A Simpar (SIMH3) registrou lucro líquido ajustado das operações continuadas de R$ 137 milhões no terceiro trimestre de 2026, ante prejuízo de R$ 128,6 milhões no mesmo período de 2025. Essa medida considera os negócios mantidos na operação e os ajustes adotados pela companhia. O lucro líquido consolidado, sem ajustes e incluindo os negócios apresentados separadamente como operações descontinuadas, foi de R$ 129,4 milhões.
Última cotação de SIMH3 na B3: R$ 5,38 (-2,89% no dia) em 05/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Simpar encerrou o terceiro trimestre com receita bruta de R$ 12,7 bilhões, alta de 4,6% em um ano. O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, cresceu 19,9%, para R$ 3.486,4 milhões. A alavancagem, relação entre dívida líquida e EBITDA, caiu para 2,7 vezes, o menor nível desde a abertura de capital, em 2010, segundo a companhia. Já a geração de caixa depois dos investimentos em crescimento e antes dos juros diminuiu na comparação anual.
Principais pontos
- O lucro ajustado das operações continuadas avançou 162,5% sobre o segundo trimestre, quando somou R$ 52,2 milhões.
- A receita líquida de serviços chegou a R$ 9.480,3 milhões, crescimento anual de 5,8%.
- A margem EBITDA alcançou 30,4%, aumento de 4,1 pontos percentuais em um ano.
- A dívida líquida consolidada, excluindo o Banco BBC, ficou em R$ 39.189,2 milhões, queda anual de 5,4%.
- A holding recomprou R$ 723 milhões em dívidas nos nove primeiros meses, executando 72% do plano de até R$ 1 bilhão.
- A geração de caixa livre depois do crescimento e antes dos juros foi de R$ 523,4 milhões.
Por que o resultado apresenta diferentes valores de lucro
Os R$ 137 milhões destacados pela administração não representam o lucro final de todo o grupo. O número exclui as operações descontinuadas, negócios separados contabilmente das atividades que permanecem, e incorpora os ajustes definidos pela empresa. O release informa que Ciclus Amazônia e CS Porto Aratu foram reclassificadas como operações descontinuadas.
Quando esses negócios entram na conta, o lucro líquido ajustado consolidado fica em R$ 108,8 milhões. Sem os ajustes, o resultado consolidado foi positivo em R$ 129,4 milhões, contra prejuízo de R$ 238,5 milhões um ano antes. São medidas com abrangências diferentes, não versões intercambiáveis do mesmo indicador.
Há também o lucro atribuído aos controladores, parcela pertencente aos acionistas da Simpar depois de separar a participação de outros sócios nas controladas. Ele chegou a R$ 35,2 milhões sem ajustes e a R$ 8,3 milhões na versão ajustada. Essa distinção ajuda a entender por que o resultado consolidado não pertence integralmente a quem tem SIMH3.
Serviços e controle de despesas sustentaram o avanço operacional
A receita líquida consolidada alcançou R$ 11.559,8 milhões, alta anual de 4,1%. Dentro desse total, os serviços cresceram, enquanto a receita com venda de ativos caiu 5,3%, para R$ 1.991,8 milhões. Frente ao segundo trimestre, a receita de serviços ficou praticamente estável, com recuo de 0,1%.
Segundo a Simpar, a melhora operacional veio da maturação de contratos, da recomposição de preços e da disciplina nos custos. As despesas comerciais e administrativas passaram a representar 9,6% da receita líquida de serviços, redução anual de 1,3 ponto percentual.
A margem EBITDA, proporção da receita que se transforma nesse resultado operacional, atingiu 30,4%. A base de receita usada nesse cálculo exclui construção. O EBITDA não equivale ao lucro final nem ao dinheiro disponível, pois deixa de fora itens como juros e impostos.
Entre as controladas, a Movida teve lucro de R$ 152,1 milhões e foi a maior contribuição individual para o crescimento da receita de serviços do grupo. A Vamos registrou lucro de R$ 150,9 milhões e ocupação da frota de 89%. A JSL apresentou lucro ajustado de R$ 40,3 milhões, enquanto a Automob manteve prejuízo ajustado, de R$ 52,1 milhões, menor que o de um ano antes.
Alavancagem recua, mas dívida aumenta frente ao segundo trimestre
A relação dívida líquida/EBITDA caiu de 3,5 vezes para 2,7 vezes em um ano. O indicador utiliza o resultado dos últimos doze meses e os critérios contratuais descritos pela companhia. Ele compara o endividamento com a capacidade operacional de gerar resultado; não representa um prazo literal para quitar a dívida.
A redução anual refletiu tanto a evolução operacional quanto mudanças na estrutura de capital, segundo a Simpar. Entre elas estão os aumentos de capital privado de R$ 3 bilhões concluídos em maio de 2026 na Simpar, Movida e Vamos, com participação da JSP e da BNDESPar, além das vendas de negócios.
Mesmo com a queda da alavancagem, a dívida líquida consolidada sem o BBC subiu 0,6% em relação ao segundo trimestre. Isso pode acontecer porque o índice depende também do resultado usado no cálculo, não apenas do saldo devedor.
Na holding, empresa que reúne as participações do grupo, a dívida líquida ficou em R$ 1.478,1 milhões, queda anual de 53,7%. O caixa somou R$ 3.882,4 milhões. Segundo a companhia, esse saldo cobre os vencimentos financeiros da holding até meados de 2031.
Mais investimentos e capital de giro reduziram a sobra de caixa
O capex líquido, investimento em ativos descontadas as vendas consideradas nessa conta, somou R$ 2.456,7 milhões. Houve aumento de 132,9% em um ano, mas queda de 20,6% frente ao segundo trimestre. A empresa relacionou a expansão anual principalmente aos novos contratos de longo prazo de Movida e Vamos.
O capital de giro, dinheiro necessário para sustentar o intervalo entre pagamentos e recebimentos da operação, consumiu R$ 246,8 milhões. No terceiro trimestre de 2025, havia liberado R$ 648,8 milhões. Aquela base de comparação tinha sido beneficiada pela redução dos estoques e pelo menor crescimento das contas a receber.
A geração de caixa livre depois do crescimento e antes dos juros caiu 78,5%, para R$ 523,4 milhões. O recorte importa: o valor ainda não representa a sobra após o custo financeiro. A despesa financeira líquida, excluindo a atualização a preços de mercado de um derivativo, contrato financeiro citado no release, foi de R$ 1.996,8 milhões, queda anual de 3,3%.
Venda de Aratu ainda não trouxe o pagamento do fechamento
A venda da CS Porto Aratu, anunciada em julho de 2026, considera valor da operação incluindo dívidas de R$ 1,8 bilhão. O fechamento depende do cumprimento de condições, entre elas aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, e autorização do poder concedente.
Os R$ 650 milhões previstos para pagamento na conclusão ainda não haviam sido recebidos. O lucro ajustado das operações continuadas não inclui o fechamento dessa venda. Ao mesmo tempo, Aratu já está separada contabilmente como operação descontinuada desde o segundo trimestre, distinção entre o tratamento nas demonstrações e a entrada efetiva dos recursos.
O que muda para o acionista
O trimestre reúne recuperação do lucro, menor alavancagem anual e aumento dos investimentos. Para o acionista, os números mostram dimensões diferentes: a rentabilidade operacional avançou, mas isso não impediu a redução do caixa gerado depois do crescimento e antes dos juros.
A recompra de dívidas da holding avançou R$ 472 milhões no trimestre. Diferentemente de uma recompra de ações, ela envolve títulos de dívida emitidos pela própria companhia. O plano informado é de até R$ 1 bilhão, enquanto a conclusão da venda de Aratu permanece pendente. A administração afirma que seu planejamento busca aproveitar a base de ativos já construída e ampliar contratos de longo prazo.
Perguntas frequentes
A Simpar teve lucro de quanto no terceiro trimestre?
O lucro líquido consolidado foi de R$ 129,4 milhões no terceiro trimestre de 2026. Já os R$ 137 milhões destacados pela companhia correspondem ao lucro ajustado das operações continuadas, uma medida com abrangência diferente.
Por que aparecem vários números de lucro?
Os valores variam conforme os ajustes da companhia, a inclusão das operações descontinuadas e a participação de outros sócios nas controladas. A parcela atribuída aos acionistas da Simpar foi de R$ 35,2 milhões sem ajustes e de R$ 8,3 milhões com ajustes.
A dívida da Simpar diminuiu?
A dívida líquida consolidada sem o Banco BBC caiu 5,4% em um ano, para R$ 39.189,2 milhões. Na comparação com o segundo trimestre, porém, cresceu 0,6%, enquanto a relação dívida líquida/EBITDA recuou para 2,7 vezes.
A Simpar já recebeu o dinheiro da venda de Aratu?
Os R$ 650 milhões previstos para o fechamento ainda não haviam sido recebidos, conforme o release. A conclusão depende de condições contratuais, incluindo aprovação do Cade e autorização do poder concedente.
A recompra citada no resultado é de ações?
Não, o plano mencionado é de recompra de dívidas emitidas pela holding. A companhia recomprou R$ 723 milhões nos nove primeiros meses de 2026, equivalentes a 72% do objetivo de até R$ 1 bilhão.
Ativos citados nesta matéria
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