O Santander Brasil (SANB3) registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,885 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 28% em relação ao mesmo período de 2025 e de 4,3% frente ao trimestre anterior. O resultado veio com redução das receitas e maior despesa líquida com perdas de crédito na comparação anual, apesar do crescimento da carteira e do corte de gastos.
Última cotação de SANB3 na B3: R$ 12,18 (-4,69% no dia) em 28/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
O Santander encerrou o trimestre com lucro recorrente menor e retorno anualizado sobre o patrimônio de 11,9%. A carteira de crédito ampliada cresceu 4,7% em um ano, mas a margem financeira caiu 1,6% e a inadimplência acima de 90 dias chegou a 3,4%. As despesas gerais recuaram, sem compensar a pressão sobre o resultado na comparação anual.
Principais pontos
- Lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,885 bilhões, ante R$ 4,009 bilhões no terceiro trimestre de 2025.
- Margem financeira de R$ 14,958 bilhões, queda de 2,5% no trimestre e de 1,6% em um ano.
- Despesa líquida com provisões para perdas de crédito de R$ 7,460 bilhões, alta anual de 14,4%.
- Inadimplência acima de 90 dias de 3,4%, ante 3,3% em junho e 2,8% em setembro de 2025.
- Carteira de crédito ampliada de R$ 721,264 bilhões, com crescimento trimestral de 0,9%.
- Despesas gerais de R$ 6,383 bilhões, redução de 3% frente ao trimestre anterior.
Lucro recorrente e contábil seguem direções diferentes no trimestre
O lucro recorrente é a medida usada pelo banco para apresentar o desempenho com ajustes e tratamento dos efeitos considerados não recorrentes. Por essa régua, o resultado caiu de R$ 3,014 bilhões no segundo trimestre para R$ 2,885 bilhões no terceiro.
Já o lucro líquido contábil, apurado pelas regras contábeis brasileiras, somou R$ 2,833 bilhões. Ele cresceu 6,2% no trimestre, embora tenha recuado 28,2% em um ano. Não há contradição: são medidas diferentes, e a base escolhida altera a leitura da comparação.
O lucro gerencial sem a classificação de recorrente também avançou no trimestre, em 5,9%, partindo de R$ 2,723 bilhões. Na passagem do resultado contábil para o gerencial do terceiro trimestre, o banco reverteu R$ 52 milhões de amortização de ágio, despesa ligada ao valor adicional pago em aquisições.
O ROAE recorrente, retorno do lucro sobre o patrimônio médio dos acionistas, ficou em 11,9% em termos anualizados. Era de 12,5% no trimestre anterior e de 17,5% um ano antes. Anualizar é expressar o ritmo do período em uma escala anual, não projetar o resultado futuro. A distinção entre comparar trimestres consecutivos ou o mesmo trimestre de anos diferentes ajuda a separar o movimento recente da trajetória mais longa.
Margem menor limita o efeito do crescimento do crédito
A margem financeira, resultado das operações financeiras do banco após seus custos de financiamento, atingiu R$ 14,958 bilhões. A parcela com clientes somou R$ 15,853 bilhões, queda de 1,3% no trimestre e de 4,2% em um ano.
Segundo o Santander, pesou a mudança na composição dos negócios, com menor participação do público de baixa renda e redução da exposição ao segmento massivo, sua operação de varejo mais ampla. O spread dos produtos, diferença entre o rendimento das operações e seu custo financeiro, passou de 10,63% ao ano para 9,70% em doze meses. Assim, uma carteira maior não necessariamente gera uma margem maior: também importa quais operações compõem esse saldo.
A margem com o mercado, ligada à gestão financeira e às posições de tesouraria, ficou negativa em R$ 895 milhões. A perda aumentou 24,7% no trimestre, mas diminuiu 33,6% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
As comissões, receitas cobradas por serviços, totalizaram R$ 5,417 bilhões. Houve alta trimestral de 1,6%, apoiada por seguros e cartões, e queda anual de 2,4%. As receitas de corretagem e colocação de títulos recuaram 46,5% em um ano. No conjunto, a receita total caiu 1,9% na comparação anual, para R$ 20,375 bilhões.
Perdas de crédito recuam no trimestre, mas atrasos longos aumentam
O resultado de PDD, provisões para devedores duvidosos que reconhecem perdas esperadas com crédito, representou despesa líquida de R$ 7,460 bilhões. O valor caiu 2,5% frente ao segundo trimestre, mas aumentou 14,4% em doze meses.
Essa conta combina provisões e recuperação de créditos antes baixados a prejuízo. As provisões somaram R$ 8,212 bilhões, enquanto as recuperações atingiram R$ 752 milhões. Segundo o banco, a recuperação cresceu no trimestre principalmente pela venda de uma carteira do segmento de grandes empresas.
A inadimplência acima de 90 dias chegou a 3,4%. Entre pessoas físicas, atingiu 5,5%, com avanço associado pelo Santander aos segmentos de baixa renda e agronegócio. Nas pequenas e médias empresas, recuou para 5%.
Os atrasos mais curtos, de 15 a 90 dias, caíram para 3,2% no total. As duas faixas mostram momentos diferentes do atraso e não precisam andar juntas. O banco informa que os indicadores de 2025 foram ajustados ao conceito de carteira expandida adotado em 2026, que inclui títulos e avais, permitindo a comparação entre os períodos.
Grandes empresas puxam a carteira e depósitos ganham espaço
A carteira ampliada, que reúne empréstimos, títulos privados e garantias como avais e fianças, alcançou R$ 721,264 bilhões. O principal impulso trimestral veio de grandes empresas, cujo saldo cresceu 4,3%, para R$ 265,690 bilhões, com destaque para comércio exterior, capital de giro e garantias.
A carteira de pessoas físicas caiu 0,6% no trimestre, para R$ 261,808 bilhões. Consignado e crédito pessoal recuaram, enquanto cartões e financiamento imobiliário avançaram. Segundo a companhia, o movimento acompanha a estratégia de diminuir a exposição ao varejo massivo.
No financiamento ao consumo, o saldo caiu 3,6% no trimestre. O Santander atribuiu a redução à cessão de carteira por meio de um FIDC, fundo que reúne direitos a receber, como parcelas de financiamentos. A transferência desses créditos reduz o saldo mantido na carteira; por isso, sua evolução não depende apenas da concessão de novos empréstimos.
As captações de clientes, recursos obtidos pelo banco por depósitos e outros instrumentos, atingiram R$ 701,316 bilhões, alta de 6,3% em um ano. Pessoas físicas responderam por 51% dos depósitos. Segundo o Santander, ampliar essa participação faz parte da estratégia para reduzir o custo de financiamento.
Corte de gastos não impede piora anual da eficiência
As despesas gerais caíram 3% no trimestre e 0,6% em um ano, para R$ 6,383 bilhões. Os gastos com pessoal recuaram 4,2% na comparação anual, enquanto as despesas administrativas, incluindo depreciação e amortização, cresceram 2,5%.
O banco terminou setembro com 45.782 funcionários, ante 51.747 um ano antes. A rede de lojas e postos de atendimento bancário passou de 1.789 para 1.554 unidades. Segundo a administração, os ajustes na estrutura e na força de trabalho compensaram os maiores investimentos em tecnologia na comparação anual.
O índice de eficiência, que relaciona despesas à base de receitas e outros componentes operacionais, ficou em 38,8%, ante 37,5% um ano antes. Mesmo com gastos menores, a queda das receitas pressionou essa relação. Isso explica por que cortar despesas não se traduziu em melhora anual do indicador.
O que muda para o acionista
O balanço mostra um banco com mais crédito e captações, mas menor lucro recorrente e menor retorno sobre o patrimônio. Para o acionista, o ponto central é que o crescimento do volume de negócios não chegou ao resultado na mesma proporção: margens menores e perdas de crédito maiores em um ano limitaram essa conversão.
O capital também mudou. O índice de Basileia, relação entre o capital regulatório e os ativos ponderados pelo risco, caiu de 15,3% para 15,1% no trimestre. O capital principal, parcela central desse capital, passou de 11,2% para 10,9%. Segundo o Santander, a queda da Basileia refletiu o crescimento dos ativos ponderados pelo risco. Esses indicadores completam a leitura do trimestre ao mostrar o capital que sustenta a operação, além do lucro gerado por ela.
Perguntas frequentes
Quanto o Santander lucrou no terceiro trimestre?
O lucro líquido gerencial recorrente foi de R$ 2,885 bilhões no terceiro trimestre de 2026. O valor ficou 28% abaixo do registrado um ano antes e caiu 4,3% em relação ao segundo trimestre.
Por que aparecem números diferentes de lucro?
Porque o banco apresenta o resultado contábil e medidas gerenciais com ajustes. No terceiro trimestre, o lucro contábil foi de R$ 2,833 bilhões, enquanto o gerencial recorrente atingiu R$ 2,885 bilhões.
A inadimplência do Santander aumentou?
Sim, a parcela da carteira com atrasos superiores a 90 dias subiu para 3,4%, contra 3,3% no trimestre anterior. Já os atrasos de 15 a 90 dias diminuíram para 3,2%.
Como o crédito cresceu se o lucro caiu?
O saldo de crédito e o lucro medem coisas diferentes. A carteira ampliada cresceu 4,7% em um ano, mas a margem financeira diminuiu e a despesa líquida com provisões para perdas de crédito aumentou na mesma comparação.
O retorno de 11,9% é o rendimento da ação?
Não, esse percentual é o retorno recorrente anualizado sobre o patrimônio médio do banco. Ele mede a rentabilidade da operação em relação ao capital dos acionistas, não o ganho de quem negocia a ação.
Ativos citados nesta matéria
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