A Intelbras (INTB3) registrou lucro líquido de R$ 177,1 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 19,7% sobre o mesmo período de 2025. A receita líquida alcançou R$ 1,177 bilhão, alta anual de 4,6%. O lucro avançou mais que as vendas em um trimestre marcado por reajustes de preços, mudanças na composição dos negócios e aumento das receitas financeiras.
Última cotação de INTB3 na B3: R$ 14,53 (+1,61% no dia) em 28/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Intelbras aumentou receita e lucro mesmo com clientes adiando decisões e reduzindo projetos, segundo a administração. O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 170,1 milhões, alta anual de 18,1%. A companhia encerrou setembro com caixa superior à dívida e manteve os investimentos na nova unidade industrial em Manaus.
Principais pontos
- O lucro líquido cresceu 19,7% em um ano e 11,8% sobre o segundo trimestre.
- A receita líquida avançou 4,6% na comparação anual e 2,4% na trimestral.
- O EBITDA atingiu R$ 170,1 milhões, com margem de 14,5% da receita.
- Segurança respondeu por 63% da receita consolidada e cresceu 5,6% em um ano.
- A geração de caixa operacional foi de R$ 252,1 milhões no trimestre.
- O caixa líquido, diferença positiva entre disponibilidades e dívida bruta, chegou a R$ 680,3 milhões.
Segurança puxa as vendas; TIC sente encerramento de linha
Os três segmentos da Intelbras aumentaram a receita em relação ao terceiro trimestre de 2025. Segurança, o maior deles, faturou R$ 741,4 milhões. A companhia destacou o aumento dos volumes de controladores de acesso e a aceleração das fechaduras digitais após o lançamento de um novo portfólio de produtos.
Em Tecnologia da Informação e Comunicação, ou TIC, a receita foi de R$ 257,4 milhões, alta anual de 3,4%. Na comparação com o segundo trimestre, porém, houve queda de 9,2%. Segundo a Intelbras, essa redução está ligada à descontinuação da linha GPON, tecnologia de redes de fibra óptica.
A mudança também alterou a rentabilidade de TIC. Com maior presença de linhas mais rentáveis nas vendas, o lucro bruto do segmento cresceu 13,8% em um ano. Cabeamento estruturado permaneceu entre os destaques, com a fábrica de Tubarão entregando resultados operacionais acima do previsto, conforme a administração.
Energia registrou receita de R$ 177,8 milhões, avanço anual de 2,4%. Nobreaks, equipamentos que mantêm a alimentação elétrica quando falta energia, e carregadores veiculares impulsionaram o crescimento trimestral. A empresa relaciona essa evolução à estratégia de priorizar rentabilidade, após decidir, em 2025, encerrar a atuação em grandes projetos solares.
Preços e composição das vendas ampliam margem anual
O lucro bruto, valor que sobra da receita após os custos dos produtos e serviços vendidos, alcançou R$ 384,3 milhões. O crescimento anual de 10,7% superou o avanço das vendas. Segundo a companhia, contribuíram para isso os reajustes de preços realizados desde o início do ano e a maior presença de negócios mais rentáveis.
A margem bruta, parcela da receita que resta depois desses custos, foi de 32,7%, ante 30,9% um ano antes. Mas caiu em relação aos 33,1% do segundo trimestre. A explicação da Intelbras é que materiais comprados a custos de reposição mais altos passaram gradualmente a compor o custo médio dos estoques e dos produtos vendidos.
As despesas operacionais somaram R$ 242,7 milhões, alta anual de 4,2%, abaixo do crescimento da receita. A combinação desses fatores levou o EBITDA a subir 18,1% em um ano. Sua margem passou de 12,8% para 14,5%, embora tenha recuado dos 14,7% registrados no trimestre anterior.
Assim, a comparação anual e a comparação entre trimestres mostram movimentos diferentes: houve expansão de margens frente a 2025, mas pressão dos custos na passagem do segundo para o terceiro trimestre.
Receitas financeiras também ajudam o lucro
O resultado financeiro, saldo entre receitas, despesas financeiras e variação cambial, ficou positivo em R$ 38,7 milhões. Esse valor cresceu 31,6% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e 29,9% sobre o trimestre anterior.
As receitas financeiras chegaram a R$ 81,3 milhões. Segundo a Intelbras, o avanço refletiu principalmente a maior posição de caixa e a remuneração desses recursos. Do outro lado, as despesas financeiras somaram R$ 35,6 milhões, e a variação cambial teve efeito negativo de R$ 7 milhões.
O lucro operacional antes do resultado financeiro foi de R$ 141,5 milhões. Depois das receitas e despesas financeiras e dos impostos, o lucro líquido atingiu R$ 177,1 milhões. São medidas distintas: o resultado final incorpora efeitos que não entram no EBITDA.
A margem líquida, parcela da receita convertida em lucro final, ficou em 15%. Nos nove primeiros meses de 2026, a Intelbras acumulou lucro de R$ 488,4 milhões, alta de 41% segundo a tabela do release. A receita acumulada foi de R$ 3,436 bilhões, crescimento de 4%.
Caixa cresce, mas geração operacional perde ritmo
A Intelbras encerrou setembro com R$ 1,556 bilhão em caixa e equivalentes de caixa, recursos de disponibilidade imediata ou próxima disso. A dívida bruta somou R$ 875,9 milhões. O caixa líquido avançou de R$ 585,1 milhões no fim de junho para R$ 680,3 milhões.
As operações geraram R$ 252,1 milhões no trimestre, abaixo dos R$ 317,9 milhões do segundo trimestre e dos R$ 480,3 milhões de um ano antes. A redução dos estoques e o aumento do saldo a pagar a fornecedores ajudaram o caixa, enquanto a maior necessidade de recursos em contas a receber compensou parte desse efeito.
A administração informou que, após a normalização dos estoques nos períodos anteriores, os ganhos adicionais de capital de giro ficaram menores. Esse capital é o dinheiro empregado no funcionamento cotidiano do negócio, entre comprar materiais, vender e receber dos clientes.
O ROIC antes dos impostos, indicador que relaciona o lucro operacional ao capital empregado, alcançou 20% nos últimos 12 meses, contra 14,5% um ano antes. Segundo a companhia, contribuíram tanto o aumento do resultado operacional quanto a redução do capital empregado.
Expansão em Manaus segue com demanda cautelosa
As atividades de investimento consumiram R$ 46,2 milhões no trimestre. A empresa deu continuidade às obras da nova unidade industrial em Manaus e aos aportes em máquinas, equipamentos, tecnologia e adequações das unidades existentes.
Segundo a Intelbras, a nova fábrica ampliará a capacidade produtiva e dará mais flexibilidade e eficiência às operações. A administração informou que os projetos seguem seus cronogramas, mas preserva a possibilidade de ajustar o ritmo dos investimentos à evolução dos negócios.
Para o encerramento de 2026, a companhia espera continuidade da trajetória observada no ano. Ao mesmo tempo, afirma não ver sinais de recuperação relevante da demanda no curto prazo. Clientes seguem mais criteriosos, com adiamento de decisões, execução de projetos em etapas e migração para soluções mais acessíveis.
O que muda para o acionista
O resultado mostra que a expansão do lucro veio não apenas do aumento das vendas, mas também da composição dos negócios, do controle de despesas e das receitas financeiras. Para o acionista, isso separa as fontes do desempenho: o avanço do resultado não corresponde, na mesma proporção, a uma aceleração da demanda.
O release também retoma os juros sobre capital próprio, ou JCP, uma forma de remuneração ao acionista, aprovados em 16 de setembro de 2026. O total bruto é de R$ 20 milhões, equivalente a R$ 0,06112261897 por ação, com data-base em 21 de setembro de 2026.
O pagamento está previsto a partir de 15 de março de 2027, sem atualização monetária. A apresentação dos resultados do terceiro trimestre está marcada para 29 de outubro de 2026, às 11h, no horário de Brasília.
Perguntas frequentes
Quanto a Intelbras lucrou no terceiro trimestre?
A Intelbras teve lucro líquido de R$ 177,1 milhões no terceiro trimestre de 2026. O resultado cresceu 19,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e 11,8% sobre o segundo trimestre de 2026.
Por que o lucro cresceu mais que as vendas?
Reajustes de preços, maior participação de negócios mais rentáveis e despesas crescendo abaixo da receita contribuíram para o desempenho operacional. O aumento das receitas financeiras também ajudou o resultado final.
A Intelbras tem mais caixa do que dívida?
Sim, ao fim de setembro de 2026 o caixa líquido era de R$ 680,3 milhões. A companhia tinha R$ 1,556 bilhão em caixa e equivalentes, frente a uma dívida bruta de R$ 875,9 milhões.
Quando será pago o JCP citado no resultado?
O pagamento está previsto a partir de 15 de março de 2027, sem atualização monetária. O valor bruto é de R$ 0,06112261897 por ação, com data-base em 21 de setembro de 2026.
Ativos citados nesta matéria
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