A Movida (MOVI3) registrou lucro líquido de R$ 152 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 117,4% sobre o mesmo período de 2025. O resultado superou a projeção que a própria companhia havia divulgado para o trimestre, sustentado pelo avanço da locação, com mais diárias vendidas e maior receita por carro.
Última cotação de MOVI3 na B3: R$ 6,63 (-15,86% no dia) em 28/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A receita líquida da Movida chegou a R$ 3,870 bilhões no 3T26, alta anual de 2,8%, enquanto o lucro mais que dobrou. O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 1,795 bilhão, avanço de 21,4%. A relação entre dívida líquida e EBITDA caiu, mas a despesa financeira cresceu e o caixa livre antes de juros diminuiu com a expansão da frota.
Principais pontos
- O lucro líquido acumulado nos nove primeiros meses de 2026 foi de R$ 412 milhões, alta de 90,8%.
- A receita líquida de locação atingiu R$ 2,399 bilhões, crescimento de 19,3% sobre o 3T25.
- O aluguel de carros no Brasil registrou 7,4 milhões de diárias e ocupação de 77,7%.
- A gestão e terceirização de frotas teve receita de R$ 1,189 bilhão, avanço de 15%.
- A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 17,5 bilhões, com alavancagem de 2,56 vezes.
- O caixa livre antes de juros e outros foi positivo em R$ 224 milhões, ante R$ 572,5 milhões no 3T25.
Locação cresce mais que a receita total
O crescimento de 2,8% da receita consolidada reúne movimentos diferentes dentro da empresa. Enquanto a locação avançou 19,3%, a receita com a venda de seminovos ficou abaixo da registrada um ano antes. Por isso, olhar apenas para o faturamento total não mostra toda a mudança na operação.
A receita de locação cresceu mais que a frota média operacional, que aumentou 9,9%. Segundo a Movida, isso reflete a combinação de preços maiores no aluguel de carros, evolução da remuneração dos contratos de frotas e aumento do volume de diárias. A companhia encerrou o período com uma frota total de 294 mil veículos.
O EBITDA consolidado cresceu mais que a receita, indicando que essa medida de resultado operacional ganhou espaço no faturamento. Ele, porém, não equivale ao dinheiro que sobra em caixa: não desconta juros nem o desgaste contábil dos veículos. O EBIT, resultado operacional que já considera depreciação e amortização, atingiu R$ 1,086 bilhão, alta de 27,2%.
As variações anuais comparam o trimestre com a mesma época de 2025. Essa comparação entre períodos equivalentes ajuda a reduzir a influência das diferenças de demanda ao longo do ano, especialmente relevantes no aluguel de veículos.
Mais diárias e tarifa maior no aluguel de carros
No Rent-a-Car, ou RAC, a operação de aluguel de carros, a receita líquida no Brasil alcançou R$ 1,117 bilhão, crescimento de 27,8%. O volume chegou a 7,4 milhões de diárias, cerca de 22% acima do mesmo trimestre do ano anterior. A tarifa média subiu 5%, para R$ 167.
A taxa de ocupação, que indica quanto da frota disponível está efetivamente alugado, chegou a 77,7%. O aumento foi de 5,9 pontos percentuais — a diferença direta entre duas taxas — na comparação anual. Isso significa que a empresa conseguiu manter uma parcela maior dos carros em uso.
O efeito apareceu na receita média mensal por veículo, que cresceu 9,3%, para R$ 3.821. A frota média operacional do segmento aumentou 17,4%, para 108 mil carros. Assim, a expansão da receita veio tanto de mais veículos quanto de maior faturamento por unidade.
O EBITDA do RAC somou R$ 780 milhões, alta de 29,6%. A margem EBITDA, parcela da receita que se transforma nesse resultado, atingiu 69,8%, avanço de um ponto percentual. Segundo a administração, a manutenção feita internamente também contribuiu para reduzir custos e elevar a produtividade.
Contratos de frotas elevam a receita por veículo
Na Gestão e Terceirização de Frotas, chamada de GTF, a receita líquida cresceu 15%, para R$ 1,189 bilhão. A atividade reúne contratos de gestão de veículos e carro por assinatura. Sua frota média operacional chegou a 134 mil carros, aumento de 4,5%, representando 54% da frota operacional consolidada.
A receita média mensal por carro atingiu R$ 3.332, alta de 10,1%. O EBITDA avançou 19,1%, para R$ 942 milhões, e a margem EBITDA chegou a 79,2%, expansão de 2,7 pontos percentuais. Também aqui, o faturamento cresceu mais que a quantidade de veículos em operação.
Os novos contratos tiveram yield médio de 3,7% ao mês. Nesse caso, yield é a relação entre a receita mensal por carro e seu custo médio de aquisição; não é retorno oferecido ao acionista. Na carteira do trimestre, o indicador médio foi de 3,2% ao mês.
Segundo a companhia, as renovações fazem os contratos antigos convergirem gradualmente para os preços dos mais recentes. Esse processo ajuda a explicar a evolução da receita por veículo, sem significar que toda a carteira já tenha as condições dos novos acordos.
Venda de seminovos acompanha o ciclo da frota
A Movida vendeu 20,1 mil carros no trimestre, volume 3,3% superior ao do segundo trimestre de 2026. A receita líquida de seminovos foi de R$ 1,471 bilhão. Segundo a administração, a estratégia foi aproveitar a demanda de locação na alta temporada e ampliar a venda de veículos depois desse período.
O preço médio de venda chegou a R$ 75,3 mil. A maior participação do varejo ajudou a margem bruta, parcela da receita restante após o custo dos veículos vendidos, a alcançar 5,8%, avanço anual de 0,9 ponto percentual. A margem EBITDA permaneceu em 1,1%.
A idade média da frota caiu para 12 meses, redução de 4,4% ante o trimestre anterior. Já a depreciação, reconhecimento contábil da perda de valor dos carros, ficou estável: em termos anualizados, foi de R$ 7,3 mil por veículo operacional no RAC e R$ 11,2 mil em GTF.
Dívida tem prazo maior, mas consome mais resultado
A dívida bruta encerrou o trimestre em R$ 21 bilhões, e a líquida, que desconta as disponibilidades conforme a conciliação da companhia, em R$ 17,5 bilhões. A despesa financeira líquida somou R$ 900,7 milhões, aumento de 13,3%. Segundo a Movida, a principal explicação foi o crescimento de 12% da dívida bruta.
A alavancagem caiu de 2,74 para 2,56 vezes. Esse indicador compara a dívida líquida com o EBITDA ajustado previsto nas cláusulas dos contratos de dívida, os chamados covenants. A queda da relação não significa, por si só, redução do valor devido: o crescimento do resultado também altera essa conta.
O prazo médio da dívida passou de 3,2 para 4,2 anos. Ao mesmo tempo, a expansão exigiu recursos: o investimento líquido em frota apresentado na seção de investimentos foi de R$ 1,407 bilhão, principalmente em GTF. O caixa livre antes de juros e outros caiu para R$ 224 milhões; nos nove meses, houve consumo de R$ 414,4 milhões nessa medida.
O que muda para o acionista
O resultado mostra maior lucro apoiado no uso da frota e na receita por veículo, mas também mais recursos destinados à expansão. Para o acionista, lucro contábil e caixa disponível são medidas diferentes: a compra de carros e o pagamento de juros precisam entrar na leitura do negócio.
O ROIC, retorno operacional após impostos sobre o capital investido, chegou a 16,6% nos últimos 12 meses. É uma medida de rentabilidade da operação, não do rendimento de MOVI3. A administração mantém a redução da alavancagem como prioridade, enquanto os números do trimestre mostram a convivência entre expansão da frota, melhora operacional e despesas financeiras maiores.
Perguntas frequentes
Quanto a Movida lucrou no terceiro trimestre?
A Movida teve lucro líquido de R$ 152 milhões no terceiro trimestre de 2026, 117,4% acima do registrado um ano antes. Nos nove primeiros meses do ano, o lucro acumulado foi de R$ 412 milhões.
O que fez o resultado do aluguel de carros crescer?
O segmento combinou aumento das diárias, maior ocupação da frota e alta da tarifa média. A receita líquida do aluguel de carros no Brasil cresceu 27,8%, para R$ 1,117 bilhão.
A queda da alavancagem quer dizer que a dívida diminuiu?
Não necessariamente, porque a alavancagem compara a dívida com uma medida de resultado operacional. Na Movida, a relação dívida líquida/EBITDA ajustado dos contratos passou de 2,74 para 2,56 vezes, e a dívida líquida terminou o período em R$ 17,5 bilhões.
Por que o caixa livre caiu se o lucro aumentou?
A expansão de GTF exigiu investimento em veículos, o que consumiu recursos no trimestre. O caixa livre antes de juros e outros foi de R$ 224 milhões, abaixo dos R$ 572,5 milhões do mesmo período de 2025; essa medida é diferente do lucro contábil.
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