Em uma semana, o mesmo instituto mediu Flávio Bolsonaro à frente e depois Lula à frente, sempre por 1 ponto. Com margem de erro de 2 pontos, as duas leituras dizem exatamente a mesma coisa — e quem opera com base nelas costuma errar.
A pesquisa Nexus/BTG divulgada em 8 de setembro de 2026 apontou Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 45% no segundo turno. Em 14 de setembro, o mesmo instituto mediu Lula com 47% e Flávio com 46%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. Diferenças de 1 ponto, nessas condições, configuram empate técnico, e não mudança de liderança.
Principais pontos
- Nexus/BTG de 8 de setembro: Flávio 46% e Lula 45% no segundo turno.
- Nexus/BTG de 14 de setembro: Lula 47% e Flávio 46%.
- A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança.
- Diferença de 1 ponto com margem de 2 pontos é empate técnico.
- Levantamentos registrados no TSE têm margem de 2 a 2,5 pontos.
O que as pesquisas mostraram
Em 8 de setembro de 2026, o instituto Nexus, em parceria com o BTG Pactual, mediu 46% para o senador Flávio Bolsonaro e 45% para o presidente Lula em um confronto de segundo turno. Foi a primeira vez que o senador apareceu numericamente à frente naquele levantamento.
Em 14 de setembro, o mesmo instituto divulgou nova rodada: Lula com 47% e Flávio com 46%. A liderança numérica mudou de lado. No primeiro turno, a Quaest mediu, em levantamento do mesmo dia, Lula com 36%, Flávio Bolsonaro com 31%, Cury com 7%, Renan com 4%, Caiado com 4% e Zema com 1%.
O que é margem de erro
Uma pesquisa não ouve todos os eleitores: ouve uma amostra. A margem de erro mede o quanto o resultado da amostra pode diferir do que seria obtido ouvindo a população inteira.
Quando um instituto informa margem de 2 pontos percentuais com intervalo de confiança de 95%, está dizendo algo preciso: se a mesma pesquisa fosse repetida cem vezes, em noventa e cinco delas o resultado real estaria dentro de uma faixa de dois pontos para mais ou para menos em torno do valor medido. Um candidato com 46% pode, na realidade, estar entre 44% e 48%.
| Data | Lula | Flávio | Diferença | Leitura |
|---|---|---|---|---|
| 08/09/2026 | 45% | 46% | 1 ponto | empate técnico |
| 14/09/2026 | 47% | 46% | 1 ponto | empate técnico |
A regra que quase ninguém aplica
Aqui está o ponto técnico que muda a interpretação. A margem de erro vale para cada percentual separadamente. Quando se compara dois candidatos, a incerteza sobre a diferença entre eles é maior do que a incerteza sobre cada número isolado.
Por isso a convenção adotada por estatísticos e pela boa cobertura é direta: uma vantagem só pode ser considerada real quando supera o dobro da margem de erro. Com margem de 2 pontos, seria preciso uma diferença acima de 4 pontos. Nas duas rodadas citadas, a diferença foi de 1 ponto. Estatisticamente, nada mudou entre 8 e 14 de setembro.
Por que isso importa para o mercado
Porque preços reagem a manchetes, não a intervalos de confiança. Uma pesquisa apresentada como “virada” move ativos no dia, e já registramos episódios assim em a pesquisa que moveu a bolsa e em a primeira vez à frente.
Para o investidor, isso cria uma armadilha e uma oportunidade de disciplina. A armadilha é tomar decisão de carteira com base em ruído amostral. A disciplina é reconhecer que oscilações dentro da margem não são informação nova — e que o mercado, ao tratá-las como se fossem, às vezes produz movimentos que se desfazem na semana seguinte.
O que uma sequência de pesquisas realmente informa
Uma pesquisa isolada tem pouco valor preditivo. Uma sequência de várias, do mesmo instituto e com a mesma metodologia, tem bem mais — porque erros metodológicos consistentes se cancelam na comparação.
O que se procura numa série é tendência que ultrapasse a margem de forma sustentada, ao longo de várias rodadas. Duas leituras alternando a liderança por 1 ponto são o oposto disso: são a assinatura estatística de uma disputa genuinamente equilibrada, e não de movimento em curso.
O que checar antes de acreditar numa pesquisa
Quatro itens práticos. Primeiro, o registro no Tribunal Superior Eleitoral — pesquisas eleitorais precisam ser registradas, e o número do registro é público. Segundo, a margem de erro e o intervalo de confiança declarados, que nos levantamentos atuais variam entre 2 e 2,5 pontos.
Terceiro, o período de campo, porque uma pesquisa feita antes de um fato relevante não o captura. Quarto, quem contratou, informação que não invalida o resultado mas ajuda a contextualizar. Veja também o que o mercado precifica nas eleições e como Brasília afeta a bolsa.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento e sem manifestação político-partidária. Os números citados são reproduções de levantamentos divulgados publicamente; consulte os registros no TSE para a metodologia completa.
Perguntas frequentes
O que é margem de erro em pesquisa eleitoral?
É a medida do quanto o resultado obtido em uma amostra pode diferir do que seria obtido ouvindo toda a população. Com margem de 2 pontos, um candidato medido em 46% pode realmente estar entre 44% e 48%.
Uma diferença de 1 ponto significa que alguém está na frente?
Não. A convenção estatística é que a vantagem só é considerada real quando supera o dobro da margem de erro. Com margem de 2 pontos, seria preciso mais de 4 pontos de diferença.
O que mudou entre as pesquisas de 8 e 14 de setembro?
Estatisticamente, nada. Em 8 de setembro o levantamento apontou Flávio com 46% e Lula com 45%; em 14 de setembro, Lula com 47% e Flávio com 46%. Ambas as diferenças, de 1 ponto, estão dentro da margem.
O que é intervalo de confiança de 95%?
Significa que, se a mesma pesquisa fosse repetida cem vezes, em noventa e cinco delas o resultado real estaria dentro da faixa da margem de erro em torno do valor medido.
Como avaliar se uma pesquisa é confiável?
Confira o registro no TSE, a margem de erro e o intervalo de confiança declarados, o período de coleta em campo e quem contratou o levantamento. Séries do mesmo instituto com a mesma metodologia são mais informativas que pesquisas isoladas.



