,0316.
  • Em junho de 2026 o índice caiu 0,50%, após alta de 0,84% em maio.
  • A Lei do Inquilinato não obriga o uso do IGP-M — o índice é definido em contrato.
  • Reajuste é anual e pode ser negociado, mesmo quando previsto em contrato.

Como calcular o reajuste

A conta é uma multiplicação. Você pega o valor atual do aluguel e multiplica pelo índice acumulado em 12 meses, somado a 1. Com o IGP-M em 3,16%, o fator é 1,0316.

Aluguel atual Cálculo Novo valor Aumento
R$ 1.000 1.000 × 1,0316 R$ 1.031,60 R$ 31,60
R$ 1.500 1.500 × 1,0316 R$ 1.547,40 R$ 47,40
R$ 2.500 2.500 × 1,0316 R$ 2.579,00 R$ 79,00
R$ 4.000 4.000 × 1,0316 R$ 4.126,40 R$ 126,40

Atenção a um detalhe que gera discussão: o índice a aplicar é o acumulado em 12 meses referente ao mês definido em contrato — normalmente o mês anterior ao aniversário. Alguns contratos usam o penúltimo mês. Conferir essa cláusula evita cobrança errada.

Por que o IGP-M está tão baixo

Um acumulado de 3,16% em 12 meses é um alívio para quem lembra de 2021, quando o índice passou de 30% e provocou uma onda de renegociações. A explicação está na composição.

O IGP-M é calculado pela Fundação Getulio Vargas e combina três índices: preços no atacado, com peso de 60%; preços ao consumidor, com 30%; e custo da construção, com 10%. Como o atacado domina o cálculo, o índice é muito sensível ao dólar e às commodities.

Com o câmbio comportado ao longo de 2026 — o dólar tem oscilado em torno de R$ 5,12 — a pressão vinda de produtos negociados em moeda estrangeira ficou contida. O índice chegou a registrar variação negativa de 0,50% em junho, após alta de 0,84% em maio. Detalhamos o funcionamento no guia sobre o que é o IGP-M.

O IGP-M não é obrigatório

Este é o ponto que a maioria dos inquilinos não sabe. A Lei do Inquilinato não determina qual índice deve corrigir o aluguel — ela apenas estabelece que o reajuste tem periodicidade mínima anual e que as condições são definidas no contrato.

Isso significa que proprietário e inquilino podem acordar IGP-M, IPCA, INPC, IVAR ou outro índice oficial. O IGP-M é tradição de mercado, não exigência legal. Depois das altas de 2020 e 2021, muitos contratos novos migraram para o IPCA, que mede a inflação ao consumidor e tende a ser mais previsível.

Quando o IGP-M é melhor para você

Depende do lado do contrato e do momento. Neste ciclo, o IGP-M em 3,16% está abaixo do IPCA, que acumula 4,52% em 12 meses. Ou seja: para o inquilino, o IGP-M está favorável agora; para o proprietário, o IPCA renderia reajuste maior.

Isso se inverte em cenários de dólar em alta, quando o atacado dispara e o IGP-M sobe muito acima da inflação ao consumidor. Nenhum dos dois é sempre melhor — o que existe é adequação ao risco que cada parte aceita correr. Vale conferir os dois números no painel de indicadores antes de negociar.

Reajuste é negociável

Ter um índice previsto em contrato não impede conversa. Em mercados com oferta abundante de imóveis, muitos proprietários preferem conceder reajuste menor a arriscar vacância — que custa meses sem receita, além de despesas de nova locação.

Se você vai negociar, três argumentos ajudam: o valor de imóveis semelhantes na região, o seu histórico como pagador pontual e o custo que o proprietário teria com a troca de inquilino. Negociação com dados funciona melhor que apelo.

O que fazer se a conta não bater

Confira três coisas antes de contestar. Primeiro, se o índice aplicado é o do mês correto conforme o contrato. Segundo, se foi usado o acumulado em 12 meses, e não a soma simples de variações mensais. Terceiro, se não houve inclusão indevida de outros valores — condomínio e IPTU seguem regras próprias e não entram no reajuste do aluguel.

Se a diferença persistir, o caminho é solicitar por escrito a memória de cálculo. Administradoras costumam corrigir erros aritméticos sem resistência quando confrontadas com a conta detalhada.

Como se preparar para o próximo reajuste

Acompanhar o índice ao longo do ano, em vez de descobrir o percentual no mês da renovação, dá tempo de se organizar ou de preparar a negociação. A FGV divulga o IGP-M mensalmente, com prévias durante o mês.

E vale provisionar no orçamento. Aluguel é a maior despesa fixa de muitas famílias, e um reajuste anual não deveria surpreender ninguém — mas surpreende, porque poucos acompanham. O método do nosso guia de planejamento financeiro pessoal ajuda a antecipar esse impacto no fluxo mensal.

Índices conforme divulgação da FGV. Confira sempre a cláusula do seu contrato para identificar o mês de referência aplicável.

Perguntas frequentes


Qual o IGP-M para reajuste de aluguel agora?

O índice acumulado em 12 meses está em 3,16%, aplicável a contratos com aniversário em julho de 2026 conforme a cláusula contratual de referência.


Como calcular o reajuste do aluguel pelo IGP-M?

Multiplique o valor atual pelo fator 1,0316. Um aluguel de R$ 1.500 passa a R$ 1.547,40, com aumento de R$ 47,40.


O aluguel tem que ser reajustado pelo IGP-M?

Não. A Lei do Inquilinato estabelece apenas a periodicidade mínima anual e deixa as condições para o contrato. As partes podem acordar IPCA, INPC, IVAR ou outro índice oficial.


Por que o IGP-M está baixo em 2026?

Porque 60% do índice vem dos preços no atacado, muito sensíveis ao dólar e às commodities. Com o câmbio comportado, essa pressão ficou contida — o índice chegou a cair 0,50% em junho.


Posso negociar o reajuste?

Sim. Mesmo previsto em contrato, o reajuste é negociável na prática, porque a vacância custa caro ao proprietário. Argumentos úteis são o valor de imóveis semelhantes na região e o histórico de pagamento pontual.


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RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

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