Depois de horas de sessão, o julgamento sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes terminou na terça-feira sem decisão definitiva. Fachin proclamou um placar provisório de 4 a 3 — e o que esse placar decide não é o que a manchete sugere.
A sessão plenária do STF de 15 de setembro de 2026 encerrou sem conclusão sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O presidente Edson Fachin proclamou resultado provisório de 4 a 3 para manter separados os casos envolvendo Moraes e André Mendonça. Um pedido interrompeu a conclusão do julgamento, que deverá ser retomado em data ainda não definida.
Principais pontos
- O julgamento de 15 de setembro terminou sem decisão definitiva.
- O placar provisório de 4 a 3 tratou de manter separados os casos de Moraes e Mendonça.
- Cármen Lúcia votou com Fachin, Mendonça e Fux nesse ponto.
- Um voto de Flávio Dino foi retirado do placar provisório após alteração.
- Um pedido interrompeu a sessão, e o julgamento será retomado depois.
O que foi decidido e o que não foi
A distinção é essencial e quase toda a cobertura a comprime. O plenário não decidiu se autoriza ou não a investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Essa era a questão de fundo, e ela segue em aberto.
O que o placar provisório de 4 a 3 tratou foi de uma questão anterior: manter separados os casos envolvendo Moraes e André Mendonça. É uma definição sobre o método de apreciação, não sobre o mérito de nenhum dos dois.
Como se formou o placar
A ministra Cármen Lúcia votou pela manutenção da separação entre os casos, somando-se aos votos de Edson Fachin, André Mendonça e Luiz Fux. São os quatro votos do lado majoritário do placar provisório.
Houve ainda um detalhe processual relevante: após uma alteração, o voto do ministro Flávio Dino foi retirado do placar proclamado por Fachin. Em seguida, um pedido interrompeu a conclusão da discussão, e o julgamento ficou para ser retomado pelo tribunal em data ainda não definida.
| Questão | Situação após 15/09 |
|---|---|
| Abrir investigação contra Moraes | não decidido |
| Manter casos separados | placar provisório de 4 a 3 pela separação |
| Conclusão do julgamento | interrompida por pedido |
| Nova data | não definida |
| Caso Mendonça | continua marcado para 23 de setembro |
O cenário que se confirmou
Na véspera, ao descrever os caminhos possíveis do julgamento, listamos três: rejeitar o pedido e encerrar a questão, autorizar a investigação, ou interromper a sessão sem decidir. Foi o terceiro que se concretizou, como se pode conferir em nossa cobertura da véspera.
E registramos ali que esse era, do ponto de vista dos mercados, o desfecho menos confortável: prolonga a incerteza sem produzir informação. A avaliação continua válida — ainda que a bolsa tenha reagido bem no dia, por razões que analisamos separadamente.
Por que a separação dos casos importa
Manter os processos separados tem efeito prático sobre o que cada julgamento pode produzir. Apreciados em conjunto, os casos de Moraes e Mendonça virariam um confronto direto, com a Corte tendo de escolher um lado em bloco.
Separados, cada um é avaliado por seus próprios elementos, em datas distintas. Reduz-se o caráter de disputa pessoal e preserva-se a possibilidade de desfechos independentes — inclusive o de que ambos ou nenhum sejam investigados. A decisão de separar já havia sido tomada por Fachin em 12 de setembro, e o plenário estava sendo chamado a confirmá-la.
O que continua no calendário
O julgamento das condutas atribuídas a André Mendonça segue marcado para 23 de setembro. Ele não foi afetado pela interrupção de terça-feira, justamente por causa da separação entre os processos.
Já a questão sobre Moraes volta à pauta em data ainda não definida. Para o mercado, o problema não é o mérito de nenhum dos dois julgamentos: é o fato de que uma disputa institucional dessa natureza permanece aberta por prazo indeterminado. A cronologia completa está em a cronologia da crise no STF.
O que este texto não afirma
Nenhum juízo sobre a conduta de qualquer ministro. Investigação não é acusação, e acusação não é condenação — e, neste caso, nem mesmo a investigação foi autorizada até agora.
Também não há como antecipar o desfecho quando o julgamento for retomado: placar provisório não é resultado, votos podem ser alterados até a proclamação final e o próprio voto retirado nesta sessão demonstra isso. O funcionamento desse tipo de interrupção está explicado em o que é um pedido de vista.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. O texto descreve atos processuais públicos, sem juízo sobre a conduta dos envolvidos. O julgamento não foi concluído e o placar citado é provisório.
Perguntas frequentes
O STF decidiu abrir investigação contra Moraes?
Não. O julgamento de 15 de setembro de 2026 terminou sem decisão definitiva sobre essa questão, que segue em aberto e será retomada em data ainda não definida.
O que significa o placar de 4 a 3?
É um resultado provisório sobre manter separados os casos envolvendo Moraes e Mendonça, e não sobre a abertura da investigação. Trata do método de apreciação, não do mérito.
Quem votou pela separação dos casos?
Cármen Lúcia somou-se aos votos de Edson Fachin, André Mendonça e Luiz Fux, formando os quatro votos do lado majoritário do placar provisório.
Por que o voto de Flávio Dino saiu do placar?
Após uma alteração, o voto foi retirado do resultado provisório proclamado pelo presidente do tribunal. Em seguida, um pedido interrompeu a conclusão do julgamento.
O julgamento de 23 de setembro foi afetado?
Não. A análise das condutas atribuídas a André Mendonça segue marcada para 23 de setembro, justamente porque os processos foram mantidos separados.



