O IPCA de agosto sai nesta sexta-feira (11) com projeção de deflação de 0,26%. Se confirmado, a inflação em 12 meses cai de 4,44% para cerca de 4,28%. E há um detalhe que quase ninguém nota: se o índice viesse em zero, os 12 meses subiriam para 4,56% — acima do teto da meta.
O IBGE divulga em 11 de setembro de 2026 o IPCA de agosto, com projeção de mercado de queda de 0,26%. A inflação acumulada em 12 meses está em 4,44%, medida até julho. Como agosto de 2025 registrou deflação de 0,11%, a substituição desse mês na janela de 12 meses levaria o acumulado a cerca de 4,28%, ainda abaixo do teto da meta.
Principais pontos
- O IPCA de agosto será divulgado em 11 de setembro de 2026, com projeção de -0,26%.
- A inflação acumulada em 12 meses está em 4,44%, medida até julho.
- Agosto de 2025 registrou deflação de 0,11%, o mês que sai da janela.
- Com deflação de 0,26%, o acumulado em 12 meses iria a cerca de 4,28%.
- Se o índice viesse em zero, o acumulado subiria para cerca de 4,56%.
Como funciona a conta de 12 meses
A inflação acumulada em 12 meses não é a soma dos doze índices mensais — é o produto deles, porque a inflação é composta. E a cada divulgação, um mês entra na janela e outro sai.
Em setembro de 2026, o mês que entra é agosto de 2026 e o que sai é agosto de 2025. A regra é simples de enunciar: se o mês que entra for menor que o que sai, o acumulado cai; se for maior, sobe. É por isso que se fala em “base de comparação”.
Os números concretos
A base atual é de 4,44% em 12 meses, medida até julho de 2026 — dado que está em o IPCA de julho a 0,07%. O mês que sai da janela é agosto de 2025, que registrou deflação de 0,11%.
Fazendo a substituição com a projeção de −0,26% para agosto de 2026, o acumulado em 12 meses vai a cerca de 4,28%. É queda de 0,16 ponto percentual — modesta, justamente porque o mês que sai já era negativo. Trocar deflação por deflação um pouco maior move pouco.
| Se o IPCA de agosto vier em | Acumulado em 12 meses ficaria em |
|---|---|
| −0,40% (igual ao IPCA-15) | ≈ 4,01% |
| −0,26% (projeção de mercado) | ≈ 4,28% |
| −0,20% | ≈ 4,35% |
| −0,11% (igual a agosto de 2025) | 4,44% (sem mudança) |
| 0,00% | ≈ 4,56% |
| Teto da meta: 4,5% (meta de 3% mais 1,5 ponto) | |
O detalhe que muda a leitura
Olhe a última linha da tabela. Se o IPCA de agosto viesse em zero — nem inflação nem deflação, o que muita gente leria como resultado neutro —, o acumulado em 12 meses subiria para cerca de 4,56%, acima do teto da meta de 4,5%.
Ou seja: não basta a inflação parar para o índice ficar dentro da meta neste mês. É preciso deflação de pelo menos 0,11% só para manter o acumulado onde está. Essa é a diferença entre acompanhar o índice mensal e entender a mecânica da janela — e é o tipo de detalhe que explica por que o Banco Central às vezes parece preocupado num mês de inflação baixa.
De onde vem a deflação esperada
Principalmente de um item: energia elétrica residencial. O IPCA-15 de agosto já veio em −0,40% — a maior deflação em quatro anos —, com a energia caindo 6,25% e subtraindo sozinha 0,26 ponto percentual do índice.
A causa foi o bônus de Itaipu, crédito lançado nas faturas de agosto. E vale notar o contraste: a redução ocorreu mesmo com a bandeira amarela em vigor, que cobra R$ 1,885 a cada 100 kWh. Os detalhes estão em a queda de 6,25% na conta de luz e em a deflação de 0,40% no IPCA-15.
Por que o fechado pode divergir da prévia
A projeção de −0,26% é menos negativa que os −0,40% do IPCA-15, e a razão é técnica. As duas medições cobrem janelas de coleta diferentes: o IPCA-15 apura de meados de um mês a meados do seguinte; o IPCA fechado apura do dia 1º ao dia 31.
O crédito de Itaipu valeu para faturas emitidas ao longo de todo agosto, o que argumentava a favor de um fechado mais negativo. A projeção menos negativa sugere que o mercado espera compensação em outros grupos — alimentos ou serviços. A discussão está em o que esperar do índice fechado.
O que vem depois de agosto
Aqui está a informação mais útil para os próximos meses. O mês que sairá da janela na divulgação de outubro é setembro de 2025, que registrou +0,48% — a maior alta mensal daquele período.
Base alta saindo significa que, se setembro de 2026 vier abaixo de 0,48%, o acumulado em 12 meses cai de novo, e com mais força que agora. É o oposto do que acontece neste mês. Já os meses seguintes têm bases baixas — outubro de 2025 em 0,09%, novembro em 0,18% e dezembro em 0,33% —, o que torna a queda do acumulado mais difícil no fim do ano.
O que isso significa para o Copom
O timing é o que importa. O IPCA sai na sexta, 11 de setembro, e o Copom se reúne em 15 e 16. É o último dado de inflação cheia antes da decisão.
Com a Selic a 14% e o Focus projetando 13,75% para o fim do ano, o mercado espera um corte de 0,25 ponto — e está dividido sobre quando. Inflação em 4,28% e abaixo do teto ajuda o argumento de quem defende cortar já; mas o comitê olha 2027, e a projeção do Focus para aquele ano subiu para 4,28%. As duas decisões da semana seguinte estão em Copom e Fed no mesmo dia.
O que isso significa para você
Três leituras. Sobre o que checar na sexta: além do número do mês, olhe o acumulado em 12 meses e a comparação com o teto de 4,5%. É essa a referência que o Banco Central persegue.
Sobre juro real: com Selic a 14% e inflação em 4,28%, o juro real fica perto de 9,3% ao ano — patamar muito alto em termos históricos e internacionais. A conta está em quanto você ganha de verdade com a Selic a 14%.
Sobre não confundir deflação com barato: o índice cair 0,26% em um mês por causa de um crédito na conta de luz não significa que os preços voltaram. Significa que um item caiu muito em um mês. O conceito está em o que significa inflação negativa.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. A projeção de −0,26% para o IPCA de agosto de 2026 é mediana de mercado e não resultado divulgado. Os valores de acumulado em 12 meses na tabela foram calculados por esta reportagem pelo método de substituição do mês na janela, a partir do acumulado de 4,44% até julho de 2026 e do IPCA de agosto de 2025, de −0,11%, conforme série do Banco Central; podem diferir do apurado pelo IBGE por arredondamento.
Perguntas frequentes
Quando sai o IPCA de agosto de 2026?
Em 11 de setembro de 2026, divulgado pelo IBGE. A projeção de mercado é de queda de 0,26%.
Quanto a inflação em 12 meses ficaria?
Cerca de 4,28%, contra 4,44% medidos até julho. A queda é de 0,16 ponto percentual, modesta porque o mês que sai da janela, agosto de 2025, já era negativo em 0,11%.
Por que um IPCA zero elevaria o acumulado?
Porque o mês que sai da janela foi de deflação de 0,11%. Substituir uma queda de 0,11% por zero aumenta o acumulado, que iria a cerca de 4,56% — acima do teto da meta de 4,5%.
O que explica a deflação esperada?
Principalmente a energia elétrica residencial, que caiu 6,25% no IPCA-15 de agosto por causa do bônus de Itaipu creditado nas faturas, subtraindo 0,26 ponto do índice mesmo com a bandeira amarela em vigor.
Por que a projeção do fechado é menos negativa que o IPCA-15?
Porque as janelas de coleta são diferentes: o IPCA-15 apura de meados a meados e o fechado, do dia 1º ao 31. A projeção menos negativa sugere que o mercado espera compensação em outros grupos, como alimentos ou serviços.



