A Motiva Infraestrutura de Mobilidade (MOTV3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 750 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 9,8% sobre o mesmo período de 2025. O lucro contábil, que inclui os efeitos extraordinários da venda dos aeroportos, chegou a R$ 3,424 bilhões, alta de 177,9%.
Última cotação de MOTV3 na B3: R$ 14,45 (-3,02% no dia) em 28/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A receita líquida ajustada da Motiva avançou 13,6%, para R$ 3,806 bilhões, com contribuição de novas operações rodoviárias, cobrança por pórticos e reajustes tarifários. O EBITDA ajustado, indicador do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com exclusões feitas pela companhia, cresceu 13,4%, para R$ 2,521 bilhões. A venda dos aeroportos ajudou a reduzir a relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado para 3,2 vezes, ante 3,6 vezes um ano antes.
Principais pontos
- O lucro líquido ajustado passou de R$ 683 milhões para R$ 750 milhões na comparação anual.
- A receita líquida ajustada somou R$ 3,806 bilhões, crescimento de 13,6%.
- O EBITDA ajustado de rodovias chegou a R$ 2,262 bilhões, alta de 13,1%.
- As operações de trilhos transportaram 195,6 milhões de passageiros, avanço de 0,5%.
- A dívida líquida consolidada encerrou setembro em R$ 30,078 bilhões, abaixo dos R$ 33,105 bilhões de junho.
- Investimentos e manutenção totalizaram R$ 2,275 bilhões no trimestre, aumento de 2,9%.
Por que o lucro contábil ficou acima do ajustado
A distância entre os dois lucros tem uma explicação central: a venda da plataforma de aeroportos. Na conciliação apresentada pela Motiva, o lucro contábil de R$ 3,424 bilhões inclui R$ 1,803 bilhão de ganho de capital com a operação e R$ 871 milhões de ajuste acumulado de conversão, efeito contábil ligado à tradução de saldos em moeda estrangeira para reais.
A companhia retirou esses efeitos, classificados como não recorrentes, para chegar aos R$ 750 milhões de lucro ajustado. Assim, o lucro contábil mostra o resultado que incorpora a transação, enquanto o ajustado permite comparar os períodos sem esses ganhos extraordinários. São medidas diferentes, e não valores intercambiáveis.
A mesma distinção aparece na receita. A receita líquida apresentada antes dos ajustes caiu 11,6%, de R$ 4,307 bilhões para R$ 3,806 bilhões. Já a ajustada cresceu porque a base de 2025 exclui R$ 957 milhões de efeitos não recorrentes relacionados à SPVias e à ViaQuatro.
Os indicadores operacionais ajustados não consideram a plataforma de aeroportos. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, o lucro ajustado alcançou R$ 2,040 bilhões, alta de 25,9%, e a receita ajustada somou R$ 10,764 bilhões, avanço de 13,3%.
Novas operações ampliam o peso das rodovias
Rodovias foi a principal frente de crescimento operacional. Seu EBITDA ajustado subiu 13,1%, para R$ 2,262 bilhões. Segundo a Motiva, a receita consolidada recebeu contribuição do início da Minas_SP, da entrada de pórticos em operação na RioSP, Paraná e Sorocabana, além dos reajustes de tarifas.
O volume total alcançou 377,9 milhões de veículos equivalentes, alta de 33,3%. Essa medida combina veículos leves e veículos pesados, ponderando estes últimos pelo número de eixos cobrados. Portanto, não corresponde à contagem simples de carros e caminhões que passaram pelas estradas.
Na base comparável, o tráfego rodoviário cresceu 1,6%. Essa conta retira concessões afetadas por início ou término de contratos e mudanças na arrecadação. A diferença em relação ao crescimento total mostra por que a ampliação das operações precisa ser separada da evolução da demanda nos ativos comparáveis.
Na RioSP, o tráfego aumentou 13,5%, favorecido pelo free flow, cobrança eletrônica sem praça de pedágio, na Região Metropolitana de São Paulo, e por obras entregues em Guarulhos. Sem o efeito desse sistema, a alta da concessão foi de 4,7%. A margem EBITDA ajustada de rodovias, parcela da receita convertida nesse resultado, recuou de 83,6% para 81,6%.
Trilhos transporta mais passageiros, mas perde margem
As operações de trilhos transportaram 195,6 milhões de passageiros, aumento de 0,5%. A receita tarifária cresceu 3,9%, para R$ 716 milhões, refletindo a combinação de maior demanda e reajustes. O EBITDA ajustado ficou em R$ 593 milhões, avanço de 0,3%.
Segundo a companhia, a integração da estação Santo Amaro e a entrada em operação da estação Varginha ajudaram a demanda nas unidades de São Paulo. Esses fatores compensaram efeitos desfavoráveis do calendário e das chuvas. O VLT Carioca teve crescimento de 2,1% no movimento de passageiros.
A receita líquida sem construção da plataforma caiu 44,5%, mas essa variação carrega efeitos extraordinários registrados em 2025, principalmente na ViaQuatro. Não representa, portanto, uma queda equivalente na venda de passagens. A receita tarifária e o número de passageiros avançaram no período.
Ao mesmo tempo, houve aumento de gastos com pessoal, manutenção e energia. A margem EBITDA ajustada de trilhos passou de 60,7% para 57,2%. No consolidado da Motiva, a margem ajustada ficou em 66,2%, contra 66,4% um ano antes.
Venda dos aeroportos reduz dívida frente a junho
A conclusão da venda da plataforma de aeroportos ocorreu em 1º de setembro de 2026. O fluxo de caixa registra recebimento de R$ 5,187 bilhões pela operação. A ASUR passou a controlar diretamente a companhia que concentrava as participações aeroportuárias da Motiva.
Segundo o relatório, o recebimento possibilitou o resgate antecipado de aproximadamente R$ 3,7 bilhões em debêntures, títulos de dívida emitidos pela companhia. A dívida bruta consolidada terminou setembro em R$ 40,382 bilhões, ante R$ 43,522 bilhões em junho.
A dívida líquida, que desconta disponibilidades financeiras e considera o saldo de derivativos indicado pela empresa, caiu de R$ 33,105 bilhões para R$ 30,078 bilhões nesse intervalo. Ainda assim, ficou acima dos R$ 27,987 bilhões de setembro de 2025. A redução foi trimestral, não anual.
Já a alavancagem, relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos doze meses, caiu para 3,2 vezes, contra 3,6 vezes um ano antes. O resultado financeiro líquido continuou negativo em R$ 775 milhões, embora menos negativo que os R$ 816 milhões do período comparável.
Obras e manutenção consomem R$ 2,275 bilhões
Os investimentos e a manutenção somaram R$ 2,275 bilhões no trimestre, crescimento de 2,9%. Desse total, R$ 1,934 bilhão foi destinado às rodovias e R$ 316 milhões às operações de trilhos. A Motiva relaciona os desembolsos ao cronograma de seus contratos de concessão.
Na RioSP, os recursos se concentraram em ampliações e no avanço das intervenções na Serra das Araras. Na Pantanal, foram direcionados a pavimento, desapropriações, faixas adicionais e duplicações. Em trilhos, as linhas 8 e 9 receberam investimentos em sistemas, energia e revitalização de trens.
O caixa líquido gerado pelas atividades operacionais foi de R$ 1,954 bilhão, abaixo dos R$ 2,831 bilhões do terceiro trimestre de 2025. Esse dado mede o dinheiro gerado pelas operações e não se confunde com lucro ou EBITDA ajustado.
O que muda para o acionista
O resultado reúne crescimento operacional e uma mudança na composição dos negócios. As rodovias ampliaram receita e EBITDA ajustados, enquanto trilhos apresentou crescimento menor e recuo de margem. A saída dos aeroportos elevou o lucro contábil e ajudou a reduzir o endividamento em relação a junho.
Para quem tem MOTV3, a consequência prática é separar o ganho da venda do desempenho dos negócios que permanecem. O lucro contábil incorpora os efeitos da transação; o ajustado os exclui. A geração de caixa, os investimentos contratuais e a dívida mostram dimensões distintas desse mesmo trimestre.
Perguntas frequentes
Quanto a Motiva lucrou no terceiro trimestre?
O lucro líquido ajustado foi de R$ 750 milhões, aumento de 9,8% sobre o terceiro trimestre de 2025. O lucro contábil atingiu R$ 3,424 bilhões e inclui efeitos extraordinários da venda dos aeroportos.
Por que existem dois números de lucro?
Porque a companhia apresenta o resultado contábil e uma medida que retira efeitos classificados como não recorrentes. No trimestre, foram excluídos do lucro ajustado o ganho de capital da venda dos aeroportos e o ajuste acumulado de conversão ligado à plataforma.
A dívida da Motiva diminuiu?
Sim, em relação a junho de 2026: a dívida líquida passou de R$ 33,105 bilhões para R$ 30,078 bilhões em setembro. Na comparação com setembro de 2025, porém, o saldo aumentou.
O movimento nas rodovias cresceu mesmo sem as novas operações?
Sim, o tráfego na base comparável aumentou 1,6%. O volume total de veículos equivalentes avançou 33,3%, incorporando também as mudanças no conjunto de operações.
Quanto a empresa gastou com investimentos e manutenção?
A Motiva destinou R$ 2,275 bilhões a investimentos e manutenção no trimestre, alta de 2,9%. As rodovias concentraram R$ 1,934 bilhão desse total.
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