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Schvartsman assume a CSN com dívida de R$ 42,1 bilhões

A meta é reduzir R$ 18 a 20 bilhões. A CSN Cimentos é a venda mais avançada, com Huaxin e o consórcio Votorantim e Cementir disputando por cerca de R$ 12 bilhões.

Schvartsman assume a CSN com dívida de R$ 42,1 bilhões
Foto: Vlada Karpovich / Pexels

Fabio Schvartsman assumiu a CSN com um número que define o mandato: R$ 42,1 bilhões de dívida líquida, alavancagem de 3,49 vezes e projeção de queima de caixa de R$ 9,3 bilhões nos próximos 12 meses. A empresa toda vale R$ 7,9 bilhões em bolsa.

Resumo rápido

A CSN encerrou o segundo trimestre de 2026 com dívida líquida de R$ 42,1 bilhões e alavancagem de 3,49 vezes o Ebitda, com projeção de queima de caixa de R$ 9,3 bilhões nos doze meses seguintes. O novo presidente, Fabio Schvartsman, assumiu em 3 de setembro com a missão declarada de reduzir entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões de dívida, começando pela venda da CSN Cimentos.

Principais pontos
  • A dívida líquida da CSN era de R$ 42,1 bilhões no fim do segundo trimestre de 2026.
  • A alavancagem está em 3,49 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda.
  • A projeção de queima de caixa é de R$ 9,3 bilhões nos doze meses seguintes.
  • A meta declarada é reduzir entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões de dívida.
  • A venda da CSN Cimentos é a mais avançada, com valor potencial de R$ 12 bilhões.

O tamanho do problema

Os três números que importam. A dívida líquida era de R$ 42,1 bilhões ao fim do segundo trimestre de 2026. A alavancagem — dívida líquida dividida pelo Ebitda dos últimos doze meses — estava em 3,49 vezes. E há projeção de queima de caixa de R$ 9,3 bilhões nos doze meses seguintes.

Para dar escala, a comparação mais direta: a companhia inteira vale R$ 7,9 bilhões em bolsa. A dívida é mais de cinco vezes o valor de mercado do capital. Nessa configuração, quem controla a empresa economicamente é o credor, não o acionista. O que é Ebitda e por que a razão importa está em o que é Ebitda e como calcular.

Por que 3,49 vezes é desconfortável

Não existe número mágico de alavancagem, mas há convenções de mercado. Abaixo de 2 vezes, a estrutura é considerada confortável; entre 2 e 3, aceitável em setor cíclico; acima de 3, é território em que contratos de dívida podem trazer cláusulas restritivas e o custo de rolagem sobe.

Em siderurgia, o desconforto é maior porque o Ebitda oscila com preço de aço e de minério — o denominador da conta pode encolher sem que nada mude na dívida. E há o efeito da Selic a 14%: dívida em reais rola mais caro, e cada ponto de juro pesa sobre R$ 42 bilhões.

Indicador Valor
Dívida líquida (2T26) R$ 42,1 bilhões
Alavancagem 3,49x dívida líquida/Ebitda
Queima de caixa projetada (12 meses) R$ 9,3 bilhões
Valor de mercado R$ 7,9 bilhões
Meta de redução de dívida R$ 18 bi a R$ 20 bi
CSN Cimentos: valor potencial R$ 12 bilhões
CSN Cimentos: meta inicial R$ 15 bilhões

A venda que está na mesa

O ativo mais avançado no processo é a CSN Cimentos, e já há disputa formada. Dois interessados competem: a chinesa Huaxin e um consórcio formado por Votorantim e Cementir.

O cronograma indicado é a escolha do vencedor em cerca de 45 dias, com conclusão da transação prevista para novembro. O valor potencial está em torno de R$ 12 bilhõesabaixo da meta inicial de R$ 15 bilhões, uma diferença de R$ 3 bilhões que vale registrar: vender sob pressão de caixa raramente entrega o preço pedido.

A sequência planejada de desinvestimentos

A CSN Cimentos não resolve sozinha. Steinbruch indicou uma ordem: depois do cimento, vêm as vendas de participações minoritárias em infraestrutura e energia, e o desinvestimento de unidades internacionais.

Só ao final desse percurso vem a etapa mais sensível: trazer um sócio para a siderurgia — o negócio original da companhia. A ordem não é acidental. Vende-se primeiro o que é periférico e depois o que é núcleo, porque a diluição no núcleo é a decisão mais difícil para um controlador. O contexto de venda de ativos com juro alto está em por que o M&A aquece com juro alto.

A conta que não fecha sozinha

Vale fazer a aritmética, porque ela mostra o desafio real. Se a CSN Cimentos sair por R$ 12 bilhões, e a meta de redução é de R$ 18 a 20 bilhões, faltam de R$ 6 a 8 bilhões vindos dos outros ativos.

Ao mesmo tempo, há a queima projetada de R$ 9,3 bilhões em doze meses. Ou seja: parte do que entrar pela venda pode ser consumido pela operação antes de reduzir dívida de forma permanente. É por isso que os analistas falaram em “disciplina de capital, venda de ativos e execução” — as três coisas ao mesmo tempo, e nessa ordem de dificuldade. Como acompanhar isso está em como ler o fluxo de caixa.

O que a experiência do executivo sugere

Schvartsman chega com histórico compatível com a tarefa. Passou 22 anos no Grupo Ultra, onde foi diretor financeiro — perfil de estrutura de capital. E presidiu a Klabin de 2011 a 2017, período em que a companhia dobrou a capacidade de produção, o que envolve gestão de investimento pesado e financiamento de longo prazo.

Presidiu também a Vale de 2017 a 2019, deixando o cargo após o rompimento da barragem em Brumadinho, em janeiro de 2019. A combinação de experiência financeira e operacional foi exatamente o que a Fatorial Investimentos apontou como aderente ao momento da CSN. O perfil completo e a reação do mercado estão em a alta de 6,69% com a troca de comando.

O que pode dar errado

Três riscos concretos. O primeiro é de preço: se a CSN Cimentos sair abaixo de R$ 12 bilhões, ou se a decisão em 45 dias escorregar, o alívio de caixa demora e a alavancagem permanece.

O segundo é de ciclo: queda no preço do aço ou do minério reduz o Ebitda e piora a alavancagem sem que a dívida aumente. O terceiro é de execução: vender participação em infraestrutura e energia envolve aprovação regulatória e sócios, e cada etapa tem prazo próprio. Casos recentes de reestruturação na bolsa aparecem em três grandes reestruturações ao mesmo tempo.

O que isso significa para você

Três leituras. Sobre o que a ação embute: com valor de mercado de R$ 7,9 bilhões contra R$ 42,1 bilhões de dívida, o papel funciona como opção alavancada sobre o sucesso do desinvestimento — sobe muito se der certo e sofre muito se não der.

Sobre o que verificar e quando: a decisão da CSN Cimentos em cerca de 45 dias e a conclusão em novembro. Depois disso, a alavancagem no balanço do terceiro e do quarto trimestre. São marcos com data, e não promessas.

Sobre o que não confundir: reduzir dívida vendendo ativo encolhe a empresa. O múltiplo pode melhorar e o Ebitda futuro pode cair junto — a companhia de 2027 será menor que a de hoje. A forma de avaliar isso está em o fluxo de caixa descontado na prática.

Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Dados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2026 conforme divulgação da companhia e cobertura de mercado de 03/09/2026. A projeção de queima de caixa, o valor potencial da CSN Cimentos e o cronograma são estimativas divulgadas e podem não se confirmar. As faixas de alavancagem citadas são convenções de mercado, não regras.

Perguntas frequentes


Qual a dívida da CSN?

A dívida líquida era de R$ 42,1 bilhões ao fim do segundo trimestre de 2026, com alavancagem de 3,49 vezes o Ebitda. A companhia vale R$ 7,9 bilhões em bolsa.


Qual a meta de redução de dívida?

Entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões, conforme a missão declarada para o novo presidente, Fabio Schvartsman, que assumiu em 3 de setembro de 2026.


Qual ativo está sendo vendido?

A CSN Cimentos é a venda mais avançada, com dois interessados: a chinesa Huaxin e um consórcio de Votorantim e Cementir. A escolha do vencedor é esperada em cerca de 45 dias e a conclusão, em novembro.


Quanto a CSN Cimentos pode valer?

O valor potencial está em torno de R$ 12 bilhões, abaixo da meta inicial de R$ 15 bilhões. Mesmo no valor cheio, faltariam de R$ 6 a 8 bilhões para a meta de redução de dívida.


Por que alavancagem de 3,49 vezes preocupa?

Porque acima de 3 vezes contratos de dívida podem trazer cláusulas restritivas e o custo de rolagem sobe. Em siderurgia o risco é maior, porque queda no preço do aço reduz o Ebitda e piora o indicador sem que a dívida aumente.


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RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

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As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


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