Chegou o aniversário do contrato e o proprietário informou o reajuste. Para contratos corrigidos pelo IGP-M, o índice acumulado em 12 meses ficou em 3,16% — bem abaixo dos patamares assustadores de anos anteriores. Veja como calcular o valor novo, o que fazer se a conta não bater e por que esse número está tão baixo.
O IGP-M acumulado em 12 meses ficou em 3,16%, índice aplicado a contratos de aluguel com aniversário em julho de 2026. Para calcular, multiplique o valor atual do aluguel por 1,0316. O índice registrou queda de 0,50% em junho, após alta de 0,84% em maio, refletindo o comportamento mais contido dos preços no atacado.
Principais pontos
- IGP-M acumulado em 12 meses: 3,16%.
- Cálculo: valor atual multiplicado por 1,0316.
- Em junho de 2026 o índice caiu 0,50%, após alta de 0,84% em maio.
- A Lei do Inquilinato não obriga o uso do IGP-M — o índice é definido em contrato.
- Reajuste é anual e pode ser negociado, mesmo quando previsto em contrato.
Como calcular o reajuste
A conta é uma multiplicação. Você pega o valor atual do aluguel e multiplica pelo índice acumulado em 12 meses, somado a 1. Com o IGP-M em 3,16%, o fator é 1,0316.
| Aluguel atual | Cálculo | Novo valor | Aumento |
|---|---|---|---|
| R$ 1.000 | 1.000 × 1,0316 | R$ 1.031,60 | R$ 31,60 |
| R$ 1.500 | 1.500 × 1,0316 | R$ 1.547,40 | R$ 47,40 |
| R$ 2.500 | 2.500 × 1,0316 | R$ 2.579,00 | R$ 79,00 |
| R$ 4.000 | 4.000 × 1,0316 | R$ 4.126,40 | R$ 126,40 |
Atenção a um detalhe que gera discussão: o índice a aplicar é o acumulado em 12 meses referente ao mês definido em contrato — normalmente o mês anterior ao aniversário. Alguns contratos usam o penúltimo mês. Conferir essa cláusula evita cobrança errada.
Por que o IGP-M está tão baixo
Um acumulado de 3,16% em 12 meses é um alívio para quem lembra de 2021, quando o índice passou de 30% e provocou uma onda de renegociações. A explicação está na composição.
O IGP-M é calculado pela Fundação Getulio Vargas e combina três índices: preços no atacado, com peso de 60%; preços ao consumidor, com 30%; e custo da construção, com 10%. Como o atacado domina o cálculo, o índice é muito sensível ao dólar e às commodities.
Com o câmbio comportado ao longo de 2026 — o dólar tem oscilado em torno de R$ 5,12 — a pressão vinda de produtos negociados em moeda estrangeira ficou contida. O índice chegou a registrar variação negativa de 0,50% em junho, após alta de 0,84% em maio. Detalhamos o funcionamento no guia sobre o que é o IGP-M.
O IGP-M não é obrigatório
Este é o ponto que a maioria dos inquilinos não sabe. A Lei do Inquilinato não determina qual índice deve corrigir o aluguel — ela apenas estabelece que o reajuste tem periodicidade mínima anual e que as condições são definidas no contrato.
Isso significa que proprietário e inquilino podem acordar IGP-M, IPCA, INPC, IVAR ou outro índice oficial. O IGP-M é tradição de mercado, não exigência legal. Depois das altas de 2020 e 2021, muitos contratos novos migraram para o IPCA, que mede a inflação ao consumidor e tende a ser mais previsível.
Quando o IGP-M é melhor para você
Depende do lado do contrato e do momento. Neste ciclo, o IGP-M em 3,16% está abaixo do IPCA, que acumula 4,52% em 12 meses. Ou seja: para o inquilino, o IGP-M está favorável agora; para o proprietário, o IPCA renderia reajuste maior.
Isso se inverte em cenários de dólar em alta, quando o atacado dispara e o IGP-M sobe muito acima da inflação ao consumidor. Nenhum dos dois é sempre melhor — o que existe é adequação ao risco que cada parte aceita correr. Vale conferir os dois números no painel de indicadores antes de negociar.
Reajuste é negociável
Ter um índice previsto em contrato não impede conversa. Em mercados com oferta abundante de imóveis, muitos proprietários preferem conceder reajuste menor a arriscar vacância — que custa meses sem receita, além de despesas de nova locação.
Se você vai negociar, três argumentos ajudam: o valor de imóveis semelhantes na região, o seu histórico como pagador pontual e o custo que o proprietário teria com a troca de inquilino. Negociação com dados funciona melhor que apelo.
O que fazer se a conta não bater
Confira três coisas antes de contestar. Primeiro, se o índice aplicado é o do mês correto conforme o contrato. Segundo, se foi usado o acumulado em 12 meses, e não a soma simples de variações mensais. Terceiro, se não houve inclusão indevida de outros valores — condomínio e IPTU seguem regras próprias e não entram no reajuste do aluguel.
Se a diferença persistir, o caminho é solicitar por escrito a memória de cálculo. Administradoras costumam corrigir erros aritméticos sem resistência quando confrontadas com a conta detalhada.
Como se preparar para o próximo reajuste
Acompanhar o índice ao longo do ano, em vez de descobrir o percentual no mês da renovação, dá tempo de se organizar ou de preparar a negociação. A FGV divulga o IGP-M mensalmente, com prévias durante o mês.
E vale provisionar no orçamento. Aluguel é a maior despesa fixa de muitas famílias, e um reajuste anual não deveria surpreender ninguém — mas surpreende, porque poucos acompanham. O método do nosso guia de planejamento financeiro pessoal ajuda a antecipar esse impacto no fluxo mensal.
Índices conforme divulgação da FGV. Confira sempre a cláusula do seu contrato para identificar o mês de referência aplicável.
Perguntas frequentes
Qual o IGP-M para reajuste de aluguel agora?
O índice acumulado em 12 meses está em 3,16%, aplicável a contratos com aniversário em julho de 2026 conforme a cláusula contratual de referência.
Como calcular o reajuste do aluguel pelo IGP-M?
Multiplique o valor atual pelo fator 1,0316. Um aluguel de R$ 1.500 passa a R$ 1.547,40, com aumento de R$ 47,40.
O aluguel tem que ser reajustado pelo IGP-M?
Não. A Lei do Inquilinato estabelece apenas a periodicidade mínima anual e deixa as condições para o contrato. As partes podem acordar IPCA, INPC, IVAR ou outro índice oficial.
Por que o IGP-M está baixo em 2026?
Porque 60% do índice vem dos preços no atacado, muito sensíveis ao dólar e às commodities. Com o câmbio comportado, essa pressão ficou contida — o índice chegou a cair 0,50% em junho.
Posso negociar o reajuste?
Sim. Mesmo previsto em contrato, o reajuste é negociável na prática, porque a vacância custa caro ao proprietário. Argumentos úteis são o valor de imóveis semelhantes na região e o histórico de pagamento pontual.



