A Raízen (RAIZ4) e a Raízen Energia elegeram os futuros integrantes de seus conselhos de administração, órgãos que orientam e supervisionam a gestão das empresas. Também indicaram os executivos que vão liderar os negócios após a separação prevista no plano de recuperação extrajudicial. A mudança não é imediata: a atual administração permanece até a confirmação formal da capitalização da Raízen.
Resumo rápido
As assembleias de 30 de outubro de 2026 elegeram sete conselheiros titulares e sete suplentes para cada companhia. Os credores indicaram quatro titulares em cada conselho, enquanto a Shell indicou dois; o último assento depende da participação da Aguassanta na capitalização. Lorival Nogueira Luz Jr. foi indicado para liderar distribuição de combustíveis e lubrificantes, e Geovane Dilkin Consul, os negócios de etanol, açúcar e bioenergia.
Principais pontos
- Cada conselho terá mandato unificado de três anos, contado da homologação do aumento de capital da Raízen.
- Samuel Aguirre foi indicado para presidir o conselho da futura operação de distribuição de combustíveis e lubrificantes.
- Julio Cesar de Toledo Piza Neto foi indicado para presidir o conselho da futura operação de etanol, açúcar e bioenergia.
- O assento de Rubens Ometto Silveira Mello em cada conselho depende de um aporte de R$ 500 milhões da Aguassanta.
- Sem esse aporte, o assento será ocupado por Roland Alexander Ilube, indicado pela Shell.
- A homologação da capitalização está prevista para até 18 de dezembro de 2026, sujeita às condições do plano.
A eleição organiza a gestão dos negócios separados
As escolhas foram feitas em assembleias gerais extraordinárias, reuniões de acionistas convocadas para deliberar sobre assuntos específicos. Em cada companhia, a eleição ocorreu por chapa única: os nomes foram apresentados como um conjunto para formar o conselho. Foram escolhidos os titulares e seus respectivos suplentes, que são os substitutos previstos para esses cargos.
A reorganização da governança — a estrutura de decisão e supervisão das empresas — integra o plano de recuperação extrajudicial do grupo, homologado em 30 de julho de 2026. Esse tipo de recuperação organiza a renegociação de obrigações com credores por meio de um acordo submetido à Justiça. No caso da Raízen, o plano também prevê a separação dos negócios e mudanças na administração.
O fato relevante identifica a Raízen S.A. como a futura operação de distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. Já a Raízen Energia ficará ligada à futura operação de produção e comercialização de etanol, açúcar e bioenergia. É nessa divisão que se encaixam as escolhas dos conselheiros e dos executivos.
A eleição faz parte das medidas de capitalização e separação dos negócios da Raízen. O comunicado trata da composição futura da administração, não de uma troca de comando já concluída.
Quem foi escolhido para cada conselho
Na Raízen S.A., os credores indicaram Samuel Aguirre, André Dorf, Maria Gordon e Paulo Souza Queiroz Figueiredo. Aguirre também foi indicado para a presidência do conselho. A Shell indicou Felix Faber e Luiz Felipe Guimarães Coimbra.
Na Raízen Energia, os quatro titulares indicados pelos credores são Julio Cesar de Toledo Piza Neto, Kenneth John Monaghan, Mário Martins Peixoto Netto e Nelson da Silva Cardoso de Oliveira. Piza Neto foi indicado para presidir esse conselho. Os representantes indicados pela Shell são os mesmos da outra companhia: Felix Faber e Luiz Felipe Guimarães Coimbra.
Assim, os indicados pelos credores ocuparão a maioria dos sete assentos titulares em cada conselho. Essa composição mostra como ficará distribuída a participação nas instâncias de supervisão dos negócios. Ela não se confunde com a liderança executiva: o conselho orienta e acompanha a gestão, enquanto os executivos conduzem as operações.
Os mandatos serão unificados, ou seja, terão o mesmo período de duração para os integrantes de cada colegiado. O prazo de três anos começará na homologação do aumento de capital, e não na data em que as assembleias elegeram as chapas.
O aporte da Aguassanta define o último assento
A composição dos dois conselhos tem um ponto em aberto. A efetiva eleição e posse de Rubens Ometto Silveira Mello, indicado pela Aguassanta, dependem da participação dela na capitalização da Raízen S.A., no valor de R$ 500 milhões.
O documento exige a subscrição e a integralização das ações. Em termos práticos, não basta assumir o compromisso de adquirir os papéis: é necessário também realizar o aporte correspondente. Essa é a condição estabelecida para que o indicado da Aguassanta ocupe o assento em cada companhia.
Se o aporte for concretizado, Ometto integrará ambos os conselhos. Caso contrário, as vagas serão ocupadas por Roland Alexander Ilube, indicado pela Shell. Portanto, o comunicado já apresenta o nome alternativo para essa posição, sem deixar a escolha para uma indicação ainda desconhecida.
O efeito dessa condição é específico: muda quem ocupará o último assento e quem o indicou. Com a participação da Aguassanta, cada conselho terá quatro titulares indicados pelos credores, dois pela Shell e um pela Aguassanta. Sem ela, a Shell terá um terceiro indicado.
Executivos indicados já trabalham nas companhias
Para a liderança da distribuição de combustíveis e lubrificantes, a indicação é de Lorival Nogueira Luz Jr. O fato relevante é assinado por ele como diretor financeiro e de Relações com Investidores. Para conduzir a produção e comercialização de etanol, açúcar e bioenergia, foi indicado Geovane Dilkin Consul.
Segundo as companhias, ambos já integram seus quadros. A justificativa apresentada é preservar a continuidade da transformação operacional e financeira em andamento nos últimos dois anos. Essa é a razão declarada pelas empresas para escolher profissionais que já participam da organização.
As indicações se referem à condução dos negócios depois da separação prevista no plano. São funções distintas das presidências dos conselhos atribuídas a Aguirre e Piza Neto. Na prática, o anúncio identifica tanto os nomes propostos para supervisionar a gestão quanto os profissionais apontados para liderar a execução das atividades.
O que muda para o acionista
Para o acionista, o fato relevante esclarece quem deverá participar das decisões e liderar cada negócio na estrutura futura. Também mostra que há uma transição entre a eleição dos novos conselheiros e o início de seus mandatos. Até que essa transição seja concluída, a administração atual segue inalterada.
O marco previsto é a homologação da capitalização da Raízen, isto é, a confirmação formal dessa operação, esperada para até 18 de dezembro de 2026. Ela depende do cumprimento das condições suspensivas do plano — exigências que precisam ser atendidas para que a etapa produza seus efeitos.
No momento da homologação, os mandatos dos atuais conselheiros serão encerrados, os eleitos tomarão posse e as companhias divulgarão a composição definitiva da nova administração. Esse será o momento de efetivação da troca dos conselhos, com a definição do assento vinculado ao aporte da Aguassanta.
Perguntas frequentes
Os novos conselheiros já assumiram?
Não. A posse depende da homologação da capitalização da Raízen, prevista para até 18 de dezembro de 2026 e sujeita às condições do plano. Até lá, a administração atual permanece inalterada.
Quem vai comandar cada negócio?
Lorival Nogueira Luz Jr. foi indicado para liderar distribuição de combustíveis e lubrificantes, e Geovane Dilkin Consul, etanol, açúcar e bioenergia. Os dois já integram os quadros das companhias.
O que falta para Rubens Ometto entrar nos conselhos?
A participação dele depende de a Aguassanta subscrever e integralizar R$ 500 milhões em ações na capitalização da Raízen. Se isso não ocorrer, Roland Alexander Ilube, indicado pela Shell, ocupará o assento em cada conselho.
Por quanto tempo os conselheiros terão mandato?
O mandato será de três anos, com início na homologação do aumento de capital da Raízen. Cada companhia terá sete conselheiros titulares e sete respectivos suplentes.
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